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Assuntos diversos

Bancos já pagam mais por recursos e juros sobem para os clientes

Juro bancário de pessoa física, no crédito livre, sobe 0,5 ponto em fevereiro. Com isso, atinge 35,1% ao ano, que é o maior patamar desde julho de 2012


Em 26.03.2013 às 00:00 Compartilhe:


Os juros básicos da economia brasileira, definidos a cada 45 dias pelo Banco Central, ainda não começaram a subir, permanecendo estáveis em 7,25% ao ano (na mínima histórica), mas somente a ameaça de que isso acontecerá nos próximos meses, conforme indicação da autoridade monetária (para tentar conter o crescimento da inflação), já influenciou a curva de juros do mercado futuro, com base na qual as instituições financeiras captam recursos – e levaram os bancos a aumentar os juros cobrados do consumidor.

De acordo com o próprio Banco Central, o chamado custo de captação dos bancos, nas operações com recursos livres (que excluem habitação, BNDES e crédito rural) destinadas às pessoas físicas, subiu 0,5 ponto percentual em fevereiro deste ano, para 8,9% ao ano. Trata-se do maior patamar desde junho do ano passado, quando estava em 9,2% ao ano. No mês passado, portanto, tendo por base a expectativa de que os juros básicos da economia subirão no futuro, os bancos já pagaram mais pelos recursos buscados no mercado financeiro.

"O custo de captação subiu em fevereiro. Isso reflete a percepção dos agentes [das instituições financeiras] sobre a conjuntura internacional, sobre a inflação e sobre a expectativa para a taxa [básica] de juros [definida pelo próprio Banco Central]", afirmou o chefe do Departamento Econômico da autoridade monetária, Tulio Maciel.

Pagando mais pelos recursos captados, as instituições também passaram a cobrar mais juros em suas linhas de crédito. Ou seja, repassaram o aumento do custo de captação aos seus clientes. No mês passado, ainda de acordo com o Banco Central, os juros bancários médios de seus financiamentos para pessoas físicas subiram também 0,5 ponto percentual, para 35,1% ao ano. Foi o segundo mês seguido de elevação, o que levou esta taxa ao maior patamar desde julho de 2012 (35,4% ao ano).

Taxa média de empresas e geral
No caso das operações dos bancos com as empresas, ainda com base nos chamados "recursos livres", a taxa média somou 18,9% ao ano em fevereiro deste ano – mesmo patamar de janeiro deste ano. Trata-se do maior nível desde novembro do ano passado (19% ao ano).

Por conta da alta das taxas de juros de pessoa física, também avançou, em fevereiro deste ano, a taxa média geral de todas as operações com recursos livres, que somou 26,4% ao ano em janeiro, contra 26,2% ao ano em janeiro de 2013. É o maior valor desde setembro do ano passado, quando somou 26,6% ao ano.

Principais linhas de crédito
Os números divulgados pelo Banco Central mostram que também subiram, em fevereiro deste ano, as taxas de juros das principais linhas de crédito destinadas às pessoas físicas. Os juros do cheque especial pessoa física, por exemplo, uma das modalidades mais caras do mercado, passaram de 138% ao ano em janeiro para 138,5% ao ano em fevereiro.

A taxa do crédito pessoal avançou 1,7 ponto percentual no mês passado, para 69,8% ao ano. Ao mesmo tempo, a taxa de juros do crédito consignado (desconto na folha de pagamentos) subiu 0,2 ponto percentual em fevereiro, para 24,7% ao ano. Neste caso, foi o primeiro aumento em cinco meses.

No caso das linhas de crédito para empresas, também foi registrado aumento, em alguns casos, no mês de fevereiro. A taxa para desconto de duplicata, por exemplo, subiu de 26,5% ao ano em janeiro para 27,2% ao ano no mês passado. Já os juros para cheque especial de pessoas jurídicas subiu 0,9 ponto percentual no mês passado, para 146,6% ao ano. Na linha de capital de giro, porém, os bancos cobraram 16,2% ao ano, com queda frente a janeiro (16,5% ao ano).

Nova metodologia
A autoridade monetária mudou, no início deste ano, o formato de registro dos dados relativos aos juros bancários e, ao mesmo tempo, também desativou a série histórica que vigorava anteriormente. Pela nova metodologia, as operações com recursos livres (que não têm relação com o crédito direcionado, que é rural, BNDES e habitação) passaram a englobar algumas modalidades de empréstimos, como arrendamento mercantil (leasing), descontos de cheques (operações que se assemelham com "factoring"), além de cheque especial pessoa jurídica e antecipação de faturas de cartão.

Fonte: G1