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Banco do Brasil

Alívio no consignado beneficia Banco do Brasil

Relaxamento das medidas anunciadas pelo Banco Central beneficia o banco


Em 07.12.2011 às 00:00 Compartilhe:

Por Cristiano Romero | De Brasília

 

Líder no segmento de crédito consignado, o Banco do Brasil (BB) está sendo a instituição mais beneficiada pelo relaxamento das medidas macroprudenciais anunciadas há três semanas pelo Banco Central (BC). Quando as medidas foram adotadas, em dezembro de 2010, o BB foi um dos mais afetados justamente porque o BC procurou forçar o encarecimento das linhas de crédito mais baratas e que estariam provocando endividamento excessivo das famílias.

"O BB é líder do mercado e essa linha [dos empréstimos consignados], a mais barata do mercado e a que mais ajuda no endividamento das famílias, foi penalizada pelo aumento de consumo de capital por operação. Agora, com o relaxamento das medidas, somos os mais beneficiados. Então, é natural que tenhamos um potencial maior de fazer negócio", explicou um técnico do banco.

O Banco Central estabeleceu em novembro que as operações de crédito consignado, de até 60 meses, passaram a receber fator de ponderação de risco (FPR) de 75%. No caso das operações acima de 60 meses, o FPR foi fixado em 300%. Esta foi a forma encontrada pelo BC de facilitar a concessão de crédito consignado, mas desde que limitada a prazos de até 60 meses.

Em 2010, alguns bancos vinham concedendo empréstimos consignados com prazo de até 120 meses. No caso dos financiamentos de automóveis, os prazos também superavam 60 meses, o que fez o BC baixar medidas duras no fim de 2010 e início deste ano, com o objetivo de evitar uma explosão de inadimplência.

"A medida [adotada agora pelo BC] teve como objetivo principal promover o aquecimento da economia por meio do incentivo ao crédito para consumo, na medida em que reduz o consumo de capital para os bancos", disse um assessor graduado do governo. "[A medida] proporciona às instituições financeiras maior capacidade de oferta de crédito para pessoas físicas em prazos compatíveis com a destinação dos recursos e, acima de tudo, com a preocupação de evitar super endividamento dos consumidores brasileiros. Com isso, o regulador sinalizou ao mercado aquilo que considera como boa prática na concessão de crédito, em especial o crédito para consumo, no caso, a limitação de prazo em 60 meses."

Por causa do abrandamento das medidas macroprudenciais, o BB está acelerando a concessão de crédito. Em novembro, as concessões de crédito consignado e crédito pessoal com débito em conta tiveram o melhor desempenho do ano, com liberação total de R$ 5,557 bilhões. No caso dos empréstimos consignados, o desembolso no mês passado bateu recorde mensal - R$ 3,6 bilhões.

O impacto das medidas macroprudenciais nas finanças do Banco do Brasil foi tão forte que, segundo uma fonte, elevou o seu índice de Basileia - a relação entre o Patrimônio de Referência (PR) e os ativos ponderados pelo risco - para 14,52% (posição de 30 de setembro). O índice mínimo exigido pelo Comitê de Basileia é 8%, mas, no Brasil, o BC exige índice de 11%.

Em 2009, quando o Banco do Brasil e os outros bancos estatais foram acionados pelo governo para acelerar a oferta de crédito para ajudar no enfrentamento da crise financeira internacional, o índice de Basileia do BB se distanciou do dos bancos privados, que, na ocasião, adotaram postura mais conservadora. Em 2010, esses bancos também ampliaram a oferta de crédito, diminuindo a distância de seus índices de Basileia para o do BB - de fato, em setembro, o índice do Bradesco era de 14,7% e o do Itaú Unibanco, 15,5%.

O comando do Banco do Brasil não vê nenhuma necessidade, neste momento, de aumentar o capital. O mercado está fechado para novas captações e o Banco Central vai colocar em audiência pública as regras que adotará no Brasil a partir de Basileia 3. Uma nova capitalização - a última foi feita em meados de 2010 - é algo que a diretoria acredita que só precisará avaliar no fim do próximo ano.

"A orientação do conselho diretor do banco é que façamos uma gestão conservadora do capital e da liquidez e que procuremos dar a maior rentabilidade possível para o banco. Com resultados crescentes, como vimos apresentando, você captura um reforço na estrutura de capital e diminui a necessidade de Basileia no futuro", informou uma fonte.

Fonte: Valor Econômico