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ANABB questiona Previ sobre possível participação no projeto do Trem-Bala

Em apresentação do resultado da Previ, o presidente da ANABB questionou sobre possível participação do fundo noTrem Bala


Em 01.04.2013 às 00:00 Compartilhe:


No dia 27 de março, o presidente da ANABB, Sergio Riede, participou da apresentação dos resultados da Previ de 2012, no Rio de Janeiro.

Na oportunidade, Riede pode apresentar publicamente aos dirigentes da Caixa de Previdência questões sobre a possível participação do fundo de pensão no projeto Trem-Bala.

Vários associados e conselheiros da ANABB vinham demandando a Diretoria Executiva da Entidade para tomar providências sobre a participação da Previ no Trem Bala. Algumas pessoas pediam esclarecimentos, outras queriam uma manifestação contundente da ANABB contra o projeto, outras chegaram a sugerir ações na justiça contra a participação da Previ no Trem-Bala.

A Diretoria Executiva tem procurado deixar claro que, antes de tomar qualquer atitude, precisa estar bem informada. Neste sentido, Riede indagou os dirigentes da Previ sobre eventuais pedidos do Governo para que a Previ aportasse recursos no projeto; perguntou sobre a existência ou não de estudos sobre o Trem-Bala no âmbito da Caixa de Previdência; em caso positivo, solicitou informações sobre o que tais estudos teriam apurado até o momento sobre a viabilidade do projeto, retorno previsto, valores envolvidos, riscos existentes, entre outros fatores. O presidente da ANABB indagou ainda sobre a pertinência de se investir num projeto desta magnitude e risco, considerando-se que o Plano 1 está fechado para novos ingressos e caminha para a extinção.

Inicialmente, o presidente da Previ, Dan Conrado, esclareceu que o principal negócio da Previ é pagar benefícios. E que as demais atividades da entidade são meios para cumprir este compromisso. Lembrou que em 2012 a Previ pagou R$ 8,4 bilhões em complementos de aposentadoria e pensões e que a previsão é que pague benefícios a participantes e pensionistas do Plano 1 até o ano de 2080. Portanto, são mais 67 anos pagando benefícios. Dan Conrado afirmou que o maior volume de pagamentos deve se dar entre os anos de 2020 e 2030. E que para cumprir esta obrigação, a Previ deve procurar, cada vez mais, investimentos que tenham boa rentabilidade, preservando padrões de excelência em segurança. Citou que a baixa nas taxas de juros representa um desafio crescente para todos os fundos de pensão. E que a Previ, portanto, tem o dever de procurar investimentos que possibilitem pagar os benefícios devidos aos participantes.

Segundo o presidente da Previ, a entidade realizou estudos sobre o Trem-Bala entre 2010 e 2011, mas naquela oportunidade o projeto se mostrou inviável e foi descartado pela Caixa de Previdência. Neste momento, segundo Dan Conrado, não existe qualquer estudo a respeito do Trem Bala na entidade. Mas se alguma proposta chegar até a Previ, será analisada como todos os projetos estudados naquela casa: com seriedade, em bases técnicas e procurando sempre salvaguardar a capacidade de cumprir com a obrigação de pagar os benefícios devidos aos participantes.

O diretor de Planejamento da Previ, Vitor Paulo Camargo Gonçalves, acrescentou que a análise de riscos que o fundo de pensão faz é reconhecida como uma das melhores do mercado. Um fato que ilustra essa afirmação, segundo Vitor Paulo, é que vários bancos apresentaram graves problemas em 2012, entre eles o Cruzeiro do Sul e o Panamericano. E que nenhum deles contava com investimentos da Previ, graças à rigorosa análise de riscos efetuada.

Por sua vez, Marco Geovanne Tobias da Silva, diretor de Participações do fundo, informou que esteve reunido na manhã do dia 27 de março com o Conselho Consultivo do Plano 1 para debater este assunto, órgão que fazem parte os conselheiros deliberativos da ANABB Mércia Pimentel e José Branisso (coordenador do Conselho Consultivo do Plano 1).

O diretor de Participações esclareceu que recentemente a Previ estudou propostas de investimento em rodovias. E que declinou do convite para participar porque os estudos demonstraram inviabilidade técnica. Um projeto como o Trem-Bala, segundo Geovanne, se viesse a ser estudado no âmbito da Previ, seria por intermédio da Invepar, empresa na qual a Previ tem participação. Esclareceu que um projeto como esse normalmente é dividido em dois grandes blocos: construção e operação. E que, para a Previ, apenas a parte de operação poderia interessar, já que a parte de construção está mais ligada a construtoras. Ele deixou claro que em todo projeto que a Previ examina diversos fatores são levados em conta. O retorno do investimento é um dos fatores preponderantes. E que as premissas que fundamentam o retorno previsto são checadas com absoluto rigor. De acordo com Marco Geovanne, num projeto como o Trem-Bala, no bloco de operação do sistema existem fatores fundamentais para se medir o retorno do investimento. Entre eles estão o número de passageiros previsto, o preço da passagem a ser cobrada, a inflação projetada para o período, entre outros. Ainda segundo o dirigente, cada um desses fatores é checado pela Previ com todo o rigor em qualquer projeto que seja estudado.

Lembrado por outro participante da reunião, o conselheiro deliberativo da ANABB e presidente da AAFBB Gilberto Santiago, que o Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) já entrou com duas ações contra o projeto do Trem-Bala, Marco Geovanne esclareceu que fatores como este também são levados em conta pela Previ, porque podem retardar acentuadamente o início do retorno do investimento. Citou como exemplos questões referentes ao impacto ambiental e ao impacto social que o Ministério Público tem levantado em diversos empreendimentos. Um dos casos de impacto social citado pelo dirigente foi o atingimento de terras indígenas.

A ANABB continuará acompanhando o desenrolar dos fatos com atenção redobrada e estará informando os associados permanentemente. “Da mesma forma que a Associação não se deixa levar por conclusões precipitadas e sem fundamentação técnica, também não hesitará em se posicionar contra qualquer negócio que coloque em risco a preservação dos recursos necessários para honrar os compromissos com os participantes da Previ”, afirmou o presidente Sergio Riede.

Fonte: Agência ANABB