× Modal
< Voltar


Cassi

É agora ou nunca!

É agora ou nunca!


Em 10.07.2015 às 00:00 Compartilhe:


As palavras têm o poder de trazer alívio para a alma. Aprendi que algumas doses de boas reflexões nos ajudam a buscar soluções de problemas que, por vezes, parecem obscuros por demais.

Lembro, sempre, momentos difíceis e históricos de minha vida profissional, conflitos cuja solução parecia inalcançável, mas que hoje se tornaram realidade e beneficiam muitas pessoas.

As atuais discussões sobre a sustentabilidade da Cassi são um dos principais motivos de reflexão para muitos dirigentes, suas entidades e milhares de participantes. Hoje, esse assunto aflige muitos de nós. Um dos grandes baluartes de ser um funcionário do BB é carregar a força de um plano de saúde que foi criado para cuidar de nossas vidas e da de nossos familiares.

Em 2006, quando fui eleito para exercer o honroso cargo de diretor de Saúde da Cassi, vivi o outro lado da história. As discussões com o Banco do Brasil nunca foram fáceis, e agora também não o estão sendo, principalmente quando o assunto é dinheiro. Os fatos mostram que continua assim até hoje. Ainda assim, conseguimos (todos), à época, arrancar R$ 300 milhões do BB, valores menores do que ele nos devia, mas foi o possível naquele momento. Era aquilo ou nada.

No período em que fui diretor, 2006-2010, tive o difícil desafio de implementar diversas mudanças estruturais na Diretoria sob minha responsabilidade. Com equipe competente e dedicada, deixamos alguns legados para os associados – se dependesse do BB, nada ou quase nada teria sido aprovado. Intensas e desafiadoras negociações
levaram ao convencimento dos indicados do Banco sobre nossos propósitos.

Havia a intenção, por parte do Banco, de fechar quase todas as unidades da Cassi, reduzindo-as a apenas sete, instaladas nos principais estados brasileiros.

Conseguimos, unidos os esforços dos diretores eleitos e os do Banco, do Conselho Deliberativo e de diversas entidades, reverter a situação, fortalecendo o compromisso com a Estratégia Saúde da Família (ESF), que alguns diziam que eu iria acabar.

Transformamos os muitos núcleos e módulos em 68 CliniCassi com justos critérios de abertura. Não seria mais possível abrir unidades em determinadas cidades apenas para atender desejos pessoais ou de pequenos grupos.

A partir de então, dada a absoluta prioridade da ESF, passamos de 75.000 cadastrados em 2005 para 155.775 em 2010, um crescimento de mais de 100%.

As CliniCassi são, até onde sei, o que tem apresentado os melhores resultados para a instituição, tanto que o eixo da principal proposta em debate e encampada por todos é de alto investimento, com os recursos reivindicados (mais de R$ 150 milhões), exatamente na melhoria e na ampliação da ESF. O que deve ser compreendido por associados e usuários de nossa Caixa de Assistência é que precisam utilizar, prioritariamente, as CliniCassi. Por outro lado, a Cassi – e especialmente os dirigentes indicados pelo BB – deve ter essa compreensão e valorizar os profissionais de saúde que atuam nessas unidades com salários dignos, ao nível do mercado, para reter os talentos, e não treiná-los e perdê-los logo em seguida, desperdiçando recursos e excelentes profissionais que, por causa do salário, vão trabalhar para outros planos de saúde.

Para isso, são necessários recursos e é isso que move o debate atualmente. De onde virão e com que peso? A balança não pode pender só para um lado. O sacrifício tem de ser compartilhado.

Pela primeira vez, quem sabe, as entidades compreenderam que, remando sozinhas, não chegariam a nenhum porto seguro, embora umas poucas teimem em remar para trás ou pelo caminho errado.

Não tenho dúvida de que, ao sentir a força de nossa união, a dureza do BB será derretida e conseguiremos um futuro bem mais tranquilo para todos. Para tanto, nossas propostas em contrapartida às do BB devem ser sensatas e realistas, com números confiáveis, argumentos sólidos e contundentes e um oceano de paciência.

O grande desafio que se configura é como conciliar a balança entre a contribuição do BB e a dos participantes. De um lado, temos a maior instituição financeira que acumula lucro ao longo dos anos. De outro lado, aposentados e funcionários da ativa que rebolam para viver com salários que estão longe de ser o ideal.

Precisamos pensar grande, com os pés no chão, e não radicalizar, pois isso só nos trará mais desgaste e desgosto. A esperança é a última que morre. É agora ou nunca!

Douglas Scortegagna - Vice-presidente de Comunicação da ANABB

Fonte: Agência ANABB