× Modal
< Voltar


Assuntos diversos

Petrobras agora afirma que preço da gasolina pode subir

O presidente da estatal, disse que, se os preços do petróleo permanecerem no atual patamar, haverá reajuste


Em 07.04.2011 às 00:00 Compartilhe:


A Petrobras mudou o discurso e considera subir os preços dos combustíveis. O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, disse na quarta-feira (6/4) que, se os preços do petróleo permanecerem no atual patamar, haverá reajuste.

Na semana passada, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, havia dito que a estatal não faria nenhuma alteração no preço. Na quarta-feira (6/4), porém, Gabrielli se mostrou preocupado. "Caso se configure uma estabilização do petróleo no mercado internacional, nós teremos de alterar os preços do petróleo e de derivados no Brasil", disse, em São Paulo.

"Mas ainda não está muito claro se os preços serão estabelecidos nesse patamar", ponderou, sem dar prazo para o possível aumento. Apesar da afirmação de Gabrielli, Guido Mantega negou que haverá reajuste. Durante entrevista para anunciar medidas cambiais, o ministro foi questionado se estaria preocupado com um aumento de preço. "Eu não estou preocupado com a alta da gasolina porque não há alta de gasolina."

Os jornalistas então informaram ao ministro da Fazenda que a Petrobras sinalizou aumento no combustível. Ele, no entanto, insistiu em que não haveria reajuste. "Não há alta da gasolina no Brasil e não está prevista nenhuma alta", afirmou.

Ontem o petróleo Brent fechou a US$ 122,30, alta de 22% em dois meses. "É uma variação muito grande", disse Gabrielli. Na terça, a gasolina nas refinarias da Petrobras estava 15% mais barata que a vendido na Costa do Golfo, nos EUA (referência de mercado), segundo a Tendências Consultoria.

Mas, desde 2008, quando o petróleo desabou refletindo a crise, até o fim do ano passado, a Petrobras praticou preços superiores aos do mercado externo. No período, a política de não repassar a volatilidade dos preços externos para o mercado interno beneficiou a empresa. Desde a última mudança de preço, em junho de 2009, os valores domésticos da gasolina estiveram 16% maiores que os externos, em média, segundo a Tendências.

"A defasagem começou no final de 2010 e se agravou neste ano, com a crise nos países árabes", diz Walter De Vitto, economista da Tendências. Por isso, o reajuste de preços não seria urgente, na avaliação dele. Apesar de o preço interno estar 15% mais baixo que o externo, De Vitto não crê em reajuste nessa proporção.

Fonte: Folha de S.Paulo