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Banco do Brasil

Consultoria BB: contratação de empresa precisa ser explicada

Contrato sem licitação, e com possível conflito de interesses, tem gerado desconforto nos bancários


Em 06.10.2017 às 18:38 Compartilhe:

A contratação da empresa Falconi Consultores de Resultados, para assessorar processos de reestruturação do Banco do Brasil, tem gerado desconforto nos bancários. Isso porque, de acordo com sindicatos que denunciaram os fatos, no final de setembro, ela foi feita sem licitação, o que descumpre normativos do Banco. Além disso, a empresa tem como conselheiro, Pedro Moreira Salles, que também é o presidente do Conselho de Administração do Itaú-Unibanco, o que pode configurar em conflito de interesses, visto que a empresa terá acesso a dados sigilosos do Banco do Brasil.

A ANABB defende que os fatos sempre devem ser esclarecidos o quanto antes, em nome da transparência, e que práticas de boa governança e regulamentos devem ser respeitadas. Assim, a Associação entrou em contato com o BB a respeito das referidas denúncias. O Banco respondeu, elencando as seguintes explicações:

1) A contratação do Instituto de Desenvolvimento Gerencial S.A. fundamentou-se no pleno cumprimento das exigências legais previstas na Lei nº 8.666/93, em especial no que se refere às hipóteses de contratação direta de fornecedores que detenham notória especialização, a exemplo do Instituto contratado.

A escolha da empresa foi baseada, além da notória especialização, na qualificação do corpo técnico, no método de trabalho e na atuação com sucesso junto a renomadas empresas da Administração Pública Direta e Indireta, assim como na iniciativa privada, entre as quais instituições financeiras e assemelhadas no Brasil, tais como: Santander, Bradescard, Banrisul, Citibank, HSBC, GE Capital dentre outros.

2) A Lei de Licitação não possui regras que determinam a exclusão de fornecedores por sua composição societária em razão de uma suposta competição de mercado com o contratante. Ainda que não existam regras impeditivas a serem observadas, o Banco adota, em contratos da espécie, cláusulas específicas que visam à manutenção do sigilo das informações por parte dos contratados, a exemplo de cláusulas de exigência de condutas éticas e de confidencialidade e sigilo de informações.


A Associação também procurou o representante dos funcionários no Conselho de Administração do BB (Caref) para ouvir seu posicionamento acerca dos fatos. Fabiano Felix disse que, a seu pedido, o Conselho de Administração pediu explicações à Diretoria do Banco, que confirmou que a empresa de fato foi contratada sem licitação, mas por ter notória especialização pode ser contratada dessa maneira, conforme parecer jurídico favorável.

“Considero, no entanto, que a contratação pode até não ser ilegal, mas não é recomendável pelas boas práticas de gestão em órgãos públicos e empresas públicas e de economia mista. Não se pode banalizar este procedimento e por isso estou propondo mudanças na política de contratações do banco, para evitar a continuidade destas práticas”, comentou Fabiano.

Quanto à presença do presidente do Conselho de Administração do Banco Itaú-Unibanco na gestão da consultoria, Fabiano disse que o BB alega que a empresa contratada por ele foi a INDG S.A., controlada pela Falconi Participações, o que não permite que o Conselho de Administração tenha ingerência direta sobre a INDG, além de que o contrato tem cláusula de confidencialidade. Porém, Fabiano disse que, ao acessar o site da Falconi foi constatado que a empresa INDG, fundada em 2003, mudou seu nome para Falconi Consultoria de Resultados em 2012, que conta com o Sr. Pedro Moreira Salles como conselheiro de administração.

“Continuamos preocupados com a possibilidade de acesso do concorrente a dados sigilosos do BB, principalmente neste momento que vozes do mercado defendem a privatização do banco”, disse o Caref. Fabiano falou, por fim, que vai defender, junto ao Conselho de Administração do BB, o rompimento imediato do referido contrato e propor alterar a política do Banco para impedir a contratação de empresas direta ou indiretamente controladas ou administradas por concorrentes.

Fonte: Agência ANABB