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Banco do Brasil

BB acelera concessão para pessoa física

A estratégia é parte do esforço do governo para estimular a atividade econômica neste fim de ano


Em 05.12.2011 às 00:00 Compartilhe:

Por Cristiano Romero | De São Paulo

 

Como parte do esforço do governo para estimular a atividade econômica neste fim de ano, o Banco do Brasil (BB) acelerou a concessão de crédito em novembro para pessoas físicas. Na modalidade de crédito consignado, o desembolso no mês passado atingiu R$ 3,6 bilhões, resultado 80% superior ao de outubro e recorde da série histórica da instituição.

Somando-se o crédito consignado ao crédito pessoal para pessoa física com pagamento por meio de débito em conta, os desembolsos somaram R$ 5,557 bilhões, 70% acima do que foi concedido em outubro e 41% à frente do melhor desembolso ocorrido em 2011 - R$ 3,940 bilhões, em agosto. Os números mostram que, nessas duas modalidades, o BB vem acelerando a concessão de crédito desde janeiro deste ano.

No primeiro mês do ano, o banco emprestou em crédito consignado e débito em conta R$ 2,554 bilhões, menos da metade do que foi concedido em novembro. A média diária de concessões de janeiro a outubro foi de R$ 157 milhões. Em novembro, saltou para R$ 278 milhões.

A concessão de financiamentos para compra de automóveis também acelerou em novembro - a média diária pulou de R$ 8 milhões em outubro para R$ 11 milhões no último mês. O desembolso total chegou a R$ 226 milhões, 52% acima do resultado de outubro e 11% superior ao melhor resultado de 2011 (ocorrido em junho, quando foram emprestados R$ 203 milhões).

O BB já planejava, em setembro, elevar a disponibilidade de crédito para pessoa física. A estratégia era identificar possíveis tomadores de crédito dentro da própria base de correntistas do banco. O resultado de outubro, no entanto, frustrou as expectativas. Paulo Caffarelli, vice-presidente da instituição e responsável, entre outras áreas, pelo segmento de crédito, disse ao Valor que uma das razões para o baixo desempenho de outubro foi a greve dos funcionários, que durou mais de 20 dias.

"Em novembro, retomamos nossa estratégia. Com base no CRM (sigla em inglês de Customer Relationship Management ou gerenciamento de relacionamento com o cliente), o BB constatou que, dos 56 milhões de clientes, 13 milhões são propensos a tomar crédito, mas apenas cinco milhões têm, hoje, empréstimos com o banco. Dos oito milhões restantes, 3,8 milhões estão "limpos", ou seja, não estão endividados nem usam instrumentos como o cheque especial", informou Caffarelli. "Estamos ampliando o limite disponível de crédito da carteira de pessoa física em R$ 54,3 bilhões."

O vice-presidente do BB contou que o relaxamento das medidas macroprudenciais anunciado pelo Banco Central (BC) há três semanas facilita a estratégia do banco neste momento. Em geral, o BC dificultou a concessão de financiamento para prazos superiores a 60 meses, mas facilitou as regras para prazos inferiores.

Por causa das medidas, o BB decidiu reduzir o prazo máximo de suas operações de empréstimo de 96 para 60 meses - hoje, segundo Caffarelli, 64% do saldo está contratado em até 60 meses. No crédito consignado, o banco cortou a taxa de juros em até 0,4 ponto percentual nas operações com prazo entre 37 e 60 meses. No financiamento de veículos, a taxa caiu 0,5 ponto percentual no crédito de até 60 meses. Nas modalidades de crédito pessoal (débito em conta), com prazo de 25 a 36 meses, as taxas caíram em até 0,2 ponto percentual.

Caffarelli não teme a postura "agressiva" do BB num momento de incerteza vivido pela economia brasileira, face à turbulência internacional. "Em setembro, nosso nível de inadimplência [atraso de pelo menos 90 dias no pagamento de empréstimos] estava em 2,1%, diante de 3,5% de média do mercado", afirmou.

Somando todas as modalidades de crédito - pessoa física, pessoa jurídica (micro e pequenas empresas - MPE), pessoa jurídica (sem MPE) e produtor rural -, e sem considerar a carteira externa, o Banco do Brasil tem uma disponibilidade para financiamentos total de R$ 1,224 trilhão. Desse volume, o banco utilizava até novembro apenas 36,7%. Ou seja, ainda tem uma margem para expandir o crédito de R$ 788,633 bilhões.
 

Fonte: Valor Econômico