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Assuntos diversos

Comentários da ANABB sobre a carta da Coop-ANABB aos cooperados

Para a Diretoria Executiva da ANABB, o texto não incluiu informações importantes


Em 05.02.2015 às 00:00 Compartilhe:


A Diretoria Executiva da Coop-ANABB divulgou em 24.01.2015 mensagem aos seus cooperados, em resposta à publicação feita pela ANABB, em 16.01.2015, dando conhecimento da notificação extrajudicial encaminhada pelo Banco do Brasil, que alertava sobre dívidas daquela entidade. A mensagem da Coop-ANABB foi reproduzida na internet por uma delegada da Cooperativa, tendo chegado a diversas pessoas fora do universo de cooperados.

Alguns associados enviaram mensagens à ANABB se dizendo confusos em virtude de informações não coincidentes ou conflitantes entre os textos das duas entidades. E solicitaram esclarecimentos fundamentados sobre a realidade dos fatos.

Neste sentido, a Diretoria Executiva resolveu voltar ao assunto, mas agora criando links para acesso a documentos fundamentais para a compreensão dos associados. Estes links estão sublinhados e marcados na cor azul ao longo desta matéria. E só estarão disponíveis aos associados, mediante o uso de login e senha.

No entendimento da Diretoria Executiva da ANABB, o texto da Coop-ANABB contém informações que deixam de traduzir verdades importantes, seja por omissões, distorções ou incorreções.

Mesmo assim, para reafirmar mais uma vez seu compromisso com a ética e com a transparência, a Diretoria da ANABB oferece acesso ao referido texto, na íntegra.

Em função da necessidade de bem informar a todos os seus associados e da obrigação de defender a marca e o patrimônio da Associação, a Diretoria Executiva da ANABB sente-se no dever de registrar os comentários abaixo:

Salários de dirigentes
A carta da Coop-ANABB afirma que seus dirigentes, quase na totalidade, não são remunerados; e cita os pró-labores dos seus conselheiros de administração e fiscais.

A política salarial da Coop-ANABB é integralmente decidida pelos órgãos de governança daquela entidade. A ANABB, apesar de possuir mais de 70% das cotas da Cooperativa, não tem direito de voz nem voto nas reuniões da Assembleia de Delegados. Se a Coop-ANABB, hoje, não pode mais pagar seus dirigentes, cabe a esses explicar seu próprio desempenho na gestão.

Cessão de funcionários
A Diretoria da Coop-ANABB alega que desde a sua fundação sobrevive da ajuda da ANABB, utilizando recursos de todos para benefício de alguns, prática que a atual Diretoria não concordou em manter. Por isso, foi pactuado com a Coop-ANABB que esta deveria firmar compromisso de retornar aos cofres da ANABB todos os recursos que doravante tomasse da Associação. Para cessão de funcionários foi celebrado convênio entre as duas entidades, que todo mês é cobrado sem que a Coop-ANABB consiga honrar com seus compromissos.

Alegou a diretoria da Cooperativa que já contou com 12 funcionários cedidos pela ANABB e que a atual diretoria reduziu este número para quatro. Na verdade, quando a atual Diretoria da ANABB tomou posse, havia sete funcionários da ANABB cedidos à Cooperativa. Jamais a Diretoria da Associação solicitou a volta de qualquer um deles. Os mesmos retornaram à ANABB por iniciativa pessoal ou foram devolvidos pela própria Coop-ANABB.

Dívidas com o Banco do Brasil
A Cooperativa afirma que deve cerca de R$ 14 milhões ao Banco do Brasil e que tem a receber dos cooperados R$ 18 milhões. Essas informações nunca foram passadas para a fiadora dos empréstimos (ANABB), apesar dos insistentes pedidos efetuados, como neste exemplo. Além disso, inúmeros cooperados têm procurado a Associação questionando os valores que lhes estão sendo cobrados depois de terem quitado suas cotas-parte nos empreendimentos.

A Coop-ANABB diz em sua carta que a parcela em atraso que provocou a notificação extrajudicial do BB à ANABB refere-se ao empreendimento Quartier Latin, em Aracaju. E afirma que se a ANABB quitasse o rateio de final de obra e se o vice-presidente Fernando Amaral quitasse o saldo devedor do apartamento que adquiriu no empreendimento Jardim da Barra (no Rio de Janeiro), a Coop-ANABB poderia ter quitado a parcela em atraso no BB.

Essas afirmações levantam graves questões:

1. A Cooperativa deixa implícito que pretende pagar dívidas de um empreendimento (Quartier Latin, em Aracaju) com receitas de outro (Jardim da Barra, no Rio Janeiro), o que é totalmente descabido, porque deixaria o empreendimento do Rio descoberto futuramente;

2. A ANABB não reconhece que deve rateio de final de obra no empreendimento Jardim da Barra, porque não é cooperada nesse empreendimento. A ANABB, credora de empréstimo feito a esse empreendimento, recebeu 9 (nove) apartamentos como dação em pagamento dessa dívida. Conforme parecer jurídico já dado a conhecer à Coop-ANABB, a ANABB não concorda em ter que pagar para receber os imóveis que aceitou como dação em pagamento. Além disso, ao responder uma notificação extrajudicial da Cooperativa, a ANABB deixou aberta a possibilidade de a Coop-ANABB ficar com os apartamentos dados em pagamento e devolver o valor do empréstimo com os devidos juros e correções, como consta no item 30 da contranotificação encaminhada pela ANABB. Até o momento não houve manifestação da Cooperativa sobre essa alternativa oferecida pela Associação;

3. A Diretoria da ANABB também não concorda em participar do rateio apenas para ajudar os cooperados, porque entende que os recursos de todos os seus 95 mil associados não podem ser utilizados em benefício individual dos cooperados do Jardim da Barra. Aliás, o vice-presidente Fernando Amaral, cooperado do empreendimento Jardim da Barra, coerente com o entendimento da maioria da Diretoria Executiva da ANABB, também votou contra que a ANABB participasse do rateio de final de obra no Jardim da Barra, mesmo ciente de que a eventual aprovação nessa votação poderia favorecê-lo pessoalmente.

Auditoria na Coop-ANABB
A Cooperativa questiona o posicionamento da ANABB quanto à auditoria naquela entidade, mas não informa que a Coop-ANABB, desde sua fundação, nunca foi auditada. Também não informa que a contratação da auditoria foi condição apresentada pela ANABB para que pudesse avaliar a possibilidade de dar mais ajuda financeira à Coop-ANABB; que a Cooperativa alegou falta de recursos para a contratação; e que a Diretoria da ANABB se colocou à disposição para pagar a auditoria, tendo inclusive, em entendimento com a Diretoria da Cooperativa, definido o escopo dos trabalhos. Depois disso a ANABB não conseguiu mais ter qualquer tipo de informação oficial sobre o andamento da auditoria que, segundo a diretoria da Coop-ANABB, foi contratada por ela.

Agora a Cooperativa admite em sua carta que retirou os trabalhos da auditoria das prioridades do segundo semestre de 2014. E não alimenta a menor expectativa de que os trabalhos da auditoria serão dados a conhecer à ANABB, fiadora de todas as operações de financiamento à produção e para capital de giro da Coop-ANABB junto ao Banco do Brasil.

Auditorias na ANABB
O documento da Coop-ANABB afirma que a atual diretoria da ANABB já contratou cinco auditorias na Associação, as quais não produziram resultados para os associados. Diz que as auditorias estão servindo apenas para manter dúvidas sobre as gestões passadas e que isso seria abominável do ponto de vista da ética e da transparência.

A ANABB esclarece que em 2012, quando tomou posse a atual diretoria, já encontrou uma auditoria em andamento, conduzida pela Baker Tilly Brasil, contratada pela diretoria anterior. Esta auditoria apontou algumas irregularidades que precisaram ser averiguadas. Depois disso, o Conselho Fiscal da ANABB solicitou que, anualmente, fossem contratadas auditorias independentes para verificar as contas da atual Diretoria da ANABB. O Conselho Fiscal também solicitou uma auditoria específica sobre os seguros da ANABB. A Diretoria Executiva entende como uma prática salutar para a boa governança corporativa que o Conselho Fiscal da entidade atue com autonomia e que as contas da ANABB sejam sempre auditadas para segurança de seus associados.

Houve ainda uma auditoria contratada pela Diretoria Executiva por solicitação formal da Comissão de Ética, acionada pelo Conselho Deliberativo para apurar denúncia do conselheiro José Branisso. Segundo a coordenadora da referida Comissão, conselheira Isa Musa de Noronha, a citada auditoria foi requerida na defesa prévia apresentada pelos conselheiros da ANABB Emílio Ribas e William Bento.

Ao contrário do que expressam os dirigentes da Cooperativa, a Diretoria Executiva da ANABB não vê a busca da verdade, com amplo direito de defesa, como algo abominável. Abominável seria deixar de apurar o que de fato aconteceu.

Quebra de sigilo
A Coop-ANABB fala em possível quebra de sigilo pela ANABB, ao divulgar as notificações recebidas do Banco do Brasil.

A Diretoria Executiva da ANABB entende que, uma vez tendo sido notificada pelo BB de que havia parcelas da dívida da Cooperativa em atraso e que isso poderia ocasionar o vencimento antecipado dos contratos em que a ANABB é fiadora, passou a ser um dever da Diretoria Executiva (e não um direito) levar ao conhecimento do conjunto dos associados o fato e os valores envolvidos. Afinal de contas, se o Banco do Brasil viesse a cumprir o que escreveu nas notificações que emitiu, a conta seria paga com os recursos de todos os 95 mil associados da ANABB, e não apenas pelos cooperados que se comprometeram com os respectivos empreendimentos.

Portanto, a ANABB sentiu-se no dever de compartilhar com seus associados (que são os seus legítimos “donos”) a informação sobre o risco que seu patrimônio corria e ainda corre.

A ANABB reafirma que jamais deixou de procurar o Banco para negociar dilação de prazo para que a Coop-ANABB pudesse honrar seus compromissos e jamais deixou de colaborar em tudo que fosse possível para o bem da Cooperativa e da ANABB, sem transferência de renda de um grupo para outro.

Fonte: Agência ANABB