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Assuntos diversos

Baleia Azul: mutilações e suicídio de adolescentes podem estar ligados a esse jogo

A prevenção é a melhor forma de combate ao suicídio


Em 20.04.2017 às 15:24 Compartilhe:

A população brasileira está alarmada com recentes notícias divulgadas pela imprensa de que diversos adolescentes estão se mutilando e até tirando a própria vida após se envolverem com o recém-propagado “jogo da baleia-azul”, que possui um conjunto de desafios e tem o suicídio como sua última etapa.  O assunto acendeu um alerta entre pais e escolas, que devem ficar atentos a mudanças no comportamento de filhos e dos estudantes.

Em pelo menos oito Estados (SP, PR, MG, MT, PE, PB, RJ e SC), a polícia civil investiga se mutilações e morte de jovens teriam sido motivadas por esse jogo viral. Somente na Paraíba, a Polícia Militar diz ter identificado 20 adolescentes envolvidos no jogo, com tentativas de suicídio e mutilação de adolescentes. Somente na madrugada de quarta-feira (19/4), oito adolescentes entre 13 e 17 anos deram entrada nas unidades de saúde de Curitiba, sendo que cinco tentaram o suicídio por medicamentos. Dois suicídios de adolescentes também estão sendo investigados em Minas Gerais pela Polícia Civil. 

As etapas do jogo são geralmente enviadas por mensagens pelas redes sociais. Nas conversas, os organizadores ou “curadores”, como são chamados, propõem 50 desafios, como assistir filmes de terror durante a madrugada, auto mutilações com instrumentos afiados fazendo desenhos de baleia, e na última etapa, tiram a própria vida. 

Pesquisa do Centro de Estudos Sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (Cetis), que analisou 19 milhões de internautas brasileiros, identificou um avanço nas buscas do público adolescente por mutilações (11%) e mortes (6%) na internet. Os casos mais recentes envolvem o jogo Baleia Azul que, segundo relatos, teve início no Pontavante (VK), o Facebook russo. Hoje, o jogo e suas nefastas consequências se alastraram por diversas partes do mundo. 

Como identificar se o adolescente pode estar envolvido com o jogo
Segundo Eliane Soares, voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), “normalmente a pessoa busca um isolamento da família e dos amigos, deixa de fazer atividades antes prazerosas, aparenta tristeza, fala sobre morte ou largar tudo, pode usar expressões como “não aguento mais”, “estou cansado”, “preferia morrer”, chora frequentemente sem causa aparente. Às vezes há sinais de automutilação, como cortes pelo corpo, começa a usar roupas de manga comprida para esconder os cortes e passa horas trancado no quarto”.

Confira os principais sinais:

  1. Mutilações na palma da mão e nos braços (e muitos casos há cortes grandes com desenhos de baleia ou qualquer outro animal).
  2. Assistir a filmes de terror/psicodélicos com frequência.
  3. Desenhos de baleia.
  4. Posts em redes sociais com os dizeres "#iamwhale" ("Eu sou uma Baleia").
  5. Sair de casa em horários estranhos.
  6. Cortes nos lábios.
  7. Furos nas mãos com agulhas.
  8. Arranjar brigas.
  9. Evitar conversar durante muitas horas.

Como fazer a prevenção do suicídio entre os adolescentes
A maior porcentagem de suicídios no Brasil é registrada entre jovens. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos casos podem ser prevenidos, se a pessoa receber ajuda. 

De acordo com material elaborado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), voltado para jovens e adolescentes, a primeira medida preventiva contra o suicídio é a educação. “É preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema. Como já aconteceu no passado, por exemplo, com doenças sexualmente transmissíveis ou câncer, a prevenção tornou-se realmente bem-sucedida quando as pessoas passaram a conhecer melhor esses problemas”.

Segundo Eliane Soares, voluntária do CVV, “os pais, como qualquer pessoa próxima, deve estar sempre atento aos sinais das pessoas próximas. Ao notar claramente que o filho está com atitudes autodestrutivas ou de risco, o primeiro passo é acolher sem criticar e oferecer ajuda”. Eliane disse que o importante é realmente ajudar sem condenar, buscando ajuda de um profissional como psicólogo ou psiquiatra. “Falar abertamente sobre suicídio é o principal meio de prevenção”, comentou a voluntária. 

Ainda de acordo com o material do CVV, vários motivos podem levar alguém ao suicídio. Normalmente, a pessoa tem necessidade de aliviar pressões externas como cobranças sociais, culpa, remorso, depressão, ansiedade, medo, fracasso, humilhação etc. Os pais ou responsáveis devem avaliar como o relacionamento com os adolescentes têm sido nos últimos tempos. “Procurar entender como o jovem se sente, como ele vê o mundo a partir da perspectiva dele, e não como gostaríamos que ele visse e acima de tudo aceitar como ele se sente”, disse Eliane. 

O CVV orienta que os pais devem seguir as recomendações da OMS que podem prevenir essas situações, como tratar o assunto sem tabus, não focar nas possíveis motivações, no meio utilizado e nem buscar culpados ou responsáveis pelos atos. Eliane também disse que “trazer o assunto para a mesa de jantar e a sala de aula, assim como ocorreu com drogas, sexualidade e DSTs é a grande saída para uma geração com menores índices de suicídio”.

Os voluntários do CVV se colocam à disposição para palestras em escolas, empresas e organizações. “Realizamos eventos locais para sensibilizar e conscientizar sobre a questão e somos um dos organizadores do Setembro Amarelo no Brasil, movimento que objetiva essa conscientização em nível nacional”, conclui Eliane.


Serviço:

Para entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), ligue 141, ou clique aqui, para acessar os pontos de atendimento nos estados. 

Atenção: o telefone 0 800 273 8255 que tem sido divulgado em diversas redes sociais como um número de prevenção ao suicídio, não existe.

Fonte: CVV, Jornal Estadão e Gazeta do Povo