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Assuntos diversos

BB pode criar banco de investimento

O banco está de olho no imenso potencial de negócio que surgirá com os investimentos previstos para projetos de infraestrutura nos próximos anos


Em 04.01.2013 às 00:00 Compartilhe:


Com a intenção declarada - e nada modesta - de se tornar o maior banco de investimentos do país, o BANCO DO BRASIL (BB) estuda a possibilidade de destacar sua área de mercado de capitais em uma estrutura à parte, nos moldes da recém-criada BB Seguridade, que vai concentrar os negócios de seguros, previdência e capitalização.

O projeto, ainda em fase preliminar de análise, prevê a criação de uma empresa à parte em parceria com uma instituição privada. A adoção de um acordo operacional ou uma joint venture controlada pelo BB, nos moldes da sociedade com a seguradora espanhola Mapfre, são dois caminhos em discussão.

"Estamos fazendo vários estudos e vamos tomar uma decisão ao longo de 2013", afirmou o vice-presidente de atacado, negócios internacionais e private bank do BB, Paulo Rogério Caffarelli.

Segundo ele, o BB avalia medidas para se tornar mais competitivo perante os principais concorrentes. Um dos grandes entraves para isso é a remuneração da equipe. Nos bancos de investimentos, a maior parte do pagamento é variável e está atrelada ao desempenho do profissional e da instituição. Como banco público constituído por funcionários concursados, o BB não consegue reproduzir esse modelo e dessa forma não atrai talentos de outros bancos.

"Nossa única opção é formar a equipe. Temos um time fantástico, mas não conseguimos contratar gente de outros bancos", afirmou Caffarelli. "Ao mesmo tempo, o volume de pessoas que mais perdemos para o mercado são do banco de atacado e da área de mercado de capitais." Ao constituir uma companhia privada, essa questão poderia ser contornada, disse o executivo.

Segundo Caffarelli, essa estrutura permitiria ao banco se tornar mais competitivo e também possibilitaria a criação de uma corretora de valores mobiliários. "O objetivo é criar áreas que estão faltando para o banco se tornar mais forte nesse mercado, como corretagem, análise e assessoria a operações de fusões e aquisições", afirmou. "Isso pode ser feito por meio da criação de uma empresa à parte, que prestaria serviços ao banco, ou a partir de uma estrutura montada dentro do próprio BB."

Os objetivos não são modestos. "O banco já é muito forte no atacado, no varejo e no governo e agora queremos ser o primeiro na área de mercado de capitais", afirmou Caffarelli.

Não é de hoje que o BB planeja reforçar sua área de mercado de capitais. A ideia de se associar a outra instituição já vem sendo mencionada por executivos do banco há alguns anos em entrevistas e conversas reservadas, mas até agora nada foi realizado.

Agora, no entanto, a instituição tem se mostrado mais atuante. Reestruturou a área de mercado de capitais em janeiro passado, quando a deslocou da vice-presidência de finanças para a divisão de atacado, que opera com oferta de crédito para grandes empresas. "Isso fortaleceu o relacionamento com os grandes clientes, que passaram a contar também com área de mercado de capitais", afirmou Caffarelli.

No ano passado, o banco também reforçou sua presença no segmento de renda variável. A instituição, que participou de apenas duas ofertas de ações em 2011 e estava em décimo lugar, por esse critério, no ranking da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), saltou para a primeira posição no levantamento de novembro de 2012.

Em volume de operações de renda variável, o BB ficou em segundo lugar, atrás do BTG Pactual. A instituição participou de cinco ofertas de ações, que somaram R$ 8,086 bilhões - as emissões subsequentes da Suzano e da Fibria, a "reabertura" de capital da transmissora de energia Taesa e a oferta inicial do BTG, que foi a maior operação de 2012 e levantou R$ 3,234 bilhões.

O BB foi o coordenador líder da oferta do fundo de índice conhecido como Exchange-Traded Fund (ETF, na sigla em inglês) vinculado ao Índice de Carbono Eficiente da Bovespa, chamado de ECOO11, que captou R$ 1,014 bilhão. "Olhamos ofertas de pelo menos R$ 400 milhões", afirma Bernardo Rothe, gerente-executivo da diretoria de mercado de capitais do BB responsável por renda variável.

A instituição financeira também avançou na emissão de títulos de dívida no mercado externo, passando do oitavo lugar no ranking de novembro de 2011 para a liderança no ano passado. "Participamos de 26 operações, que somaram US$ 26,098 bilhões no ano até novembro", afirma Aguinaldo Barbieri, gerente-executivo da diretoria de mercado de capitais responsável pela área de renda fixa.

Ao mesmo tempo, o banco reforçou a distribuição de produtos financeiros no mercado externo, com a inauguração de uma corretora em Cingapura, passando a contar com três unidade de venda de ativos no exterior, sendo as outras duas localizadas em Nova York e Londres.

A integração com a área de atacado foi essencial para ampliar o número de operações no mercado de capitais, na opinião de Caffarelli. O BB, que é o maior repassador de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) para o financiamento de projetos, também pretende ganhar espaço na emissão de dívidas atreladas ao financiamento à infraestrutura.

O banco está de olho no imenso potencial de negócio que surgirá com os investimentos previstos para projetos de infraestrutura nos próximos anos, especialmente com os eventos da Copa e Olímpia no Brasil, que devem demandar R$ 1,5 trilhão até 2016. O financiamento de projetos de infraestrutura é uma das principais bandeiras do governo federal para alavancar o crescimento da economia e tem contado com os bancos públicos para atender essa demanda. "Queremos ser o principal braço financeiro desse movimento", disse Caffarelli. A área é tão importante para o banco que foi criado um fórum de infraestrutura no BB para discutir a atuação no setor.

Na mesma linha, a instituição também planeja ser um dos principais canais para as emissões das debêntures voltadas ao financiamento de projetos de infraestrutura, que contam o benefício de isenção fiscal para o investidor pessoa física. Dos 13 projetos já aprovados pelo governo para emitir esses títulos, o BB está em seis operações.

Nas emissões de dívida no mercado local, o banco estava em terceiro lugar no ranking da Anbima até novembro em número de operações e em segundo em originação. Para 2013, Caffarelli afirma acreditar no crescimento das operações de desintermediação financeira como a emissão de debêntures, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e fundos imobiliários.

De acordo com o executivo, o banco pretende tirar proveito de sua rede de 5,5 mil agências na distribuição dessas ofertas ao varejo. Em novembro, a oferta do fundo imobiliário BB Progressivo II contou com a participação de 48 mil cotistas pessoas físicas e fez praticamente dobrar o número de investidores em fundos imobiliários na bolsa, que passou de 58.460 para 97 mil.

Na área de renda variável, a instituição deve estrear neste ano com a oferta da BB Seguridade, que deve levantar cerca de R$ 5 bilhões. O BB Investimentos será um dos coordenadores da operação.

A ambição do BB de se tornar o maior banco de investimentos do país é vista com reticência por concorrentes. Apesar da força do banco público, falta a ele experiência na área, afirmou um banqueiro que pediu para não ser identificado. Ao menos por enquanto, não é um competidor que incomoda. "Ao contrário, é até bom ter o nome do BB em uma operação. Mas, hoje, não são eles que criam os negócios. Eles participam, mas as operações geralmente não partem deles", disse o vice-presidente.

Fonte: Valor Econômico