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Assuntos diversos

População brasileira quer mais crédito apesar das altas taxas cobradas

A taxa de crescimento do crédito passou de 15% para 17%


Em 28.09.2011 às 00:00 Compartilhe:


Mesmo com os juros altos e as medidas restritivas ao crédito adotadas pelo governo, a população brasileira está consumindo muito. Tamanha disposição para gastar obrigou o Banco Central a redimensionar a taxa de crescimento do crédito, de 15% para 17%, em 2011. Nessa nova estimativa, os bancos públicos vão continuar puxando a oferta de dinheiro.

Neles, a taxa de financiamento passará de 15% para 18%, de acordo com as projeções do BC. Até o fim do ano, o crédito deverá atingir o equivalente a 49% do Produto Interno Bruto do (PIB, soma de todas as riquezas do país). A estimativa anterior era de que essa relação ficasse em 48%.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Túlio Maciel, admitiu que o ritmo de expansão da concessão de financiamentos no país está um pouco acima do esperado, mas chamou a atenção para sua redução desde janeiro, na comparação com 2010. Em 12 meses, a taxa de crescimento do crédito está em 19,4%. Mas ela caiu para 10,7% entre janeiro e agosto.

“O crescimento vem desacelerando e essa taxa mais moderada é compatível com a expansão sustentável da economia brasileira”, avaliou.

Nem mesmo o índice de inadimplência das famílias, que está no nível mais elevado desde abril do ano passado, assusta o técnico do BC. Em agosto, o percentual de pagamento com atrasos superiores a 90 dias alcançou 6,7%.

Para Maciel, o indicador reflete as medidas restritivas impostas à concessão de créditos, que vinha muita acelerada, a exemplo do empréstimo consignado e do financiamento para a aquisição de veículos.

Portanto, a aposta da autoridade monetária é de que a dificuldade para o pagamento de débitos atrasados seja momentânea. “A taxa de inadimplência para atrasos entre 15 e 90 dias vem caindo”, reforçou Maciel.

Automóveis
O consumidor que pegou financiamento bancário em agosto está pagando caro. Se ele optou pelo crédito pessoal, está pagando, em média, uma taxa de 49,6% ao ano — o custo já subiu 5,5 pontos percentuais este ano. No cheque especial, os juros até tiveram uma ligeira retração, de 188% ao ano em julho para 187,5% em agosto. Contudo, a queda não representa nada quando comparada à elevação de 16,8 pontos percentuais da taxa no ano.

O custo do financiamento de veículos permaneceu no mesmo patamar, de 29,4% ao ano, em média — uma queda de apenas 0,1 ponto percentual de um mês para o outro. A taxa para automóveis não é muito diferente dos juros do crédito consignado.

Em média, segundo o BC, trabalhadores e aposentados que pegam empréstimos com desconto em folha estão pagando 28% ao ano — embora alto, é o crédito mais barato do mercado.

Para as empresas, a situação é um pouco diferente. A taxa global dos empréstimos até caiu — de 31,4% em julho para 30,9% em agosto. Mas houve aumento em linhas específicas: o desconto de duplicatas, por exemplo, modalidade muito usada por pequenos e médios estabelecimentos, teve alta de 0,9 ponto percentual, com os juros passando de 42,9% em julho para 43,8% em agosto.

Crise assusta o consumidor
A forte deterioração do cenário econômico mundial, a pressão da inflação e a menor pujança do mercado de trabalho brasileiro derrubaram a confiança do consumidor em setembro, mês em que o índice medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu 3,4% em relação a agosto, atingindo 114,7 pontos. A crise na Europa, com destaque para a Grécia, e o medo de seus reflexos atingirem o Brasil ajudaram a explicar o aumento do pessimismo. Mas o desaquecimento da economia brasileira e seus efeitos sobre o mercado de trabalho, além da alta da inflação, foram os fatores que mais contribuíram para a segunda queda seguida no índice de confiança. “Tudo isso derrubou o humor do consumidor”, disse a economista Viviane Seda, da FGV.

Fonte: Correio Braziliense