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Assuntos diversos

Diretores financeiros do Brasil estão entre os mais bem pagos

Aqui, 41% ganham mais do que US$ 255 mil por ano. Só EUA superam.


Em 02.10.2012 às 00:00 Compartilhe:


Henrique Gomes Batista
Lucianne Carneiro

Em ano de piora da crise na Europa, desaceleração do crescimento da China e economia patinando no Brasil, a remuneração dos diretores financeiros (CFOs, na sigla em inglês) pelo país vai bem, obrigado. De acordo com pesquisa da consultoria internacional Michael Page, feita com 4.300 profissionais em todo o planeta (sendo 500 no Brasil), 41% dos diretores no país recebem mais de US$ 255 mil por ano, ou mais de R$ 517 mil, incluindo bônus e remunerações variáveis. Somente os Estados Unidos possuem mais profissionais nesta categoria de salário: 49% do total. Na Europa, em plena crise, o percentual é muito menor, de 13%. Na América do Sul, a parcela acima desta remuneração anual está em 29% e na Ásia, 14%.

- Apesar de a economia não estar como o previsto, os negócios continuam ocorrendo, muitos investimentos não pararam e ainda há boas perspectivas para o Brasil. Além disso, não é tão fácil trazer diretores de outros países para cá, por causa das restrições legais e da língua - afirmou Ricardo Guedes, diretor da Michael Page no Brasil.

Energia e varejo, setores em destaque no país

A crise reduziu os grandes salários na Europa e fez crescer o percentual de diretores financeiros da região que ganham abaixo de US$ 155 mil por ano, ou R$ 314 mil: 59% do total. Nos EUA, esse percentual é de 23% e, na América Latina, 37%. No continente asiático, que tradicionalmente paga menos que o Ocidente, o percentual de executivos com remuneração inferior a US$155 mil é de 57% e não tem relação com a crise econômica. Já na região do Pacífico, que compreende a Austrália, as remunerações se concentram em patamar bastante elevado, sendo que 30% dos executivos ganham acima de US$ 255 mil e apenas 19% recebem abaixo dos US$ 155 mil.

Guedes acredita que o bom momento das remunerações do Brasil continuará, mas ele acha que outros países da América Latina, como Colômbia, Peru e Chile, deverão ser destaques na melhora da remuneração, por causa do forte crescimento desses países. Segundo Guedes, atualmente no Brasil os setores que melhor pagam são: tecnologia, infraestrutura, energia (petróleo e gás), varejo e agronegócios.

No Brasil, 58% têm experiência internacional

O estudo mostra ainda que existe uma relação entre experiência internacional e o porte da empresa. Entre os grupos com mais de cinco mil funcionários, 70% dos diretores financeiros tiveram experiência internacional. Nas empresas com menos de mil funcionários, 59% atuaram fora em algum momento da carreira. Na Europa, 60% desses executivos já atuaram em outros países, contra 57% da América Latina e 50% nos EUA. Entre os diretores financeiros do Brasil, 58% já atuaram no exterior.

O dinamismo e a capacidade de adaptação, além de um amplo conhecimento nas áreas de captação de financiamento e tributária, são algumas das características apontadas por César Lage, diretor-administrativo financeiro da Fabrimar, para explicar a remuneração dos executivos de finanças no país.

Lage, que já passou por empresas como Shell, Rexam, Estácio e BHG, e agora tem a missão de participar do processo de reestruturação de uma empresa familiar, lembra que a função exige uma atualização constante.

- O ambiente de negócios no Brasil é mutante. O profissional de Finanças precisa ter a habilidade de captar recursos e também grande conhecimento tributário, além de capacidade de adaptação e gestão. É diferente do cenário em outros países, em que não há mudanças de regras tão grandes - disse.

Sem revelar seu salário, César Lage afirma que o valor de US$ 255 mil pode ser considerado uma média do mercado.

Carência de profissionais garante bônus

Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recursos Humanos, confirma o bom momento de remuneração para executivos no Brasil. Ela acredita que este ano, por causa do fraco desempenho dos negócios brasileiros, a remuneração variável, que depende de bônus, pode ser menor. Mas, por outro lado, a expectativa de uma forte retomada do crescimento a partir do ano que vem pode minimizar estas perdas:

- Como há carência de profissionais no mercado, é possível que algumas empresas concedam bônus gordos mesmo sem ter todas as metas integralmente atingidas para não perder o profissional - disse.

Fonte: O Globo