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Assuntos diversos

Dívidas em cartão viram um pesadelo

Segundo a Confederação do Comércio, 74,8% das famílias que têm débitos a pagar estão atoladas com faturas do dinheiro de plástico


Em 28.06.2012 às 00:00 Compartilhe:


As dívidas no cartão de crédito se tornaram o maior tormento para as famílias brasileiras. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que, do total de lares com algum tipo de débito a pagar, 74,8% estão atolados com as faturas do dinheiro de plástico, cujos juros chegam a 600% ao ano no crédito rotativo. "Infelizmente, bancos e lojas criaram uma série de facilidade na hora de oferecer cartões, mas boa parte dos que tiveram acesso a esse meio de pagamento não tinha conhecimento suficiente das regras", disse Mariane Hanson, economista da CNC. Pior: como as administradoras de cartões fazem apenas uma avaliação do perfil de clientes, não identificaram os que acabaram caindo na inadimplência em outras linhas de crédito. Ou seja, continuaram permitindo gastos, apesar do alto risco de calote.

O publicitário Geraldo Lopes, 44 anos, é o retrato fiel das dificuldades enfrentadas pelos brasileiros para honrar os compromissos em dia. Há seis meses, ele devia R$ 3.757 no cartão de crédito. Como não conseguiu pagar o total da fatura, foi rolando uma parcela dos débitos. Agora, com os juros, deve mais de R$ 8 mil. "Perdi o controle do meu orçamento e não imaginei que a fatura fosse ficar tão alta", lamentou. Lopes contou que conseguiu um acordo com a  instituição financeira da qual é cliente para pagar o saldo devedor em 24 parcelas mensais de R$ 337. A boa notícia é que, durante esse período, o cartão ficará bloqueado.

A situação da atendente de turismo Layane Oliveira Carvalho, 20 anos, não está diferente. Depois de se esbaldar com três cartões - um de banco, dois de lojas -, viu seu dia a dia se tornar um inferno. Em apenas um dos cartões deve R$ 900, valor superior ao da sua renda mensal, de  R$ 830. "Estou desesperada. Não sei o que fazer para pagar as contas", afirmou. Ela lembrou que, no começo, os limites de gastos de cada cartão eram de R$ 200. Porém, aos poucos, os valores foram sendo reajustados e acabou se perdendo nas despesas.

Ciente das dificuldades, a assistente administrativa Daiane Pereira, 25, ficará um bom tempo sem usar seu cartão de crédito, por causa da fatura de R$ 1,5 mil com roupas e sapatos. Ela só consegue pagar o mínimo todos os meses, o que poderá levá-la à inadimplência. Para Mariane Hasson, da CNC, o quadro do endividamento no país é preocupante. Mesmo com o total de famílias endividadas caindo do pico de 64,1%, de junho de 2011, para 57,3% neste mês, os lares com débitos em atraso se mantiveram estável, em 23,2%. "Isso quer dizer que nem os juros mais baixos estão facilitando o acerto de dívidas", frisou a economista.

Fonte: Correio Brasiliense