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Banco do Brasil

BB é empresa com maior número de acionistas

Posição foi conquistada após oferta pública, que garantiu lote de 30% para o varejo


Em 05.07.2011 às 00:00 Compartilhe:

A oferta pública de ações realizada em junho do ano passado pelo Banco do Brasil garantiu à instituição o posto de empresa com maior número de investidores individuais em 2011, de acordo com levantamento realizado pelo Valor com 84 companhias que compõem o IBrX, índice que inclui as empresas mais negociadas da BM&FBovespa.

 

Após uma oferta com grande apelo popular, o Banco do Brasil alcançou um total de 402 mil acionistas pessoas físicas, um ganho de 71 mil novos investidores ante o início de 2010. Com isso, a empresa ultrapassou o Bradesco, cuja base de investidores ficou praticamente estável, em 341 mil, no terceiro lugar no ranking de 2011, atrás também da Petrobras, que ganhou 36 mil novos investidores após a oferta de ações realizada em outubro.

Os dados comparam as informações divulgadas nos Formulários de Referência das empresas em 2010 e 2011, na virada do primeiro semestre de cada ano.

Os investimentos realizados por meio do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não entram nos dados informados pelas empresas. O ranking também não considera as companhias de telefonia, que ainda trazem uma base inchada por acionistas inativos.

De acordo com Leonardo Loyola, gerente de mercado de capitais do Banco do Brasil, o investidor pessoa física dá mais estabilidade à base de acionistas da empresa, pulverizando o capital, o que evita oscilações bruscas. Um estudo interno mostra que grande parte dos investidores que adquiriram ações do banco em 2006 ainda detém papéis da empresa.

A oferta de ações do banco no ano passado teve uma reserva de 30% para o varejo, acima da média das emissões, que gira em torno de 10%. Do volume alocado para os pequenos acionistas, 10% foram reservados para funcionários do banco, que podiam comprar papéis à vista com direito a bônus de 12%, ou a prazo, em 12 meses sem juros, com bônus de 6,72%. Houve ainda um investimento intensivo em marketing e treinamento da equipe das agências para fazer a operação de venda e pós-venda de ações aos correntistas, afirma o executivo.

Dentre as empresas que não emitiram ações, o setor de siderurgia foi o que mais atraiu investidores individuais. A Usiminas ganhou 14,3 mil novos acionistas pessoas físicas, a segunda maior adição. Em seguida, veio a Gerdau, com 12,1 mil novos pequenos acionistas. Preços atrativos e marcas consolidadas ditaram a escolha. De acordo com o analista Gustavo Pires, da XP Investimentos, o recuo de 21% nos preços das ações no último ano pode ter sido interpretado como um bom momento de entrada para os pequenos investidores. "O investidor individual é muito sensível a preço", explica. "Como são empresas de marcas conhecidas e com fundamentos sólidos, o investidor pode ter achado que a ação estava barata."

Em 2010, houve boatos de que a Gerdau estaria interessada em adquirir a Usiminas, reforçados pelo aumento da participação da CSN na primeira empresa, que foi interpretado como uma tentativa de dificultar a fusão entre as concorrentes.

O aumento 464,7% na base de investidores individuais da PDG Realty, o maior em termos proporcionais e que garantiu à empresa de construção a quinta posição em novos acionistas pessoas físicas em termos absolutos (8,6 mil), pode ser atribuído à incorporação da Agre, ocorrida em junho de 2010.

Ainda em termos proporcionais, merece destaque a Redecard, cuja base aumentou 109%, totalizando 6,5 mil investidores individuais, seguida pela Anhanguera, dona da rede de ensino Pitágoras, cujo número de acionistas pessoas físicas dobrou, de 300 para 600. A quantidade de pequenos acionistas do frigorífico Marfrig também quase dobrou, passando de 3,9 mil para 7,5 mil, enquanto a base da Odontoprev subiu 80%, somando 900 investidores individuais.

É o primeiro ano em que é possível acompanhar a evolução do número de acionistas pessoas físicas entre as empresas. A informação é divulgada no Formulário de Referência, requerido pela primeira vez pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2010. Ao longo da apuração, no entanto, foram encontradas diversas inconsistências na apresentação dos dados pelas companhias, que tiveram de ser confirmados com o departamento de relações com investidores das empresas.

Muitas companhias apresentavam dados desatualizados. A mineradora Vale, por exemplo, reportava no formulário de 2011 a posição acionária referente a 22 de junho de 2010 - a exigência da CVM é que o documento disponibilize a informação referente à última assembleia. A Eletropaulo também divulgava o número referente à assembleia de abril de 2010 e, após procurada pela reportagem, reapresentou o documento à CVM com informações referentes a abril deste ano.

Os próprios critérios de contabilização ainda não foram completamente assimilados pelas empresas. A versão 3.0 do formulário de 2011 do Itaú Unibanco, apresentada em 13 de junho, apontava que, em abril deste ano, 261 mil pessoas físicas detinham papéis da empresa, o que implicaria ganho de 71 mil acionistas em relação à posição de 2010. Em reapresentação do documento efetuada no dia 22, a quantidade de pequenos investidores reportadas passou para 195 mil, um aumento bem mais modesto, de apenas 2 mil acionistas, na comparação com o ano passado.

Procurado, o banco informou por meio de sua assessoria de imprensa que os 261 mil acionistas consideravam duas vezes investidores que detinham ações preferenciais (sem direito a voto) e ordinárias (com voto). Na correção efetuada na semana passada, a dupla contagem foi eliminada.

Fonte: Valor Econômico