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Cassi alerta sobre o não rastreamento do câncer de próstata

A ANABB ouviu a Caixa de Assistência para saber como esta tem se posicionado e orientado seus usuários


Em 24.11.2015 às 00:00 Compartilhe:


O exame não é capaz de indicar presença de câncer agressivo, ou seja, o tipo de tumor que vale a pena ser diagnosticado precocemente

A campanha do Novembro Azul é conhecida, mundialmente, por incentivar a prevenção da saúde masculina, mais precisamente, o câncer de próstata. Porém, a Cassi alerta para o não rastreamento do câncer de próstata e que o mesmo pode desencadear ações prejudiciais. A ANABB ouviu a Caixa de Assistência para saber como esta tem se posicionado e orientado seus usuários.

Atualmente, o câncer de próstata é considerado por especialistas como um espectro de doenças, no qual ocorrem tumores de comportamento e evolução indolente àqueles de caráter muito agressivo. A maior parte das entidades científicas médicas ressalta que o diagnóstico precoce tem relevância para os tipos agressivos, não havendo consenso em rastrear os outros tipos de câncer de próstata. Mesmo em se tratando de um dos tipos mais freqüentes de câncer entre os homens, a utilização do PSA com o intuito de rastrear a doença não oferece benefícios concretos à população estudada. Os estudos nesse sentido (rastreio universal) falharam em demonstrar adequadamente resultados considerados clinicamente relevantes para os pacientes: não se confirmou redução de mortalidade global, pelo câncer de próstata ou melhora da qualidade de vida.

O gerente Executivo de Saúde, Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi, Henio Braga Júnior, afirma: “Em conformidade com a evidência científica atualmente disponível e alinhada com o Ministério da Saúde (MS), o Instituto Nacional do Câncer (INCA), e diversas entidades de respaldo internacional, a Cassi se posiciona contra ao rastreamento universal com o teste de PSA ou toque retal para diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Diferentemente da campanha do Outubro Rosa na qual a Cassi atuou ativamente no estímulo ao rastreamento do câncer de mama, a Gerência de Saúde não preconiza, na Campanha do Novembro Azul, a realização do exame PSA como rastreio para câncer de próstata.

Os exames de PSA e toque retal possuem maior potencial de agregar valor quando utilizados para rastreio em situações de maior risco. Portanto, é recomendável discutir sobre a existência de tais situações em cada caso durante avaliação com profissional de saúde de confiança, capaz de fornecer informações adequadas sobre limitações dos métodos e sobre avaliação com fins diagnósticos em homens sintomáticos.

Diretrizes de diversas instituições de respaldo internacional defendem que a realização do exame deve levar em conta essa decisão compartilhada após análise dos fatores de risco individuais e apropriada orientação aos pacientes sobre eventuais benefícios e os danos associados à propedêutica e terapêutica.

Dentre as limitações do PSA para rastreamento, destacam-se:

  1. Um resultado alterado NÃO diagnostica câncer, havendo muitas outras condições benignas e situações casuais capazes de causar aumento do PSA, como a hiperplasia da próstata, prostatite, obstrução urinária (prostatismo, estenose da uretra), após o toque retal ou mesmo atividade sexual próxima à data do exame.
  2. Ainda há controvérsia sobre o melhor valor de corte que ofereça elevadas sensibilidade e especificidade como referência para resultado alterado.
  3. O exame não é capaz de indicar presença de câncer agressivo, ou seja, o tipo de tumor que vale a pena ser diagnosticado precocemente.
  4. Cerca de 2/3 dos homens com resultado alterado será submetido a biópsia de próstata desnecessariamente;
  5. Os procedimentos propedêuticos complementares ao resultado alterado do PSA podem causar danos como sangramento, inflamações e infecções secundárias, além da ansiedade associada a tal investigação;
  6. Nos casos em que o teste levar ao diagnóstico de um câncer, a maioria se tratará de tumores indolentes nos quais um tratamento agressivo pode trazer mais impacto negativo para a qualidade de vida, como disfunção sexual e incontinência urinária, do que benefícios de sobrevida (mais de 95% dos cânceres diagnosticados tem sobrevida maior do que 10 anos).

Fonte: Agência ANABB, com informações da Cassi