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Banco do Brasil

Banco do Brasil será banco da Vale na Argentina

Após aquisição do Patagônia, instituição também fará repasses do BNDES no país


Em 28.06.2011 às 00:00 Compartilhe:

Dois meses após assumir a gestão do Patagônia, sua primeira aquisição no exterior, o Banco do Brasil fechou seus dois primeiros acordos de grande porte para avançar no mercado argentino. Ambos aproveitam a integração comercial e a presença das empresas brasileiras na Argentina. Um deles transforma o Patagônia no principal agente financeiro do projeto Potássio Rio Colorado, investimento de US$ 4,5 bilhões que a Vale faz na região de Mendoza, para produzir até 4,3 milhões de toneladas de potássio por ano. O financiamento do investimento em si, a princípio, não está no pacote. O banco vai assumir a folha de salários dos funcionários e o pagamento a fornecedores.

 

O segundo contrato prevê o repasse de US$ 200 milhões do BNDES para financiar a compra de máquinas e equipamentos fabricados no Brasil por importadores da Argentina, do Chile e do Paraguai. Para evitar o aumento do desequilíbrio comercial entre os dois maiores sócios do Mercosul, que gerou uma escalada do protecionismo de lado a lado, o Patagônia pediu sinal verde ao Banco Central da Argentina para usar os dólares de suas reservas depositados na instituição a fim de financiar a compra de produtos argentinos por importadores brasileiros.

"Dependendo do prazo de financiamento autorizado, podemos focalizar essa linha em um ou outro setor", afirmou ao Valor o vice-presidente do Patagônia, João Carlos de Nóbrega Pecego. Na linha do BNDES, o prazo chegará a cinco anos e será usada a taxa Libor como referência, mais um prêmio de risco. "O mais importante é que queremos mostrar que viemos à Argentina com o espírito de integração", disse Pecego.

No caso do projeto da Vale em Mendoza, o Patagônia fechou acordos com duas das três empreiteiras contratadas pela mineradora: a Odebrecht, responsável pelas obras de instalação da mina, e a Andrade Gutierrez, que construirá um terminal portuário para escoar o potássio por Bahía Blanca. O banco também negocia com a terceira grande empreiteira envolvida no empreendimento, a Camargo Corrêa, encarregada de adequar e ampliar a linha ferroviária entre a mina e o porto. Fornecedores e empregados receberão exclusivamente pelo Patagônia. Só pela Odebrecht, serão 4,5 mil funcionários.

"O efeito cascata é muito interessante", ressaltou Pecego, lembrando as oportunidades que essas parcerias devem abrir. Os trabalhadores, com suas contas-salário, tendem a continuar no Patagônia como clientes. Com os fornecedores, o banco tem condições de estruturar linhas específicas de crédito, já que fica com a garantia de recebimento do dinheiro. Está nos planos, inclusive, a abertura de uma miniagência no remoto município de Malargüe, sede do projeto.

À frente de um plano de negócios ousado do BB, que prevê o aumento da rede de agências do Patagônia em 40% até 2014, o executivo dá os últimos retoques para a abertura de uma área "corporate" do banco. A divisão começará a funcionar em agosto para cuidar especificamente de empresas argentinas e estrangeiras, com faturamento superior a US$ 100 milhões e atuação em dois ou mais países. "Queremos conhecer e trabalhar com companhias que tenham fluxos comerciais entre países, com atuação regional ou global."

Na área de varejo, uma das novidades é um acordo de exclusividade com a Gol, na Argentina, para oferecer cartões de crédito que rendam pontos para viagens com a companhia aérea. O Patagônia também acabou de lançar uma versão "platinum" dos seus cartões, com acesso a salas vip nos aeroportos. As expectativas de negócios nessa área não são reveladas. De acordo com o ranking de entidades financeiras da Argentina, elaborado mensalmente pelo Banco Central, o Patagônia é o 11º em ativos e em patrimônio líquido. O objetivo do BB, que gastou US$ 479 milhões para comprar o banco no ano passado, é posicioná-lo entre os três maiores privados até o fim de 2014. A liderança é exercida com folga pelo Banco de la Nación, de controle estatal. Entre os privados, nacionais ou estrangeiros, sete instituições estão à frente do Patagônia atualmente - Santander Río, Macro, Galicia, BBVA Francés, HSBC, Credicoop e Citibank. O BB também pretende usar a bandeira Patagônia para operar no Uruguai. O pedido para funcionar como instituição financeira local já foi remetido ao Banco Central do país.

Fonte: Valor Econômico