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Assuntos diversos

Cartão de crédito é novo front para queda de juro nos bancos

Processo de revisão das taxas, que beiram os 15% ao mês, indica custo menor para os clientes no futuro


Em 07.08.2012 às 00:00 Compartilhe:


Os cartões de crédito são o novo front do movimento de redução dos juros por parte dos bancos. Com a taxa básica da economia, a Selic, em queda e pressões cada vez mais fortes por parte do governo, o processo chegou a uma das modalidades com taxas mais exorbitantes - que chegam a beirar os 15% ao mês -, e que por isso mesmo é onde há mais condições de se queimar mais gordura. "Cada banco tem seu jeito de calcular a relação preço/risco, mas o que eu vejo é que em todos está ocorrendo um movimento descendente nos juros do crédito rotativo", diz o executivo de uma instituição financeira, que pediu para não ser identificado.

Desde o início do ano, o governo federal vem cobrando do sistema bancário a adoção de juros mais baixos como forma de estimular a atividade econômica. Uma rodada ampla foi feita por todos os grandes bancos desde abril, liderados por Banco do Brasil e Caixa. Agora, chegou a vez dos produtos específicos.

O presidente do Santander Brasil, Marcial Portela, já avisou que em cerca de dois anos será possível trabalhar com taxas 50% menores do que as praticadas hoje. Já o Itaú decidiu criar um produto específico com juros mais baixos, mas com uma cobrança diferenciada.

No mercado brasileiro, o cliente tem até 40 dias para pagar a fatura do cartão de crédito e não há incidência de juros, que só são cobrados quando o cliente entra no rotativo, ou seja, deixa de pagar o total ou parte do valor da fatura. É comum também o parcelamento sem juros, em que o lojista arca com o custo desse financiamento, embora o risco de crédito seja da instituição financeira.

No modelo adotado pelo Itaú, no novo cartão Itaucard 2.0, os juros serão cobrados retroativamente à data da compra caso o cliente não pague integralmente a fatura no dia de seu vencimento. Novas compras e parcelas a vencer também terão incidência de juros até o cliente sair do rotativo. A taxa será de 5,99% ao mês, atne uma média de 12% dos demais plásticos.

Cautela
A novidade foi recebida com cautela por profissionais deste mercado. O sócio da Neo Serviços, Álvaro Musa, lembra que no final dos anos 70, quando comandava a Credicard, tentou alterar a mudança na forma de cobrança dos juros para um modelo mais parecido com o dos Estados Unidos, mas a medida não foi bem recebida pelos clientes. "Tentamos corrigir essa distorção que nós mesmos criamos e não conseguimos. Os consumidores não gostaram", disse.

Para Boanerges Ramos Freire, da consultoria Boanerges & Cia, é uma mudança difícil para ser feita apenas por um banco, uma vez que são benefícios (parcelamento e 40 dias sem juros) "sagrados" no mercado brasileiro. "É uma mudança que precisaria ser feita pela associação do setor ou mesmo com pressão política", avalia, acrescentando que para uma mudança dessa ter resultado, o cliente precisa perceber que tem alguma vantagem e a forma complexa de cobrança atrapalha isso.

É justamente por não ver vantagem ao cliente que o executivo de um banco acredita que não há razão para seguir a novidade do Itaú. Ele rejeita que o Brasil deva migrar ao que é praticado nos Estados Unidos, por exemplo, por defender que são culturas diferentes, e lá as taxas de juros são muito mais baixas e os financiamentos da fatura são feitos no longo prazo.

Já o diretor de cartões da Caixa, Mario Ferreira Neto, também defende que o produto seja acessível e adequado à realidade de cada mercado, de maneira a permitir benefícios e valor agregado a todos. No sentido de reduzir os juros, o banco criou o crediário no cartão, em que a taxa de juros é de até 0,89% ao mês com prazo de pagamento de até 48 meses.

Fonte: Brasil Econômico