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Resumo da semana

Resumo da Semana: Ressaca Eleitoral, Ação Penal 470 e Taxa Selic dominam a semana

Os salões do Congresso permaneceram mais uma vez vazios


Em 11.10.2012 às 00:00 Compartilhe:

 

Passadas as eleições municipais do último dia 7 de outubro, resta a dúvida de como ficará o mapa político-eleitoral brasileiro no contexto da emergência de novas forças. Isso porque, como previram alguns analistas políticos, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi o grande vencedor deste pleito, uma vez que aumentou de 308 para 436 o número de prefeituras (em torno de 42%) que ocupará a partir de janeiro de 2013. Assim, o PSB tende a ser mais uma força política no cenário nacional, colocando em xeque forças tradicionais, como é o caso do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sempre cortejado como fiel da balança nas eleições nacionais, ou até mesmo se consolidando como alternativa de Poder ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) num futuro próximo.

 

Nessa esteira de novas forças merece ser dado destaque ao Partido Social-Democrático (PSD), que, apesar de já ocupar um número relevante de cadeiras no Congresso Nacional – 47 deputados federais e 3 senadores - estreou nas urnas elegendo 494 prefeitos.

Também no domingo (07/10), foi a vez dos venezuelanos comparecem às urnas para eleger seu presidente. A novidade não foi a segunda reeleição do atual mandatário, Hugo Chávez – esta dada como certa – mas a pequena margem de diferença entre ele e o seu principal adversário, o conservador Henrique Capriles: entorno de 10%. Assim, Hugo Chávez foi reeleito para um terceiro mandato de 6 anos.

No ritmo da ressaca pós-eleições municipais, os salões do Congresso permaneceram mais uma vez vazios. A Câmara dos Deputados, única Casa a divulgar pautas para esta semana, quase nada deliberou em suas Comissões. No Senado, o esvaziamento já era esperado, já que era a vez dos senadores aderirem ao recesso branco. Já a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito – CPMI do Cachoeira retomou os seus trabalhos, desta vez ouvindo o deputado federal Carlos Leréia (PSDB/GO), acusado de manter relações com o contraventor. Apesar de reconhecer que mantinha amizade com o bicheiro, Leréia nega que tenha participado de qualquer irregularidade.

É de se destacar, todavia, que as manchetes mais importantes ao longo desta curta semana vieram do Supremo Tribunal Federal – STF. Isso porque não só os ministros decidiram pela condenação do núcleo político da Ação Penal 470 – cujos principais expoentes são o ex-ministro chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu; o ex-presidente do PT, José Genoíno; e o então tesoureiro daquele partido à época do escândalo, Delúbio Soares – como também elegeram os próximos presidente e vice-presidente da Corte, a saber: ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, respectivamente.

Poucas foram as notícias provenientes do Palácio do Planalto ou da Esplanada dos Ministérios. Proeminente, entretanto, foi a visita oficial do presidente irlandês ao Brasil, tendo em vista que aquele país será o próximo a ocupar a presidência da União Européia.

Ainda falando de Europa, cabe mencionar a visita da Chanceler Federal alemã, Angela Merkel, à Grécia na última terça-feira (09/10), que, ainda que rápida, teve por objetivo apoiar o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, na implementação de novas medidas de austeridade. Do outro lado do Canal da Mancha, ficou decidido que o referendo acerca da independência da Escócia será realizado em 2014. A notícia, que poderia passar em branco em qualquer outro cenário, destaca-se em virtude das recentes manifestações separatistas ocorridas na Europa, a principal delas exemplificada pelos protestos realizados na Catalunha – Espanha.

Na quarta-feira (10/10), o Comitê de Política Monetária – COPOM decidiu por uma nova redução na taxa de juros, dessa vez de 7,5% para 7,25%. Acontece que a decisão, ao contrário do que ocorrera em reuniões anteriores, não foi unânime, o que demonstra que o período de redução nas taxas de juros – que já dura um ano desde que começou a cair a partir dos 12% - pode estar chegando ao fim. Uma vez que tais medidas levam em torno de seis meses para surtirem efeito na economia, resta esperar para saber se medidas de mesmo teor ainda serão adotadas ou se, ao contrário do que tem ocorrido ao longo do último ano, já é, de fato, hora de parar ou até mesmo de voltar a subir a taxa SELIC.

Por fim, foi sancionada, pela presidente Dilma Rousseff, a Lei 12.723 de 2012, que autoriza a instalação de lojas francas em Municípios da faixa de fronteira cujas sedes se caracterizam como cidades gêmeas de cidades estrangeiras.

 

Fonte: Antônio Augusto Queiroz, analista político da ANABB desde 1996