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Banco do Brasil

BB questiona dependência do agronegócio de investimento externo

Vice-presidente de Agronegócio afirma que capital estrangeiro não chega a 20% do total de investimentos


Em 10.11.2011 às 00:00 Compartilhe:

O vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil, ex-senador Osmar Dias (PDT/BR), contesta os argumentos apresentados por consultorias sobre o impacto que a restrição à compra de terras por empresas estrangeiras teria sobre o setor agropecuário. Dias afirmou ter encaminhado um levantamento para a Advocacia-Geral da União que mostra que a participação do capital estrangeiro não chega a 20% do total de investimentos no agronegócio e deve diminuir nos próximos anos por causa da crise financeira nos países da zona do euro.

Para ele, o capital externo é importante em atividades que dependem dos investimentos de empresas que têm sócios estrangeiros, como celulose e cana-de-açúcar. O mesmo ocorre em regiões onde é expressiva a participação das tradings no financiamento da safra por meio do sistema de troca de grãos por insumos, caso de Mato Grosso. Osmar Dias destaca que os R$ 83 bilhões da carteira de crédito rural do Banco do Brasil no terceiro trimestre deste ano correspondem a 65% no total de recursos disponibilizados para o setor pelo sistema financeiro.

Engenheiro agrônomo e produtor rural, Osmar Dias defende a limitação na compra de terras por empresas estrangeiras por causa da questão da soberania e dos interesses econômicos e sociais na Nação. Ele afirma que como produtor poderia até ser favorável à abertura total, já que seria favorecido pela valorização da terra. "Mas tenho que pensar como brasileiro", acrescenta.

Uma das preocupações de Osmar Dias no Banco do Brasil é com a sustentabilidade da atividade agropecuária. Sua meta é viabilizar "um sonho antigo", que é o seguro de renda. A modalidade está sendo colocada em prática por meio de projeto-piloto em várias regiões do País, primeiramente destinado a produtores de soja. Ele explica que o cálculo do prêmio leva em conta a produtividade média do município e a projeção da renda do produtor caso tenha travado preço para maio, que é o principal mês de referência para o vencimento dos contratos da soja brasileira nas bolsas de futuros. O seguro cobre 70% da renda prevista e o valor do prêmio conta com 50% de subvenção do governo. O desempenho da nova modalidade será avaliado no final da safra.

Outra aposta de Osmar Dias é o recém-criado programa que incentiva a Agricultura de Baixo Carbono. O Banco do Brasil será responsável pelo repasse de R$ 850 milhões dos R$ 3,1 bilhões destinados pelo governo federal ao programa. Ele diz que o início está lento, com aplicação de pouco mais de R$ 200 milhões, mas deve deslanchar nos próximos meses, pois o principal entrave era a falta de técnicos capacitados para elaboração dos projetos. O problema foi resolvido por meio de treinamentos feitos em conjunto com cooperativas, federações de Agricultura e governos estaduais.

 

Queda na inadimplência

O dirigente também comemora a redução da inadimplência da carteira de crédito rural, que chegou a 4,7% em 2005, no auge da crise do agronegócio, provocada pela quebra de safra e baixos preços. Dias afirma que a inadimplência da carteira de crédito rural ajuda a reduzir a inadimplência geral do banco, pois está em 0,9%, mesmo com 90 dias de vencimento. Ele explica que um dos fatores que incentivaram a redução da inadimplência no crédito rural foi a retirada da trava que impedia os produtores de tomar novos empréstimos. Com o fim da restrição, 40 mil produtores voltaram a ter acesso a novos créditos.

Dias defende a modernização do crédito rural. "Deve ser rotativo, renovável e sistêmico", pregou. Ele explica que o financiamento deve ser direcionado à propriedade e não a uma cultura específica, como no modelo atual. A proposta seria abrir um limite de crédito de cinco anos para o produtor, que não precisaria a cada ano ter despesas com cartórios para renovação dos contratos. Ele argumenta que o setor precisa de uma "nova onda de crédito rural, para incentivar a retomada da expansão da produtividade no campo, sem a necessidade de abertura de novas áreas".

O dirigente também diz estar otimista em relação à rentabilidade da safra 2011/2012 e cita uma contribuição do banco, que neste ano antecipou em três meses a liberação dos recursos de pré-custeio. Em abril foram liberados R$ 3 bilhões, que permitiram aos agricultores comprar o adubo antes da alta de preços que ocorreu em julho. Os produtores também foram favorecidos pelo câmbio, pois fecharam negócios com o dólar na faixa de R$ 1,65. Dias cita um consultor do banco que apontou redução de 10% nos custos por causa da antecipação do pré-custeio. O banco liberou, a partir de setembro, R$ 1 bilhão para o custeio do algodão de segunda safra e milho safrinha, recurso que normalmente seria liberado em dezembro.

Segundo Osmar Dias, a agricultura comercial responde por 250 mil contratos do universo de 1,5 milhão de contratos da carteira de crédito rural do banco. A diferença de 1,25 milhão de contratos se refere a financiamentos de linhas de créditos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). "A rede tem um trabalho imenso para atender todos destes contratos, mas o resultado é o combate à miséria no campo através de um programa efetivo de distribuição de renda. O Banco do Brasil responde por 75% dos recursos do Pronaf."

Fonte: Agência Estado