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Assuntos diversos

Entre dados econômicos e agendas oficias, eleições ganham mais espaço

Confira os fatos que marcaram o cenário político desta última semana


Em 01.08.2014 às 00:00 Compartilhe:


Restam cerca de 20 dias até que se inicie o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, mas, aos poucos, as eleições passam a dominar os principais noticiários. O fato é ressaltado, principalmente, em virtude do recesso branco do Congresso Nacional, cuja ausência de deliberações confere mais espaço para os bastidores do pleito que se realizará em outubro.

Assim, a última semana de julho, a despeito do clima eleitoral, favorecido nos últimos dias pela realização de debates com os presidenciáveis, teve destaques também no plano institucional. No Poder Executivo, obtiveram realce o anúncio de diversos dados econômicos, bem como a participação da Presidente Dilma Rousseff na 46ª Cúpula do Mercosul.

No Poder Legislativo, ganharam proeminência a ausência do deputado André Vargas (Sem Partido/PR) no Conselho de Ética e a oitiva realizada na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras. No Poder Judiciário, cujos trabalhos foram reiniciados após o recesso, os holofotes voltaram-se para a aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa.

Na segunda-feira (28), os principais destaques ficaram concentrados em torno do debate eleitoral. Neste sentido, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, logo pela manhã, o que considera serem as 42 principais propostas do setor industrial aos candidatos que disputarão a Presidência da República em outubro. Convém citar, por exemplo, a simplificação e a desburocratização do sistema tributário e o aumento nos investimentos em infraestrutura – que, segundo a CNI, deveriam passar dos atuais R$ 73 bilhões por ano para R$ 175 bilhões.
 
À tarde, a Presidente Dilma Rousseff participou da primeira sabatina desta semana, promovida pela Folha de São Paulo, UOL e SBT. Como tem sido habitual, os questionamentos concentraram-se nas altas taxas de rejeição da Presidente; na carta do banco Santander com críticas à atual política econômica; e nos casos de corrupção envolvendo membros do atual governo.

Diferentemente da segunda-feira, pautada por temas eleitorais, a terça-feira (29) foi dominada por índices econômicos e financeiros. A primeira delas foi a divulgação do Índice da Confiança da Indústria (ICI), que, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), caiu 3,2% em julho para 84,4 pontos. Esta é a sétima queda consecutiva do indicador, que registrou neste mês o menor nível desde abril de 2009. Posteriormente, o Banco Central (BC) anunciou que o saldo das operações de crédito do sistema financeiro cresceu 0,9% em junho. Assim, o estoque atingiu R$ 2,830 trilhões.

O BC também divulgou que a taxa média de juros cobrada das famílias pelos bancos subiu pelo sexto mês seguido em junho, atingindo 43% ao ano. Trata-se do maior patamar desde que o Banco Central começou a divulgar esses dados, em março de 2011.

Em Caracas, onde participou da 46ª Cúpula do Mercosul, a Presidente Dilma Rousseff conseguiu angariar apoio do bloco ao posicionamento brasileiro por um cessar-fogo imediato, abrangente e permanente entre as partes envolvidas no conflito na Faixa de Gaza. A contrapartida foi o apoio do Mercosul à Argentina, nova Presidente Pro-Tempore do bloco, quanto ao processo de reestruturação da dívida soberana daquele país. Dilma Rousseff foi taxativa ao afirmar que “o problema que atinge hoje a Argentina é uma ameaça não só a um país irmão, atinge a todo o sistema financeiro internacional”. 

No Congresso Nacional, além da chegada da Medida Provisória (MP) 652/2014, que cria o Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional (PDAR), repercutiu, na Câmara dos Deputados, a ausência do deputado André Vargas à última sessão destinada a depoimentos acerca de seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef.

A ausência de Vargas não surpreendeu, haja vista que o próprio afirmara no dia anterior, por meio de rede social, que não compareceria à reunião. Encerrada a fase de instrução do processo, a expectativa é que o deputado Júlio Delgado (PSB/MG), relator do caso, entregue o seu relatório na próxima terça-feira (5). 

Já o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) divulgou os dados do eleitorado para este ano. A grande surpresa foi a redução de mais de 30% dos eleitores entre 16 e 17 anos, em relação ao eleitorado de 2010. Naquele ano, o número de eleitores nessa faixa etária era de 2,39 milhões. Em 2014, são 1,63 milhão. Em contrapartida, aumentou o eleitorado acima de 60 anos – de 20 milhões para 24,2 milhões.

Constatou-se, também, que 52,1% dos eleitores são mulheres e 47,7%, homens. Além disso, houve crescimento de 76,7% no eleitorado que vive no exterior. Em 2010, o número de brasileiros fora do País que se cadastraram para votar para presidente atingiu o patamar de 200 mil eleitores. Em 2014, serão 354,1 mil. No que tange à distribuição do eleitorado pelas cinco regiões, constatou-se que o Sudeste é a região com maior eleitorado - 43,4% -, seguido pelo Nordeste - 26,8% -, Sul - 14,7% -, Norte - 7,57% - e Centro-Oeste - 7,17%. O estado de São Paulo é o maior colégio eleitoral do País, com 22,4% dos eleitores, e Roraima, o menor, com 299,5 mil.

Na quarta-feira (30), a FGV anunciou que o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,61% em julho na comparação com junho, alcançando, assim, o terceiro mês seguido de queda – em maio, o índice recuara 0,13% e, em junho, 0,74%. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), por sua vez, divulgou os resultados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), que mostrou recuo de 10,9% em maio para 10,8% em junho.

Ainda segundo o DIEESE, o nível de ocupação nas regiões pesquisadas se manteve estável, tendo sido gerados 25 mil postos de trabalho. Já o total de desempregados foi estimado em 2,228 milhões de pessoas. Quanto à criação de postos de trabalho entre os setores avaliados, constatou-se que o setor de serviços e a indústria de transformação criaram 34 mil e 29 mil vagas de trabalho, respectivamente. Já as retrações ficaram por conta do comércio e da reparação de veículos automotores motocicletas: eliminação de 41 mil postos de trabalho.

À tarde, foi anunciado o superávit primário do governo central relativo ao primeiro semestre deste ano: R$ 17,237 bilhões. O valor representa o menor superávit primário para um primeiro semestre desde 1998. Segundo o Tesouro Nacional, o resultado do mês de junho é reflexo de um superávit do Tesouro Nacional de R$ 2,378 bilhões, déficit da Previdência Social de R$ 4,508 bilhões e resultado positivo do Banco Central de R$ 183,7 milhões.

Veio do exterior, entretanto, o principal destaque do noticiário econômico desta quarta-feira. Ao se ver obrigada, por um tribunal de Nova York, a pagar credores internacionais – os chamados holdouts ¬- antes da própria rolagem da dívida soberana, a Argentina não concordou com a referida cobrança – a despeito de dispor de reservas para o seu pagamento.

O governo argentino alega que a cobrança dos credores incorreria em precedentes para que outros créditos venham a ser cobrados, o que acarretaria em instabilidade econômico-financeira, na medida em que nenhum país dispõe de reservas suficientes para quitar 100% de suas dívidas de uma só vez.

Em virtude da falta de acordo entre a Argentina e os credores internacionais, a expectativa, agora, é de que os preços de ações e bônus argentinos continuem caindo até que se paguem os holdouts, intensificando a recessão em que se encontra o país.

De volta ao Brasil, a Presidente Dilma Rousseff retomou as atividades eleitorais ao participar de debate na Confederação Nacional da Indústria. O evento também contou com a participação dos candidatos Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB). Durante o evento, a CNI sintetizou o documento que apresentara na segunda-feira com os 42 posicionamentos da entidade.

No Congresso Nacional, em depoimento na CPMI da Petrobras, o ex-Presidente da Petrobras América, José Orlando Melo de Azevedo, negou ter participado das negociações da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Afirmou, ainda, que assumiu a Presidência da instituição dois anos depois de a estatal brasileira ter adquirido da companhia belga, Astra Oil, 50% da refinaria de Pasadena.

Nesta quinta-feira (31), o Banco Central divulgou que o setor público consolidado - governos federal, estaduais e municipais e empresas estatais – registrou déficit primário pelo segundo mês seguido. Em junho, o déficit primário chegou a R$ 2,1 bilhões e, em maio, a R$ 11,046 bilhões.
Foi a primeira vez, desde que teve início a séria histórica, que o mês de junho registrou déficit primário. No mesmo período do ano passado, registrou-se superávit primário de R$ 5,429 bilhões. Com esses resultados, no primeiro semestre, o superávit primário ficou em R$ 29,380 bilhões, contra R$ 52,158 bilhões registrados em igual período de 2013. Já a dívida líquida do setor público chegou a R$ 1,755 trilhão no mês passado.

Em cerimônia no Palácio do Planalto, a Presidente Dilma Rousseff sancionou, com vetos parciais, a Lei nº 13.019 de 2014, o chamado Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil. Por meio de instrumentos jurídicos próprios e regras para seleção das entidades e para etapas de execução, monitoramento e avaliação das parcerias, a nova lei visa coibir a corrupção e trazer segurança à atuação das organizações de fato comprometidas com o interesse público. Logo em seguida, a Presidente viajou a São Paulo, onde participou do culto de inauguração do Templo de Salomão.

A quinta-feira também teve como destaque a oficialização da aposentadoria de Joaquim Barbosa. O agora ex-ministro poderia permanecer como membro do Supremo Tribunal Federal até 2024, mas optou por adiantar a sua aposentadoria. Assim, assumirá a Presidência do STF o ministro Ricardo Lewandowski. Já a vice-Presidência será ocupada pela ministra Cármen Lúcia.

Na manhã desta sexta-feira (1), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que produção industrial caiu 1,4% em junho, na comparação com o mês anterior, quando tinha recuado 0,8%, na série com ajustes sazonais. O número representa o quarto resultado negativo no confronto mensal. Na comparação com junho de 2013, a produção industrial brasileira cedeu 6,9%. Já no primeiro semestre, o setor encolheu 2,6% e, em 12 meses, caiu 0,60%.

Os setores que mais contribuíram para o recuo foram o de veículos automotores, reboques e carrocerias, 12,1%, e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, 29,6%.

Outro dado relevante divulgado nesta sexta-feira refere-se ao Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), que subiu 0,10% na última pesquisa de julho, após ter avançado 0,16% na terceira quadrissemana daquele mês. Assim, o IPC-S acumula alta de 4,30% em 2014 e de 6,85% em 12 meses.

Dos oitos grupos que compõem o indicador, o destaque ficou com alimentação, que registrou recuou de 0,25% - ante uma queda de 0,10% na terceira semana de julho. Igualmente sofreram quedas os setores de vestuário, -0,03% para -0,09%; educação, leitura e recreação, -0,08% para -0,07%; e comunicação, -0,02% para -0,30%. Tiveram desempenhos positivos os grupos de saúde e cuidados pessoais, 0,40% para 0,30%; transportes, 0,10% para 0,06%; despesas diversas, 0,30% para 0,22%; e habitação, 0,48% para 0,56%.

Já o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) anunciou que a balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 1,575 bilhão no mês de julho. As exportações somaram US$ 23,025 bilhões e as importações, US$ 21,450 bilhões. O acumulado do ano, todavia, registrou déficit de US$ 916 milhões.

Por fim, a Presidente Dilma Rousseff recebeu o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, para a celebração de acordos de cooperação. Foram acordadas parcerias em diversas áreas, em especial para a saúde, com a previsão de cooperação para agilizar o processo de análise e de aprovação de novos medicamentos e de aparelhos médicos, além de cooperação na área de medicina avançada como o tratamento de câncer.

Antônio Augusto Queiroz, analista político da ANABB desde 1996

Fonte: Agência ANABB