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ANABB entrevista novo Caref

Fabiano Félix fala sobre os desafios do cargo, perda de comissionamento no BB, privatização etc


Em 10.03.2017 às 14:56 Compartilhe:

Fabiano Félix foi eleito o novo Conselheiro de Administração Representante dos Funcionários do Banco do Brasil (Caref). O resultado do segundo turno da eleição, realizado de 20 a 24/02, foi divulgado pela Comissão Eleitoral no dia 2/3, conforme estabelecido no calendário da eleição.

Segundo a apuração feita, Fabiano Félix obteve 20.165 votos e a candidata Rosinéia Balbino recebeu 16.809 votos. Foram ainda 11.569 votos em branco e 25.046 votos nulos. De acordo com o Regulamento Eleitoral, o candidato Fabiano foi eleito por obter a maioria dos votos válidos, excluídos os votos em brancos e os votos nulos.

O papel do Caref é ser o representante dos funcionários no Conselho de Administração do Banco do Brasil. Entre suas atribuições está a fiscalização da execução da política geral de negócios e de serviços do BB. O Conselho de Administração é composto de 8 membros, sendo 5 indicados pelo governo, 2 pelos acionistas minoritários e mais um eleito pelos funcionários. O Caref participa de todas as decisões, exceto daquelas que dizem respeito a remuneração e benefício dos funcionários.

A ANABB entrevistou o candidato vencedor. Na entrevista, o novo Caref fala sobre os desafios do cargo, o cenário político, a perda de comissionamento no BB, privatização entre outros temas. 

ANABB: Como avalia o papel do representante dos funcionários no Conselho de Administração do BB segundo as perspectivas de atuação estratégica do Caref em um cenário político tão adverso como o que estamos vivendo hoje no Brasil? 
FABIANO FÉLIX: Primeiro quero agradecer aos colegas do banco que me escolheram para representá-los no Conselho de Administração. Fico muito honrado e reafirmo meu compromisso de fazer todo o esforço para levar até a alta direção do banco as preocupações e questionamentos dos colegas das dependências e unidades de negócios. O desafio é muito grande, primeiro por conta do cenário político adverso, onde o ataque às empresas e aos serviços públicos é cada vez mais intenso e sistêmico, e segundo porque a situação econômica e social do país continua se deteriorando e produzindo efeitos negativos para uma empresa como o BB. O banco sempre implantou políticas de crédito e de financiamento à produção em sintonia com as diretrizes estratégicas desenhadas pelo acionista controlador do banco, o Governo Federal, e assim deve continuar agindo. Se o governo não traça políticas que incentivem o crescimento do banco e sua atuação como agente de crédito para o desenvolvimento, esta empresa não se fortalece como empresa pública. O papel do Caref neste contexto é fazer propostas, defender estratégias de atuação e construir políticas que viabilizem o fortalecimento do banco como empresa pública que, além de líder de mercado, cumpra o papel social que lhe foi destinado pela sociedade brasileira.

ANABB: Como pretende dialogar com a Diretoria do BB e buscar resolução para a perda de comissionamento por conta da Ampliação do Modelo Digital que, de acordo com a presidência do Banco, se estenderá por todo o ano de 2017? Ou seja, muitos outros colegas perderão comissão durante todo o ano de 2017.
FABIANO FÉLIX: Sabemos que o Caref tem limites de participação formal nas decisões sobre assuntos relacionados aos funcionários. Ademais, a legislação vigente impõe entre outras obrigações, o dever de confidencialidade. Contudo, nada impede que o Caref dialogue com os funcionários buscando identificar suas demandas, que atue em parceria com sindicatos e entidades representativas como a Anabb e que defenda as posições e direitos dos funcionários junto à direção do banco, ao governo e à sociedade. Essa nossa linha de atuação deverá ser aplicada a tudo, inclusive em relação aos impactos causados ao funcionalismo quando da ampliação do Modelo Digital. O que observamos na prática são os cortes nas comissões e dotações das agências que, ao seu turno, geram sobrecarga de trabalho em nossos colegas e implicam na redução da participação do BB no mercado, pois tais medidas tendem a precarizar seu relacionamento com uma parte importante dos clientes.As questões específicas como salários, direitos e comissões devem ser negociadas pelos sindicatos, que terão meu irrestrito apoio na defesa dos nossos colegas. Também vamos agir para questionar decisões estratégicas como esta que o banco toma.  
 
ANABB: Diante de fortes indícios que apontam para a privatização do BB, como poderá atuar na defesa da Previ e de seus contribuintes e assistidos, da ativa e aposentados?
FABIANO FÉLIX: Desejos e propostas de privatizar o banco são recorrentes, dependendo de quem esteja no governo. Já vimos este filme várias vezes e sei que o momento vai exigir forte resistência dos funcionários e da sociedade brasileira. Vamos defender o papel essencial que o BB, como instituição financeira de natureza pública, tem para a sociedade e para a economia. Basta lembrar que o banco continua sendo o grande agente financeiro da produção agropecuária da principal nação agrícola do mundo e que teve papel essencial na retomada do crescimento econômico em situações críticas como a crise mundial de 2008. Primeiro é preciso agir em defesa do banco, pois sabemos que, sem o BB não teremos Previ nem Cassi. A regra geral das empresas privatizadas é fechar seus planos de previdência, reduzir contribuições e benefícios e reduzir direitos dos funcionários. Não queremos que o BB chegue a esta situação e vou atuar junto com os sindicatos e demais entidades representativas para defender o BB público, a Previ e a Cassi.
 
ANABB: Como vê a reforma da Previdência? É necessária? Você é a favor ou contra essa reforma?
FABIANO FÉLIX: O governo e alguns setores da sociedade argumentam que a Previdência precisa ser reformada porque é deficitária. Isto não é verdade. A seguridade social brasileira é superavitária há muitos anos, conforme comprova a Anfip, a Associação Nacional dos Fiscais da Receita Federal. Ao compararmos as despesas com os benefícios de mais de 32 milhões de brasileiros com a arrecadação anual das contribuições sobre a folha de pagamento, COFINS, CSLL e outros tributos destinados constitucionalmente à cobertura da seguridade social, constataremos que sobra dinheiro todos os anos. Portanto, se temos superávit não há  justificativa para reduzir direitos dos trabalhadores; exigir mais tempo de contribuição; estabelecer idade mínima de aposentadoria; igualar idade de aposentadoria de homens e mulheres; dentre outras maldades defendidas pelo governo Temer. Não precisa reduzir benefícios, pois há equilíbrio nas contas. Não precisa de reforma e vamos lutar para impedir sua aprovação.  
 
ANABB: Como prestará contas de seus projetos e das metas alcançadas no Conselho de Administração do BB? Com que periodicidade fará isso? Em quais canais de comunicação com o funcionalismo?
FABIANO FÉLIX: Pretendo criar canais diretos de comunicação com os funcionários nas redes sociais, além de realizar reuniões nos locais de trabalho e nas entidades representativas. Com a adequada utilização de canais interativos, poderemos promover diálogos constantes com os colegas de todo país. Também espero contar com as entidades sindicais e associativas para ajudar a divulgar o trabalho do Caref, assim como identificar questões que mais afetam e preocupam os funcionários do Banco do Brasil. 

Fonte: Agência ANABB