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Banco do Brasil

Compra de títulos do Bradesco pelo BB gera dúvidas

O Banco do Brasil está realmente investindo na ascensão do seu concorrente mais forte?


Em 07.01.2016 às 00:00 Compartilhe:


A ANABB foi surpreendida nesta quarta-feira, 6 de janeiro, com a reportagem publicada pelo jornal Estadão que estampou a seguinte chamada: “Banco do Brasil compra R$ 5 bi em debêntures de sócios do Bradesco”. De acordo com a matéria, as debêntures foram emitidas pela NCF Participações, uma empresa controlada por acionistas do Bradesco, para fazer frente ao aumento de capital do Bradesco, de R$ 3 bilhões, para compra do HSBC.    

Para a ANABB, a notícia, além de surpresa, gerou estranheza. Com a aquisição do HSBC, o Bradesco encosta em seu maior concorrente, o Itaú Unibanco, e pode ser tornar o maior banco do país.  O Banco do Brasil está realmente investindo na ascensão do seu concorrente mais forte? Quais são os interesses estratégicos do BB em comprar títulos que podem fortalecer a estrutura de um banco concorrente? O Banco do Brasil estaria contribuindo para uma possível concentração bancária? Esse é o papel de um banco público? Será que isso estaria relacionado às origens do atual presidente do Conselho de Administração do BB, Tarcísio José Massote de Godoy, que já foi executivo do Bradesco ocupando cargos de Diretor Executivo da Bradesco Seguros e Diretor Geral da Bradesco Auto RE? A imprensa tem noticiado há alguns meses sobre uma possível “parceria” entre Banco do Brasil e Bradesco. Nos últimos anos, segundo a mídia, as duas instituições estreitaram suas relações e lançaram várias empresas em sociedade. A criação de um novo banco com foco na população de baixa renda é exemplo disso.

A ANABB não compreendeu o posicionamento do Banco do Brasil nessa transação e suas dúvidas podem ser as mesmas dos próprios funcionários. Diariamente, o corpo funcional do Banco é cobrado para cumprimento de metas e geração de lucro. Recente pesquisa realizada pelo Laboratório de Sociologia do Trabalho (Lastro), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a pedido da ANABB, constatou percentuais alarmantes com relação à percepção dos funcionários quanto ao assédio moral, à jornada de trabalho e às condições de saúde. Como explicar para essas pessoas que o mesmo banco que cobra lucro e metas é aquele que ajuda o concorrente a se fortalecer?

DEBÊNTURES
As debêntures nada mais são que documentos emitidos por uma empresa para captar recursos como “empréstimos”, permitindo que aquele que compra a debênture tenha, ao final do prazo contratado, a opção de escolher entre receber a taxa de juros pactuada ou ações da companhia para quem emprestou. Esse é um instrumento conhecido por permitir à empresa, que necessita dos recursos, consegui-los a baixo custo. Segundo a reportagem, a operação foi fechada com taxa de retorno de 108% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa considerada pequena para uma captação com prazo de cinco anos.

Segundo o Estadão, o valor colocado pelo BB na NCF seria utilizado para que a NCF participasse do aumento do capital do Bradesco, com R$ 3 bilhões. Por sua vez, o Bradesco utilizaria esse recurso para compor os 5,7 bilhões de dólares para adquirir o HSBC, cuja transação foi aprovada nesta terça-feira pelo Banco Central.

De acordo com a conselheira de administração do BB, eleita pelos funcionários, Juliana Publio Donato, o assunto precisa ser esclarecido. “Vou buscar informações junto ao conselho de administração sobre o que está sendo veiculado na imprensa. Os funcionários e a própria sociedade precisam de esclarecimentos sobre o assunto”, disse Juliana à ANABB.

A ANABB também quer respostas.

Fonte: Agência ANABB