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Resumo da semana

Mais uma semana de dança das cadeiras no Congresso e no Governo

Mais uma semana de dança das cadeiras no Congresso e no Governo


Em 16.03.2012 às 00:00 Compartilhe:

A semana foi tensa no Congresso, de um lado, pela substituição dos líderes do governo na Câmara e no Senado, e, de outro, pelo anúncio de saída da base de apoio do PR, inconformado com o tratamento que vem recebendo. No Judiciário, além da eleição do futuro presidente do Supremo Tribunal Federal, houve decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre o uso das redes sociais nas eleições municipais.  E, no Executivo, foi mais uma semana com substituição de ministros do Governo Dilma.

A temperatura subiu no Congresso com a substituição, sem aviso prévio, dos líderes do Governo no Senado (Romero Jucá - PMDB/RR por Eduardo Braga - PMDB/AM) e na Câmara (Cândido Vaccarezza - PT/SP) por Arlindo Chinaglia - PT/SP). As reações foram muitas e em vários partidos.

No PMDB, o grupo ao qual é vinculado o senador Romero Jucá, liderado por Renan Calheiros (AL) e por José Sarney, a reação foi imediata. Tão logo foi informado que haveria a troca de seu aliado por um rival na bancada, o líder Renan Calheiros anunciou o nome de Jucá para a relatoria do Orçamento para 2013. O ex-líder passa a ocupar o posto mais cobiçado no Congresso depois da presidência das duas Casas. O Governo não gostou, mas teve que engolir.

Outra reação no Senado foi do Partido da República (PR), cujo presidente, senador Alfredo Nascimento (AM), é adversário político do novo líder do Governo. Para o presidente do PR, que foi demitido do Ministério dos Transportes e o partido não fez o sucessor, ter um inimigo político nomeado líder do Governo foi demais. Chamou o líder da bancada, senador Blairo Maggi (PR/MT) e pediu que anunciasse a saída do partido da base do Governo. É mais uma crise a ser administrada.

Na Câmara, a perplexidade com a troca do líder Vaccarezza por Arlindo Chinaglia, ambos do PT paulista, ficou por conta da bancada do PT, que sequer foi consultada sobre a substituição. Vaccarezza teve a solidariedade de colegas de bancada, de outros partidos da base e até da oposição, mas não reclamou. Ele atribuiu sua saída a desavenças com a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT/RS).

Temendo surpresas negativas em votações relevantes, como a Lei Geral da Copa e o Código Florestal, o governo preferiu a suspensão das votações polêmicas, até que os ânimos sejam amainados. Articulações estão sendo feitas para acalmar a base, inclusive o PTB, que reclamou do descaso do governo com os pleitos da base aliada.

No Poder Judiciário, além da eleição de Ayres Britto para a Presidência do Supremo Tribunal Federal, houve decisão  no Tribunal Superior Eleitoral sobre a proibição de uso das redes sociais para campanha no período pré-eleitoral.

Já no Executivo houve mais uma mudança no Ministério, com a saída de Afonso Florence (PT/BA) e a entrada do deputado Pepe Vargas (PT/RS) no Ministério do Desenvolvimento Agrário. Desde a posse de Dilma, entre remanejamentos e substituições, 15 ministros já trocaram de lugar. Desses, sete deixaram o governo por denúncia de corrupção (Antônio Palocci, da Casa Civil; Alfredo Nascimento, dos Transportes; Pedro Novais, do Turismo; Wagner Rossi, da Agricultura; Orlando Silva, dos Esportes; Carlos Lupi, do Trabalho; e Mário Negromonte, das Cidades), três foram remanejados ou trocaram de Ministério (Ideli Salvatti, Luiz Sérgio e Aloizio Mercadante), dois saíram para concorrer à eleição municipal (Iriny Lopes e Fernando Haddad), um foi demitido por indisciplina (Nelson Jobim, da Defesa) e dois por incompetência ou fraco desempenho em suas Pastas (Luiz Sérgio, da Pesca, e Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário).

A presidente Dilma também recebeu as centrais sindicais, que lhe entregaram uma pauta com algumas reivindicações, entre as quais: 1) aumento real para os aposentados, 2) reajuste para os servidores públicos, 3) fim da incidência do imposto de renda sobre a participação nos lucros, 4) regulamentação da Convenção 151, sobre negociação no serviço Público,  e  aprovação das Convenção 158, que proíbe a demissão imotivada do trabalhador, ambas da OIT, e 5) mudanças no fator previdenciário. A presidente, após assumir o compromisso de não flexibilizar direitos em seu governo, determinou que o mérito das reivindicações fosse discutido com o Secretario-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, já a partir da próxima semana.

 

Fonte: Agência ANABB