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Assuntos diversos

Banco Central prevê expansão de carteiras em 15% para 2012

Com o agravamento do cenário internacional, os bancos devem ser mais cautelosos na concessão de crédito em 2012, que deve crescer 19% nos bancos públicos


Em 23.12.2011 às 00:00 Compartilhe:


Com o agravamento do cenário internacional, os bancos devem ser mais cautelosos na concessão de crédito em 2012. O Banco Central (BC) prevê crescimento menor ano que vem, de 15%, ante alta de 17,5% neste ano e de 20,5% em 2010. Na relação com o PIB, deve subir de 48,4% este ano para 51%.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, a velocidade da expansão do crédito deve desacelerar, mesmo considerando projeções de dentro e fora do governo para um PIB melhor, inflação menor e seguimento da trajetória de queda do juro no próximo ano.

Mas destaca que a autoridade monetária já tem indicações claras de desaceleração, pois as instituições financeiras adotaram maior rigor e estão mais seletivas nas concessões, sinal de preocupação com a crise.

"Temos um cenário internacional em um momento mais delicado, de incertezas. Entramos 2011 com crescimento bem acentuado da atividade, mas foram tomadas medidas macroprudenciais, para conter a inflação", que reduziram a velocidade de expansão do crédito.

Até novembro, o estoque de crédito bancário crescia 16,3% sobre período igual de 2010, atingindo R$ 1,984 trilhão. E na relação com o PIB chegou a 48,2%.

Maciel reduziu a projeção do crédito em relação ao PIB, que estava em 48,5% para 48,4% em 2011, embora tenha elevado a taxa de crescimento de 17% para 17,5%. Isso em função da piora nas expectativas para o PIB do ano, explicou.

O crédito deve crescer 19% nos bancos públicos em 2012, ante 20,5% esperados para este ano. Enquanto os privados nacionais terão expansão de 12%, ante 14,5% em 2011, com maior desaceleração esperada no aumento do crédito dos bancos estrangeiros, de 17,5% agora para 13% ano que vem.

O crédito livre deve crescer 12% em 2012, ante 15% neste ano. O direcionado (habitacional, rural e BNDES) pode subir 21% no ano que vem, ante 22,5% em 2011.

O crédito imobiliário deve continuar como principal modalidade ano que vem, depois de aumentar 46,7% em 12 meses até novembro. E a alta da atividade econômica deve ampliar a oferta de linhas de capital de giro.

Ao detalhar a nota de crédito do BC, Maciel avaliou que movimento do crédito em 2011, sob efeito das medidas macropudenciais, "foi saudável para o sistema". Mas se a taxa de expansão do crédito foi menor, a inadimplência subiu. Em novembro, o nível de atrasos acima de 90 dias em operações bancárias atingiu 5,6%, o mais alto desde o fim de 2009.

Maior pressão sobre a inadimplência veio do financiamento a veículos, modalidade que teve um boom em 2010, com alta de 50% no volume. Neste ano, até novembro, esse crédito cresceu 25% sobre igual intervalo anterior.

Já a inadimplência no financiamento bancário a veículos registrou a taxa recorde de 4,9% no ano até novembro, o dobro dos 2,5% verificados ao fim do ano passado. Nas operações vencidas entre 15 e 90 dias, essa taxa é quase o dobro: 8,3% pelos números do BC.

Maciel lembrou que as restrições das medidas macroprudenciais miraram, justamente, o crédito a veículos.

Para ele, a cautela que os bancos estão adotando nas concessões deve induzir certa desaceleração na inadimplência bancária em 2012. Um sinal neste sentido é a queda de 0,4 ponto percentual nos atrasos entre 15 e 90 dias de empréstimos de pessoas físicas. A inadimplência do segmento apontava para 7,3% em novembro.

Quanto ao custo do dinheiro, há tendência de baixa, na esteira da trajetória de queda da Selic iniciada em agosto. A taxa geral de juros ficou em 38,5% ao ano em novembro, recuo de 0,7 ponto percentual sobre outubro e menor desde fevereiro (38,1%).

A redução mais forte foi em linhas de crédito pessoal, com menos 3,6 pontos para 48,6% anuais. Mas linhas emergenciais como o cheque especial tiveram alta. O cheque especial teve alta de 4,6 pontos, situando-se em 188,4% ao ano no mês passado, segundo o BC.

Fonte: Valor Econômico