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Assuntos diversos

Saiba o que aconteceria com o País caso a Selic fosse de 0%

Uma taxa de juros nula traria estagnação econômica para o Brasil


Em 10.05.2013 às 00:00 Compartilhe:


Para os padrões brasileiros, mesmo com o aumento para 7,5% ao ano, anunciado em abril pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic ainda continua baixa. Basta lembrar que ela já chegou a incríveis 45%, em março de 1999, e, há menos de dois anos, era de 12,5% ao ano. Após o ciclo de afrouxamento monetário iniciado pelo Banco Central em 2011, chegou ao seu patamar histórico de 7,25% ao ano em outubro de 2012. O recente ajuste não deve afetar diretamente consumidores ou investidores. Porém, reacendeu a discussão sobre qual seria a taxa básica de juros ideal para o País.

Professor de economia e coordenador do Núcleo de Estudos de Política Monetária do Ibmec de Minas Gerais, Claudio Shikida explica que a taxa de juros precisa ter um tamanho certo para que não haja inflação, nem recessão. “Isso depende de características socioculturais do País. Não sei se a taxa de juros de 10% ao ano seria adequada. Alguns estudos mostram que sim, mas outros apontam que seria de 7%”, afirma. Para ele, neste momento, não dá para dizer que a atual Selic é alta ou baixa. “Se o Banco Central fizer um trabalho bem feito, vai descobrir o patamar ideal.”

Para alguns, um patamar ideal dos juros no País seria para algo próximo a países desenvolvidos, ou seja, em torno de 2% a 3%. Mas para isto a inflação precisa estar sob controle, e a economia, estável. A inflação alta é tão ruim quanto o juro alto. A taxa básica de juros da economia norte-americana, por exemplo, é de 0,25% ao ano, de acordo com o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Para os americanos, contudo, é de interesse garantir que a inflação se mantenha consistente.

Uma taxa de juros nula traria estagnação econômica para o Brasl. Shikito diz que o sistema de financiamento - de carros e imóveis, por exemplo - teria um problema de recursos. “Quem colocaria um recurso para ser financiado sem ter retorno?”, questiona. Para ele, seria impossível. Também não haveria motivo para ter poupança. Hipoteticamente, se a Selic fosse de 0%, o juro de qualquer empréstimo seria, logicamente, zero. “Não teria por que poupar, pois sem juros não se teriam rendimentos. Logo, não teriam investimentos também”, assegura o professor.

A taxa Selic acaba alterando a taxa de empréstimo e, por conta disso, tem efeito sobre qualquer pessoa que faça aplicações financeiras. Mudando a taxa de juros, ela vai mudar os rendimentos. “Ela altera todas as decisões de poupar ou consumir que o sujeito tem hoje”, define Shikito. Ele cita o Japão como exemplo de país que tem crescimento perto de zero, quase negativo. Em 2012, o comitê de política monetária do Banco do Japão (BoJ) decidiu por unanimidade, manter a taxa de juros entre 0% e 0,1%. “Foi uma política governamental para tentar estimular o consumo”, avalia.

Neste ano, porém eleitores japoneses mantêm um forte apoio ao primeiro-ministro Shinzo Abe, que prometeu derrotar a deflação com uma combinação de política monetária muito frouxa e amplos gastos fiscais. “Ele está fazendo uma política monetária bastante expansionista para tentar estimular a economia por meio do aumento da moeda. Aparentemente, o mercado está gostando”, reflete o economista.

Shikida explica que a taxa de juros dentro da lógica da economia ideal tem de ser calculada e equilibrada para que não gere excesso de demanda, nem de oferta. “Para não ter recessão, sem pressão da inflação”, comenta. A taxa em 7,5% ao ano ainda é baixa para combater a inflação do País. Para alcançar este objetivo, o Banco Central teria de aumentar os juros consideravelmente, e não só em 0,25 ponto percentual.

Aumento não terá efeitos diretos
De acordo com declaração do ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, o aumento definido pelo Banco Central não vai prejudicar os investimentos no País. Para ele, a aceleração do crescimento é compatível com o controle da inflação - um dos principais motivadores deste ajuste.

Porém, não é o que dizem alguns especialistas. Segundo Shikida, o aumento chegou com atraso para combater a inflação. “Vai ter um efeito retardado. Indiretamente vai aumentar um pouco o custo para o consumidor, o que pode trazer algum alívio na questão do endividamento das pessoas”, analisa. O economista, entretanto, vê nisto um efeito positivo no aumento. “Já tínhamos de ter subido essa taxa de juro.”

Fonte: Portal Terra