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Assuntos diversos

A ÁGUA EM DEBATE

O baixo nível de água dos reservatórios brasileiros, associado à falta de chuvas, tem colocado o país em alerta


Em 22.03.2017 às 17:49 Compartilhe:

Por Elder Ferreira (publicada no Jornal Ação 230)

Imagine abrir uma torneira de sua casa pela manhã e não encontrar água para suprir as necessidades básicas, ou ainda ter de conviver com constantes faltas de energia e rodízios de abastecimento. Com o agravamento da crise hídrica, essas situações hipotéticas passaram a preocupar muita gente nos últimos tempos. O baixo nível de água dos reservatórios brasileiros, associado à falta de chuvas, tem colocado o país em alerta. A pauta mobiliza governo, entidades e estudiosos do assunto, a fim de buscar soluções para reduzir os efeitos negativos do que, para muitos, já é considerada a maior crise hídrica da história do país.

Para o professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Recursos Hídricos, Sergio Koide, ainda não houve apagão generalizado devido aos investimentos no setor de energia, porém um novo blecaute não está descartado. “No fim da década de 2000, houve uma situação semelhante a que estamos passando agora, apesar de menos crítica. A lição do ocorrido deveria ter sido levada a sério no planejamento e na gestão dos recursos hídricos e, em parte, isso ocorreu. No setor de energia elétrica, houve planejamento e financiamento para construção de muitas hidrelétricas, inclusive algumas de grande porte nos rios Madeira e Xingu. No entanto, houve considerável atraso em diversas hidrelétricas e obras complementares, por várias razões. De qualquer forma, ainda não houve apagão generalizado devido a esses investimentos e planejamentos, apesar dos problemas ocorridos. Se a seca persistir, poderemos ter um novo apagão”, ressalta.

Diante desse cenário, é possível encontrar na sociedade, inclusive em estados menos afetados pela crise hídrica, pessoas conscientes quanto à importância do uso racional da água. Um bom exemplo vem da cidade de Fraiburgo (SC), onde o associado da ANABB Juvenal Figueiredo iniciou o cultivo, em área urbana, de mais de 40 mil mudas nativas com uso de captação da água da chuva. Com essa pequena ação, o associado consegue economizar na conta de água e ao mesmo tempo contribui com a natureza, utilizando o recurso hídrico de forma consciente.

Em meio a espécies como carvalho brasileiro, cedro rosa, imbuia, pitanga, cerejeira, guabiroba, entre outras, Juvenal destaca o que considera de suma importância nessa atividade. “O cultivo de algumas dessas espécies faz-se necessário, mas considero todas, sem exceção, de grande importância para reflorestar áreas de nascentes, entorno de rios e todos os lugares possíveis”, ressalta com entusiasmo.

A carência de vegetação nativa à beira de nascentes e mananciais é apontada por especialistas como uma das grandes causas da seca que atinge principalmente a região Sudeste. O reflorestamento dessas áreas, em diversas regiões do Brasil, garantirá mais água nos reservatórios, mesmo nos períodos de longas estiagens. Isso porque rios e córregos que abastecem os mananciais estarão protegidos. Nesse contexto, a ação do bancário tem sido de grande importância em meio à crise hídrica que atravessa boa parte do país.

Com a expansão do número de plantas para 60 mil, Juvenal resolveu mudar o viveiro para uma área rural, próximo a um riacho, mas sem deixar o pensamento ecologicamente correto de lado. “Além da água da chuva, eu também coleto água do riacho para a irrigação do viveiro, por meio de um sistema de canos e sem utilização de energia elétrica.”

Pequenas atitudes voltadas para o consumo racional da água também fazem parte da rotina da psicóloga clínica Maria Anísia, de 59 anos. “Procuro fazer minha parte em casa, reaproveito a água da máquina de lavar e a utilizo para limpar tapetes, carros e áreas externas e para regar grama”, destaca a moradora de Brasília, que também evita deixar a torneira aberta ao escovar os dentes, lavar a louça e as mãos.

CRISE MUNDIAL
A crise de abastecimento que afeta o Brasil não é “privilégio” apenas nacional, mas sim uma questão mundial. O tema tem chamado atenção da comunidade internacional. Durante o Fórum Mundial Econômico, realizado em janeiro de 2016, pesquisa feita com 900 executivos e especialistas revelou que a “crise da água” é o item que pode gerar maior impacto no mundo em 2015. Essa foi a segunda vez, desde 2007, que a economia não aparece como principal risco para o Planeta.

Os números endossam essa preocupação. Mais 768 milhões de pessoas não têm nenhum acesso à água tratada e 3,5 bilhões não recebem abastecimento de água satisfatório. O panorama mundial, de acordo com estudos recentes, também indica que 50 países enfrentarão crise no abastecimento até 2050.

Nesse contexto, o uso racional da água torna-se, sobretudo, um ato de civilidade e de contribuição com a natureza.

Com pequenas atitudes, é possível contribuir com a natureza. Confira!

NO BANHEIRO
• Mantenha a torneira fechada enquanto escova os dentes. Você economizará de 12 a 80 litros, em casa ou apartamento, respectivamente.

• Não tome banhos demorados.

• Descarga consome muita água. Não a use à toa.

• Não utilize a bacia sanitária como lixeira, jogando papel higiênico, cigarro, etc. Consome-se de 6 a 10 litros de água ao acionar a válvula de descarga por seis segundos.

NA COZINHA
• Encha a pia com água e detergente até a metade e coloque a louça. Deixe-a de molho por uns minutos, ensaboe e enxágue-a.

• Só ligue a máquina de lavar louça quando estiver com capacidade total.

NA LAVANDERIA
• Deixe a roupa acumular e lave tudo de uma só vez.

• No tanque, feche a torneira enquanto ensaboa e esfrega a roupa.

• Utilize a máquina de lavar somente quando estiver na capacidade total. Uma lavadora de cinco quilos consome 135 litros de água a cada uso.

NO JARDIM, NO QUINTAL E NA CALÇADA
• Não lave o carro com mangueira. Use balde e pano.

• Não use a mangueira para limpar a calçada, e sim uma vassoura.

• Usar a mangueira como “vassoura” durante 15 minutos pode desperdiçar cerca de 280 litros de água.

• Regue as plantas pela manhã ou à noite para evitar o desperdício causado pela evaporação.

Fonte: Sabesp

Fonte: Agência ANABB