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Assuntos diversos

Brics negociam fundação de banco

A estratégia do grupo dos emergentes é oferecer, por meio do banco, uma alternativa de financiamento de projetos na África


Em 15.02.2013 às 00:00 Compartilhe:


A próxima reunião das nações que formam o Brics em Durban, na África do Sul, vem gerando uma série de expectativas. As atenções se voltam, sobretudo, para a criação do banco de desenvolvimento do bloco, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e o país africano. Em entrevista ao Correio, o ministro de Comércio e Indústria sul-africano, Rob Davis, adiantou que a fundação dessa nova instituição beneficiará não só o grupo, mas também projetos de outras nações.

O representante do governo sul-africano está bastante otimista com o encontro de líderes do Brics, que ocorrerá em 26 e 27 de março. "Para nós, será uma cúpula muito importante, pois é a primeira vez que acontece em nosso país. Temos esperanças e ambições de que dela saia uma decisão sobre o banco de desenvolvimento do bloco. As negociações estão em curso", disse Davis.

Os detalhes sobre a fundação da instituição serão discutidos em paralelo ao encontro dos ministros de Finanças do G-20 (as 19 principais economias desenvolvidas e emergentes e a União Europeia), que começa hoje, em São Petersburgo, na Rússia. A entidade gerida pelo Brics deve ter um capital entre US$ 50 bilhões e US$ 70 bilhões. O valor da cota de cada país e como será distribuído o poder de voto são alguns dos pontos em negociação, assim como a criação de todo o mecanismo de funcionamento e os critérios para empréstimos.

A estratégia do grupo dos emergentes é oferecer, por meio do banco, uma alternativa de financiamento de projetos na África, onde há países com taxas de crescimento em níveis chineses, ou até maiores. "O banco será uma forma de fazer com que os integrantes dos Brics ampliem a presença na África, sem que isso se dê de forma direta e incisiva", destacou uma fonte que participa das negociações.

Processo lento
Do lado brasileiro, membros do governo acreditam no avanço das negociações para a criação do banco de desenvolvimento, mas reconhecem que o processo é lento e que demanda ainda muito tempo para ser finalizado. O Banco do Sul (BdS) é um exemplo de que isso não acontece de uma hora para a outra. Ele teve a ata de fundação assinada em 2007, mas o convênio constitutivo foi firmado somente dois anos depois. Atualmente, aguarda-se uma reunião para que seja iniciada a fase pré-operacional do BdS. Por ora, as operações de financiamento ainda não são possíveis.

A reunião de São Peterburgo, entre hoje e amanhã, será preparatória para o encontro ministerial dos Brics, marcado para o dia anterior à cúpula do bloco em Durban. Os técnicos dos cinco países também debaterão a criação de um fundo comum de reservas para ajudar os seus respectivos governos a equilibrar as contas externas, a exemplo do que faz o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse mecanismo será virtual, sem um depósito físico, mas com recursos em torno de US$ 120 bilhões. Nele, os países se comprometerão a fazer o aporte caso seja necessário ajudar outro membro.

"A ideia é aparar as arestas o máximo possível para que os ministros cheguem a uma decisão final para apresentar aos presidentes do bloco no dia 26 (de março) sobre o banco e o fundo de reservas. A expectativa é de que eles lancem a negociação dos acordos com algum parâmetro de como esses dois mecanismos funcionarão", revelou uma fonte ligada ao governo brasileiro.

Grupos dos emergentes
Usado pela primeira vez em 2001, pelo economista Goldman Sachs Jim O"Neil, o anagrama Bric representa as economias emergentes de maior importância no cenário internacional atual. A África do Sul foi adicionada oficialmente como o S em abril de 2011, e já colhe os frutos. "A entrada no Brics foi muito positiva. As nossas relações com os países do grupo cresceram 29%", afirmou o ministro sul-africano Rob Davis. Com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 390 bilhões, o país cresceu mais que o dobro da economia brasileira em 2012 - 2,6% ante o 1% - e deve avançar mais de 4% nos próximos anos, segundo estimativas do FMI.

Fonte: Correio Braziliense