× Modal
< Voltar


Assuntos diversos

BB quer o controle do Votorantim

Banco do Brasil estuda três opções para ampliar a sua participação no capital da instituição fundada pela família Ermínio de Moraes. Uma delas é a estatização


Em 18.01.2013 às 00:00 Compartilhe:


O Banco do Brasil poderá assumir o controle acionário do Banco Votorantim, do qual comprou metade do capital no fim de 2009, quando a instituição financeira fundada pela família de Antônio Ermírio de Moraes quase quebrou. A negociação do banco público com os sócios privados está avançada, mas ainda depende do aval do Ministério da Fazenda, que vê com reservas a operação. Teme-se uma repercussão negativa no mercado sobre a possível estatização do Votorantim, sobretudo neste momento em que o governo enfrenta duras críticas por causa de sua postura mais intervencionista na economia.

Caso essa opção seja vetada, o BB tem duas alternativas sobre a mesa de seu presidente, Aldemir Bendine. A primeira seria aumentar, dos atuais 49% para até 100%, o total de ações preferenciais (sem direito a voto) do Votorantim que estão em poder da instituição federal. A segunda, abrir o capital do banco dos Ermírio de Moraes, comprar parte dos papéis que seriam lançados e ofertar o restante aos investidores. "As opções existem e estão sendo analisadas com todo o cuidado possível. Mas é importante deixar claro: temos que resolver a nossa situação no Votorantim ainda neste ano", disse ao Correio um técnico do governo. "E que fique claro, estamos falando de um excelente negócio para o BB", emendou.

Na prática, conta esse mesmo técnico, o BB já está no comando das operações diárias do Votorantim desde agosto de 2011. De início, o banco público se comportou como um sócio minoritário, que ajudou o parceiro a superar os pesados golpes sofridos, como o estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos, em setembro de 2008. Descobriu-se, naquele período, que o Votorantim estava operando no mercado de câmbio, junto com empresas do grupo. A instituição apostava na alta do real, mas o dólar disparou e as perdas foram enormes.

Apesar do baque, o Votorantim continuou atuando como se nada tivesse acontecido. Embarcou no programa do governo de estímulo ao crédito e ampliou, sem constrangimento, os financiamentos de automóveis, especialmente os de usados. A maior parte das operações, no entanto, foi fechada sem critério, pois o objetivo maior dos funcionários do Votorantim era faturar e embolsar ganhos por meio de programas de metas de vendas. Com a onda de calote em 2010, as perdas se multiplicaram e a situação se agravou. Mesmo assim, foram distribuídos, naquele ano, R$ 154 milhões em dividendos aos acionistas.

Diante desse quadro, o BB escalou o seu vice-presidente de Finanças, Ivan Monteiro, para entrar no dia a dia das operações do banco dos Ermírio de Moraes e arrumar a casa. A intervenção foi tão forte, que o volume anual de financiamentos do Votorantim caiu de R$ 1 bilhão para R$ 300 milhões. "Em compensação, a qualidade do crédito melhorou muito. A inadimplência dos novos financiamentos desabou", contou um executivo envolvido no negócio. Para limpar o balanço do Votorantim, os créditos pobres foram lançados como perdas definitivas. Por isso, os prejuízos do banco de R$ 741,6 milhões em 2011 e de R$ 497 milhões nos nove primeiros meses de 2012. "Tudo indica que 2013 será o último ano do Votorantim no vermelho", acrescentou.

Bom negócio

Para o BANCO DO BRASIL, mesmo ainda operando com prejuízo, o Votorantim é um excelente negócio. Juntos, os dois bancos detêm 30% dos financiamentos de automóveis no país. A BV Financeira, braço do banco dos Ermírio de Moraes, é líder nas operações de usados com as concessionárias. "Com certeza, só ganhamos com a parceria do Votorantim. Antes dela, a participação do BB nos financiamentos de veículos era inexpressiva. Agora, com a casa arrumada, sem os excessos de distribuição de dividendos e de participações nos lucros, o BB tem uma máquina na mão para lucrar", afirmou o técnico do governo.

Ele lembrou que, além da qualidade do crédito ter melhorado, o Votorantim enxugou o quadro de pessoal, resultando em uma economia significativa. "Com o administrativo sob controle, o BB precisa, agora, resolver a questão societária, mesmo que seja pela estatização do Votorantim. Se constatarmos que vale a pena submeter o banco a concursos e à Lei 8.666, das licitações, não teremos problemas em encampar a proposta", frisou.

Por meio de nota, a Votorantim Finanças, holding financeira do Grupo Votorantim, informou que não "comenta rumores de mercado", mas reafirmou o seu "comprometimento com o Banco Votorantim, no qual é acionista e tem uma bem-sucedida parceria com o BANCO DO BRASIL desde 2009".

Lançamento de ações

O BANCO DO BRASIL concluiu a montagem de uma unidade para integrar as operações de seguros na BB Seguridade e espera realizar, até abril, a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de sua subsidiária. "Nós ainda estamos aguardando. É difícil saber exatamente quando isso será factível, mas está acontecendo", disse um profissional envolvido na negociação. "a BB Seguridade continuará estatal. Então, tem seu próprio tempo por causa da burocracia. Vamos trabalhar nisso por horas intermináveis", acrescentou.

Fonte: Correio Braziliense