× Modal
< Voltar


ANABB

ANABB tem reunião com diretor do BB para discutir retaliações pós-greve

Os dirigentes da ANABB levaram ao BB a sua preocupação


Em 10.12.2012 às 00:00 Compartilhe:


O presidente da ANABB, Sergio Riede, e o vice-presidente de Relações Institucionais, Fernando Amaral, reuniram-se na última sexta-feira com Carlos Neri, diretor da DIREF – Diretoria de Relações com Funcionários e Entidades Patrocinadas do Banco do Brasil. O pedido de audiência havia sido feito em 20.11.2012.

Os dirigentes da ANABB levaram ao BB a preocupação da Entidade com as notícias sobre perseguição a grevistas, cancelamento de férias e abonos de maneira arbitrária e unilateral pelo BB, descomissionamentos imotivados, transferências compulsórias e ameaças à atividade sindical.

A reunião, realizada nas dependências da DIREF, era para contar também com a presença do diretor Carlos Neto, da DIPES – Diretoria Gestão de Pessoas. Mas Neto teve que viajar às pressas ao Pará por conta do assalto à agência de São Domingos do Capim (PA), que culminou com a trágica morte do funcionário do BB Francivaldo Soares da Silva.

Neri argumentou que o BB respeita a atividade sindical, não pratica perseguição a quem quer que seja e que a empresa apenas quer fazer valer a cláusula do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que prevê a compensação dos dias de greve. O diretor do BB disse que mais de 98% dos grevistas já estão compensando os dias parados e que apenas 650 funcionários, dos 34 mil que fizeram greve, ainda não iniciaram a compensação das horas não trabalhadas. Neri enfatizou que “o BB não aceita, até por respeitar os mais de 98% de funcionários que estão cumprindo o previsto no ACT, que uma minoria de empregados se recuse a apresentar qualquer alternativa de compensação dos dias parados”. Acrescentou que o Banco sente-se desrespeitado ao ver que alguns sindicatos pregam o não cumprimento de cláusula que foi acordada em mesa de negociação.

Riede e Amaral argumentaram que a judicialização do processo não é boa para nenhuma das partes e que só acirra os ânimos, prejudicando o clima de trabalho, a saúde dos funcionários e até mesmo a produtividade do Banco. “É flagrante a desproporção entre não compensar alguns dias de greve e ser descomissionado para o resto da carreira, ou ter férias com adiantamento já creditado em conta, canceladas, estendendo à família do funcionário eventual punição por suposto descumprimento de acordo”, ponderou Riede.

Os dirigentes da ANABB insistiram que o BB deveria negociar uma saída para o impasse, evitando, em qualquer hipótese, adotar medidas que causem um dano permanente aos funcionários, como, por exemplo, descomissionando ou demitindo colegas. Enfatizaram que a ANABB se juntará a todas as forças que reagem contra este tipo de medida e sugeriram que o Banco examinasse a possibilidade de estender o prazo para compensação das horas, em negociação com os sindicatos. No limite, e se for do interesse dos funcionários (como alguns deles sugeriram informalmente à ANABB), o Banco poderia negociar com os sindicatos a permissão para compensar as horas de greve com o uso de abonos, licença-prêmio, folgas ou mesmo descontando os dias parados de maneira a não causar impacto muito negativo na vida financeira dos empregados.

Carlos Neri comprometeu-se a levar as considerações da ANABB ao conhecimento do Conselho Diretor, mas não garantiu a sua aprovação.

Como a diretoria da ANABB tem reiterado em diversas oportunidades, a Associação defende um Banco do Brasil útil à sociedade e procura zelar pelos interesses legítimos do funcionalismo. Como frisou o diretor Amaral, “se os sindicatos aceitaram inserir no ACT cláusula que prevê a compensação das horas de greve para que as mesmas não sejam descontadas do salário, então deve haver boa fé e orientação a todos os funcionários para cumprir o que foi acordado”. A hipótese de alguns companheiros se recusarem a cumprir, pura e simplesmente, sem que os dias sejam descontados, não parece à ANABB ser um direito legítimo, após a assinatura do Acordo Coletivo. Por outro lado, tirar a comissão ou demitir um funcionário por conta da não compensação de horas, não é razoável e soa como manobra oportunista do BB para intimidar grevistas – inclusive os que estão compensando corretamente as horas não trabalhadas. 

A ANABB espera que o bom senso prevaleça e coloca-se à disposição das partes para colaborar no que for possível.

Fonte: Agência ANABB