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Assuntos diversos

Semana tumultuada em Brasília

A semana passada foi das mais nervosas em Brasília e teve quatro fatos que monopolizaram o noticiário


Em 12.08.2011 às 00:00 Compartilhe:

A semana passada foi das mais nervosas em Brasília e teve quatro fatos que monopolizaram o noticiário: a) demissão do Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura, b) a prisão no segundo escalão do ministério do turismo, b) a crise na base aliadas e c) preocupação do Governo com a crise econômica e financeira internacional.

 

O primeiro episódio foi a saída do secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Milton Ortolan, que apareceu em denúncia na revista Veja como amigo e protetor de lobista Júlio Froes, que negociava contratos e fraudava licitações no ministério. O secretário, aliado do ministro Wagner Rossi, antecipou seu pedido de demissão para blindar o ministro do PMDB, que teve que comparecer ao Senado para prestar esclarecimento sobre as denúncias.

O segundo episódio, de grandes proporções, foram as prisões efetuadas pela Polícia Federal de autoridades do Ministério do Turismo, inclusive com o uso de algemas,  que envolveu desde o atual secretário-executivo da Pasta, Frederico Silva da Costa, o secretário de Política para o Desenvolvimento do Turismo, ex-deputado Colbert Martins, até o ex-presidente da Embratur e ex-secretário-Executivo do Ministério, Mário Moysés, aliado de Marta Suplicy. As prisões, assim como as denúncias que as fundamentaram, atingiram principalmente gente do PMDB, como a deputado Fátima Pelaes (AP), mas também respingaram no PT.

O terceiro episódio que virou notícia, em grande parte decorrente dos anteriores, foi a obstrução da base de sustentação do governo, que não deixou votar nada na Câmara dos Deputados. Os governistas, especialmente o PR, PP e PTB, estão inconformados com o tratamento que a presidente Dilma Rousseff tem dado a eles, seja demitindo seus aliados nos ministérios, seja bloqueando as nomeações e contingenciando os recursos das emendas parlamentares, as duas principais armas utilizadas pelo Governo para acalmar a base aliada.

Paralela e simultaneamente a tudo isto, a presidente Dilma e sua equipe econômica estavam profundamente preocupados com a crise financeira e econômica internacional, que pode afetar o crescimento da economia brasileira, a ponto de terem marcado uma reunião do conselho político para debater este tema.

A grande quantidade de denúncia de corrupção no Governo, apesar da reação enérgica da presidente Dilma, como foi o caso do Ministério dos Transportes, vem afetado a popularidade da presidente, conforme constatou a última pesquisa CNI/Ibope.

A soma de tantos problemas, além de afetar a popularidade e credibilidade do Governo, com reflexos sobre a base de sustentação do Governo no Congresso, pode comprometer o crescimento econômico, o verdadeiro porto seguro da presidente Dilma. Uma crise econômica internacional acentuada, combinado com denúncias de corrupção e desarticulação da base de apoio pode levar à acelerada desligitimação do Governo Dilma. O momento requer prudência e muita capacidade de articulação, para restabelecer o controle sobre a condução do processo político.

Fonte: Agência ANABB