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Banco do Brasil

BB esvazia sede no DF ao transferir um terço das diretorias para SP

Toda a transferência para São Paulo deve ocorrer até 2014


Em 29.09.2011 às 00:00 Compartilhe:

Na surdina, o Banco do Brasil está desidratando suas instalações em Brasília, num movimento que pode resultar no esvaziamento econômico do Distrito Federal. Até 2014 pretende enviar para São Paulo um número expressivo de funcionários — pelo menos um terço das diretorias e cerca de 2 mil empregados das áreas que não lidam diretamente com o público estão de mudança. A maior parte da operação deve ser concluída até 2012, ano das eleições regionais.

 

Nos bastidores, fala-se que a estratégia visa fortalecer o PT no pleito. Tanto é assim que, nos gabinetes mais altos do Planalto Central, a sigla BB ganhou outro significado: Banco do Berzoini, uma referência ao deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), considerado o articulador do movimento. Ex-funcionário do BB e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ele mantém grande influência sobre a instituição desde o  governo Lula.

A mudança para São Paulo começou a ser preparada em 2010, quando parte da gerência de Agronegócio e da Diretoria Comercial, que cuida dos grandes clientes empresariais, instalou-se na capital paulista. A cidade de São Paulo levou ainda um terço da diretoria de Crédito e 70% da de Marketing, que, na transição, dobrou seu orçamento de R$ 240 milhões para R$ 420 milhões. A próxima a migrar é a área de Suporte Operacional.

“Áreas de interesse social e negocial devem mudar, mas a sede do banco não sai de Brasília, ela não pode, tem de ficar junto à capital”, disse um técnico que prefere se manter anônimo.

Caixa acompanha
A Caixa Econômica Federal também estaria fazendo movimento semelhante e levando áreas para São Paulo — até a divulgação de informações sobre a instituição, como balanços e estatísticas, foi, em grande parte, transferida para a capital paulista.

Para Adelmir Santana, ex-senador e atual presidente da Federação Nacional do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio), a situação é larmante e causará impacto negativo sobre a economia local. “São funcionários de boa renda que deixam a cidade. É uma medida fora de propósito”, criticou.

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) fez coro. “É um absurdo essa situação. Duvido que a presidente Dilma tenha conhecimento disso”, afirmou. “Vamos reunir a bancada do DF para manifestar nosso repúdio a essa medida e cobrar a reversão das transferências”, garantiu.

Força de Berzoini
O Sindicato dos Bancários do DF também é contra a restruturação no BB. Segundo Eduardo Araújo, um dos diretores da entidade, a maioria das transferências não atende a critérios técnicos. “Devem levar gente de todo o país para São Paulo e uma parte para o Paraná”, explicou. Araújo afirmou que o processo está ocorrendo de maneira gradual para não chamar a atenção. “A cada semestre uma diretoria vai para São Paulo”, observou.

Procurado pelo Correio, Ricardo Berzoini afirmou que “há meses” está afastado dos assuntos do Banco do Brasil. “Não tenho influência nenhuma, no máximo uma boa relação com o sindicato. Isso é uma fantasia”, rebateu. A Caixa Econômica negou que esteja transferindo setores para São Paulo.

O BB informou que “qualquer ilação com política é descabida” e que não tem ligação alguma com  Berzoini. Disse que “não existe informação oficial” acerca da migração de um terço das diretorias e de 2 mil empregados para São Paulo. Destacou ainda que nas representações das diretorias da instituição na capital paulista trabalham o equivalente a 10% dos funcionários lotados no DF.

A instituição informou também que, apesar de ser líder em todas as regiões do país, o BB ocupa a terceira colocação no mercado paulista e que, por isso, reposições de áreas de negócios sempre são analisadas buscando a liderança. “Mas isso não significa que o BB esteja se mudando para lá”, afirmou o banco em nota.

Centro financeiro
Os funcionários do Banco do Brasil transferidos de Brasília se instalaram em dois prédios na Avenida Paulista, um dos principais centros financeiros da capital de São Paulo. Um dos edifícios foi recentemente adquirido pela instituição e outro  pertencia ao Banco Nossa Caixa, cujo controle acionário passou para o BB em março de 2009. Um dos argumentos para a compra de um dos edifícios foi a proximidade com grandes clientes.

Fonte: Correio Braziliense