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Banco do Brasil

Banco do Brasil corta taxas de juros e acirra disputa com Caixa

Alexandre Abreu, vice-presidente do BB: estamos mais agressivos


Em 11.09.2012 às 00:00 Compartilhe:

 

O Banco do Brasil entrou para valer na briga com a Caixa Econômica Federal na disputa sobre qual dos dois bancos públicos cobra os juros mais baixos nas principais linhas de crédito para pessoas físicas e empresas.

Depois de reduzir as taxas médias do cheque especial para 5,4% em julho, com a ampliação da base de clientes que tem acesso ao custo reduzido, no fim do mês passado o BB empatou com a Caixa com a menor taxa na modalidade de empréstimo pessoal, numa comparação entre os seis maiores bancos comerciais do país. Na medição até o dia 27, os dois cobravam 2,09% ao mês, mas o BB chegou a ter custo menor por duas semanas.

A Caixa mantinha liderança folgada no ranking de menores juros no crédito pessoal desde abril, quando o governo iniciou a campanha para que os bancos reduzissem seus spreads.

"Se você perguntar se o banco está mais agressivo, ele está. Mas com bastante critério", afirma Alexandre Abreu, vice-presidente de negócios de varejo do BB.

A queda da taxa média nessa linha específica, explica ele, se deve à renegociação paulatina que o banco vem fazendo dos seus mais de 2 mil convênios de crédito consignado.

Desde abril, o Banco do Brasil já cobrava as menores taxas na linha de desconto de duplicata para empresas, que no fim de agosto tinha juro médio de 1,8% ao mês, e também no financiamento de veículos para pessoas físicas, de 1,2% mensais no mês passado.

A Caixa, que foi mais rápida que o rival no corte das taxas cobradas nas linhas mais populares, ainda pratica o menor juro no cheque especial, de apenas 4,3% mensais, e também no capital de giro prefixado, em que cobra menos de 1,1% ao mês das empresas.

Ser reconhecido como o banco que cobra as menores taxas tem duas vantagens para essas instituições federais. A primeira, mais técnica e tida como a mais relevante, é a possibilidade de atração maior de clientes e volume de crédito, com o objetivo de sustentar a rentabilidade no ambiente de spreads menores.

A segunda, mais política e negada de pé junto pelas instituições, é mostrar serviço ao Palácio do Planalto, onde nasceu a campanha por juros menores.

Em pronunciamento na quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff voltou a criticar os spreads cobrados pelas instituições financeiras e disse que não descansará enquanto eles não caírem para níveis "civilizados".

Os dois bancos se mostram bem mais agressivos que os privados nos cortes de juros, mas negam que haja uma disputa entre os dois pelos menores juros.

De acordo com Márcio Percival, vice-presidente de finanças da Caixa, foi coincidência o fato de o banco ter anunciado redução das taxas cobradas no cartão de crédito na quinta-feira, poucas horas depois de anúncio semelhante feito pelo BB.

"Se outros bancos estão baixando as taxas, isso é excelente para o sistema. Vamos seguir com essa estratégia sempre que tiver espaço técnico para fazer isso", afirma Percival.

O executivo da Caixa também não teme que o movimento da concorrência prejudique os planos do banco em termos de expansão do volume de crédito, como fator compensador das taxas menores cobradas. "Está no nosso planejamento, e vamos crescer a carteira de crédito em 42% até o fim do ano", garante.

Percival reconhece, entretanto, que o banco acompanha os movimentos de mercado. "Estamos tranquilos, mas monitorando o mercado. E vamos disputar sempre as menores taxas."

 

Márcio Percival, vice-presidente da Caixa: vamos disputar menores taxas

Abreu, do Banco do Brasil, diz que os cortes são pautados por uma percepção estratégica de que as taxas de juros médias já estão mais baixas, vão cair ainda mais e que esse é um movimento que veio para ficar. "E a gente procura se antecipar a essa tendência, com a visão de que isso vai ajudar o banco no longo prazo, passando a imagem de que o BB é uma instituição que se preocupa com o cliente, ao reduzir os juros antes."

Ao contrário da Caixa, que derrubou as taxas das principais linhas logo no início de abril, o BB foi mais cauteloso. No começo, por exemplo, só tinham acesso às taxas mais baixas de juros do cheque especial os clientes que aderissem ao pacote BomPraTodos. Três meses depois, o custo de 5,7% ao mês passou a valer para toda a base, embora os clientes que recebem salário no banco ou aderem ao programa tenham taxas menores, de 4,7% e 3,9%, respectivamente.

"Verificamos que a redução de juros deu super certo, a elasticidade foi forte, com aumento do volume. No financiamento de veículos, por exemplo, nossa carteira de crédito própria dobrou, para R$ 8 bilhões", diz Abreu. A meta do BB é encerrar o ano com R$ 560 bilhões em empréstimos, alta de 20% em 12 meses.

Fonte: Valor Econômico