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ANABB rebate artigo de jornalista da Folha sobre o BB

O assunto repercutiu em diversos veículos de comunicação e causou indignação dos funcionários do BB e de seus representantes


Em 03.12.2012 às 00:00 Compartilhe:

 

O técnico Luiz Felipe Scolari fez um comentário descabido durante sua apresentação como treinador da seleção brasileira, ofendendo o Banco do Brasil e seus funcionários. Desculpou-se com um telefonema ao presidente do BB e com declarações à imprensa dirigidas aos funcionários, afirmando que a frase foi apenas uma “má colocação”.

O assunto repercutiu em diversos veículos de comunicação e causou indignação dos funcionários do Banco do Brasil e de seus representantes. Mas não deu tempo para ser superado. Dois dias depois, o jornalista Fernando Rodrigues, colunista da Folha de São Paulo, aproveitou o gancho para comentar o assunto reforçando o preconceito contra os funcionários do Banco do Brasil, o que causa perplexidade pela absoluta falta de fundamentação. Se Felipão tem o desconto do improviso, Rodrigues carrega o ônus de um texto planejado, refletido e, mesmo assim, cheio de juízo de valor.

Ele diz, entre outras coisas, que Felipão cometeu um “sincerocídio”, uma vez que estaria apenas refletindo a opinião da maioria dos brasileiros sobre a “condição privilegiada” dos funcionários do BB. Afirma que “alguma coisa está errada quando alguém não pode vocalizar um sentimento generalizado na sociedade”. Entre os “privilégios” citados por Rodrigues estariam o “acesso a aposentadoria quase integral e a um plano de saúde dos sonhos”, que traduziriam “um capitalismo sem risco elevado à máxima potência”, concluindo que “quem paga a conta é o restante da sociedade”. No seu esmero para desdenhar do funcionalismo do BB, o colunista arremata: “Não é só senso comum e preconceito. Trata-se de uma situação que emula a desigualdade social no país”.

Examinemos a consistência dos argumentos de Rodrigues:

a) Como ele defende o direito de Felipão “vocalizar” o que pensa sobre o BB e seus funcionários, é de se perguntar o que estaria errado com o direito de os funcionários do BB expressarem-se democraticamente para rechaçar um conceito que julgam equivocado. A liberdade de expressão só existe para um lado? Ora, Felipão e Fernando Rodrigues têm o direito de dizer e escrever o que quiserem, mas têm a consequente obrigação de responder pelo que expressam, inclusive respeitando o direito de as pessoas que pensam de forma diferente também expressarem os seus pontos de vista;

b) O acesso a bons planos de aposentadoria e saúde são vistos como privilégio e desigualdade pelo articulista. Será que a igualdade e a justiça social devem ser alcançadas retirando-se direitos dos que os conquistaram com muita luta? Ou seria melhor estimular a batalha dos demais brasileiros para que também eles tenham saúde e aposentadoria decentes? Ou seja, o nivelamento é feito por baixo;

c) O articulista não considera em seu artigo que os funcionários do BB – que só ingressam na empresa por concurso público – pagam por esses planos uma parcela igual a que paga o empregador. E que as maiores e melhores empresas privadas do Brasil e do mundo possuem políticas de gestão de pessoas semelhantes às do Banco do Brasil, especialmente porque as mesmas ajudam a atrair e reter bons profissionais;

d) Ignora o jornalista que, considerados todos os benefícios oferecidos aos funcionários, o BB vem produzindo lucros de mais de 10 bilhões de reais por ano. Aliás, quando o Banco do Brasil dá lucros significativos, parte da imprensa costuma atacar a empresa por que lhe faltaria visão social; quando dá lucro menor que os demais bancos, atacam o BB porque ele seria ineficiente;

e) Afirmar que o Banco do Brasil e seus funcionários vivem num “capitalismo sem risco” e que a sociedade paga a conta, só pode ser ignorância ou má fé. O BB atua num mercado que é um dos mais competitivos do mundo – o da indústria financeira nacional. Embora enfrente dificuldades inerentes às empresas de economia mista e estar sujeito, por exemplo, à Lei 8.666 (das licitações), compete de igual para igual com os maiores bancos que atuam no Brasil, alguns deles multinacionais. E mesmo assim apresenta resultados invejáveis. Portanto, o jornalista Rodrigues – como brasileiro e, só por isso, sócio do BB –  poderia ter a dignidade de agradecer aos funcionários do Banco os excelentes dividendos que têm produzido ao longo de muitos anos. Isso sem falar no trabalho de voluntariado e de democratização do crédito que tem contribuído para melhorar a vida de milhões de brasileiros das classes menos favorecidas;

f) A crise financeira que assolou o mundo em 2008 parecia que havia acabado em definitivo com a discussão sobre a importância ou não da existência de bancos públicos. A comunidade financeira mundial reconhece o papel que os bancos públicos tiveram para que o Brasil pudesse apresentar uma atuação exemplar no enfrentamento da crise. Mas o articulista, infelizmente, parece que continua contaminado com a visão de que toda empresa que têm capital público é ineficiente e um ônus para a sociedade, ignorando o vigoroso desempenho do Banco do Brasil;

g) Por fim, quando ele afirma que basta perguntar na Praça da República, em São Paulo, ou na Cinelândia, no Rio, para constatar que a imensa maioria da população falará mal do BB e de seus funcionários, fica a dúvida: será que ele já fez esta “pesquisa” científica?

Diante dos fatos aqui elencados, o que sobra é uma triste constatação: se alguns brasileiros possuem uma visão distorcida sobre a atuação do BB, certamente o será por conta de informações “jornalísticas” como as que Rodrigues veicula em sua coluna, sem apuração e sem compromisso com a verdade.

Se ele desejar informar-se melhor para oferecer dados mais confiáveis aos seus leitores, a ANABB coloca-se à disposição para recebê-lo em suas instalações e atualizá-lo sobre o que acontece de fato com o Banco do Brasil e seus funcionários nos dias de hoje.

O convite está feito. Esperamos que a liberdade de expressão não seja garantida apenas para quem vende jornais.

Diretoria Executiva da ANABB

Fonte: Agência ANABB