× Modal
< Voltar


Resumo da semana

Confira o que foi notícia nos três poderes

A cena no Poder Legislativo foi dominada pela criação da CMPI de Carlinhos Cachoeira


Em 20.04.2012 às 00:00 Compartilhe:

Pelo menos três grandes notícias agitaram a semana: a) no legislativo, a criação da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CMPI) do Carlinhos Cachoeira, b) no Executivo, a redução da taxa Selic, e c) no Judiciário, as trocas de presidências no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral.

 

A cena no Poder Legislativo foi dominada pela criação da CMPI, formada por 32 parlamentares, sendo 16 senadores e 16 deputados, para investigar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com autoridades e empresas. Os partidos têm prazo até terça-feira, dia 24 de abril, para concluir as indicações dos nomes e instalar a comissão, cujo presidente será um senador do PMDB, provavelmente Vital do Rego (PB) e o relator um deputado, a ser indicado pelo PT.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, o ex-presidente Lula e outros integrantes da legenda vêem na CMPI a oportunidade para atingir três algozes do partido: o senador Demóstenes Torres (GO), o governador de Goiás, ex-senador Marconi Perillo (PSDB) e a revista Veja, ainda que a CMPI possa respingar no governo Dilma e, principalmente, no Governo do Distrito Federal, que teve membros de sua equipe afastados por suposto envolvimento com o bicheiro.

Essencialmente, a idéia do PT é provar que os autores das denúncias e os veículos de comunicação que tentam vincular o partido a práticas corruptas, simbolizadas pelo chamado mensalão, utilizam métodos semelhantes ao do tablóide inglês recentemente fechado, que fazia sensacionalismo com pessoas e autoridades valendo-se de grampos ilegais e pagamento de propina para obter informações de forma clandestina.

O governo da presidente Dilma, cuja taxa de aprovação chega a 77%, está particularmente preocupado com os desdobramentos da CMPI, que poderá se transformar num elemento perturbador, a ponto de levar à paralisia do Congresso e do próprio governo, ampliando ainda mais a percepção sobre relações promíscuas entre políticos e empresas privadas. E, se isto acontecer, pode ofuscar o esforço que vem sendo feito para aprovar as leis de conflito de interesse e de responsabilização da pessoa jurídica, dois instrumentos fundamentais no combate à corrupção.

No Executivo, a principal notícia foi à redução da taxa Selic, que caiu de 9,75% para 9%, uma das menores taxas de juros do país. O governo, entretanto, está quase no limite de redução da taxa de juros. Para ir abaixo de 8% terá que enfrentar a forma de remuneração da caderneta de poupança, que garante 6,17% de ganho, sem cobrança de imposto de renda. Esse é um tema que, dependendo como seja abordado, poderá afetar a popularidade da presidente.

Já no Judiciário, além da troca de acusações entre ministros da Suprema Corte brasileira, a grande notícia foi a posse dos novos presidentes do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Carmem Lúcia, e do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Brito. Ambos possuem perfil progressista, diferentemente dos presidentes anteriores, respectivamente Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso, tidos como conservadores. O novo presidente do STF, que ficará no cargo por apenas sete meses, já que completa 70 anos em novembro, pretende imprimir um ritmo acelerado de deliberações, inclusive promovendo o julgamento do chamado mensalão. Ele, quando for aposentado compulsoriamente, será substituído na presidência pelo ministro Joaquim Barbosa, o primeiro negro a presidir a corte.

Fonte: Antônio Augusto Queiroz Analista político da ANABB desde 1996