× Modal
< Voltar


Assuntos diversos

Juro menor faz crédito no BB acelerar no segundo trimestre

Estoque de empréstimos cresceu 20,5% nos 12 meses encerrados em junho, acima dos 19% entre abril de 2011 e março


Em 16.07.2012 às 00:00 Compartilhe:


A agressiva redução dos juros do crédito promovida pelo Banco do Brasil nos últimos dois meses começa a render frutos : aceleração no ritmo do crescimento das operações - de 19% para 20,5% no acumulado nos 12 meses encerrados em março e junho , respectivamente - aumento de clientes e redução de 3,5% para 3,2% nos atrasos acima de 90 dias , em empréstimos para pessoas físicas.

Segundo o vice-presidente de negócios de varejo , Alexandre Abreu , o estoque de crédito da instituição chegou ao final de junho em R$ 508 bilhões. " Percebemos um crescimento forte da demanda depois do " Bom pra Todos " , disse Abreu. " Bom pra Todos " é o nome do programa de taxas menores criado pelo banco em abril.

A maior expansão foi registrada na carteira de pessoa jurídica , que avançou 24,3% em 12 meses e 10% em relação ao valor de março. O volume líquido acrescentado ao estoque das operações dessa modalidade , ou seja , já descontando os pagamentos realizados no período, foi de R$ 16,2 bilhões no segundo trimestre. No primeiro , essa carteira havia crescido apenas R$ 3 bilhões.

Na carteira das pessoas físicas , o avanço em 12 meses está em 20% e , no trimestre , em 7,8% , sendo que o saldo líquido subiu R$ 7,4 bilhões entre abril e junho ante os R$ 2,7 bilhões de janeiro a março.

Para esse segmento , o destaque foi a carteira de veículos. Segundo Abreu, a expansão em junho na comparação com igual mês de 2011 foi de 35,9% e , no segundo trimestre ante o primeiro , 50,1%. " Só no mês passado a expansão , em relação a maio , foi de 26,1%."

Parte desse crescimento o executivo credita às facilidades que o BB forneceu aos clientes na transferência ( portabilidade ) de financiamento de veículos para a instituição. No sistema desenvolvido pelo banco público e que começou a vigorar em maio , a atualização do gravame ( sistema que aponta que um bem , no caso um veículo , possui pendências financeiras ) é feita de forma automática , facilitando a portabilidade. De maio até o final de junho , o BB já registrou 4,2 mil operações de transferência de financiamento de veículos.

O vice -presidente do BB acrescentou ainda que apesar dos juros menores , o banco conseguirá sustentar a sua margem financeira. Para o executivo , os spreads mais baixos estão sendo compensados pelo aumento no volume das operações , menor inadimplência - que exige menos despesas com provisões para calote - e melhora da eficiência operacional. " Sempre buscamos menor custo e maior produtividade " , diz.

Os atrasos acima de 90 dias caíram de 3,5% no primeiro trimestre para 3,3% no segundo trimestre. Considerando apenas veículos , o recuo foi de 2,5% para 1,6%. Esses dados , no entanto, não incluem as operações do Banco Votorantim , no qual o banco público possui participação de 50%. Já na pessoa jurídica a inadimplência ficou praticamente estável , indo de 2,2% no primeiro trimestre para 2,1%.

O analista da Austin Rating Luis Miguel Santacreu considera que o crescimento registrado no segundo trimestre foi forte e irá ajudar o BB a ganhar participação de mercado. " Está evidente que teremos um crescimento mais vigoroso , mostrando mais uma vez o papel de destaque que no mercado de crédito , assim como já havia feito na crise de 2009 " , lembra.

Um ponto de atenção, no entanto, é o comportamento dos gastos com provisões, que só serão conhecidos na divulgação do balanço do segundo semestre , previsto para o mês que vem. " É preciso estar atento à inadimplência ", diz , explicando que a queda registrada pelo BB pode ter sido apenas por efeito estatístico , ou seja , caiu porque o volume de crédito subiu e não por menores atrasos.

O vice-presidente do BB garante que houve redução de fato porque o juro menor está atraindo um correntista mais consciente , portanto , que representa menor risco para o banco. " É um cliente que não topava pagar taxas de juros tão altas " , diz, acrescentando que a prestação menor também contribuiu para reduzir as chances de o cliente enfrentar alguma dificuldade para pagamento.

Fonte: Brasil Econômico