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Assuntos diversos

Patrimônio da Previ chega a R$ 152 bilhões

Fundo de pensão se consolida como o maior investidor brasileiro


Em 22.03.2011 às 00:00 Compartilhe:


Com um patrimônio recorde de R$ 152 bilhões, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, se consolidou em 2010 como o maior investidor brasileiro. A cifra representa alta de cerca de R$ 10 bilhões se comparado ao ano anterior. Para o presidente do fundo, Ricardo Flores, o resultado foi positivo, especialmente, diante do fraco desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo no período.

"Foi um ano de desafios", afirmou. Como a bolsa paulista "andou de lado" ao longo de 2010, pondera, a fundação, que tem quase 65% do patrimônio aplicado em renda variável, precisou se esforçar mais para bater sua meta atuarial. Com as aplicações em bolsa oscilando pouco, o que beneficiou o resultado foi a valorização das participações acionárias relevantes, como a da Vale, que são reavaliadas anualmente por seu valor econômico.

Principal investimento da Previ, a fatia na mineradora foi contabilizada no balanço por R$ 35,646 bilhões, uma revisão de quase R$ 5 bilhões em relação a 2009. Só o investimento pagou dividendos de R$ 360,5 milhões ao fundo de pensão.

No total, a Previ recebeu R$ 2,6 bilhões em dividendos pagos por empresas onde tem participação. "Nosso retorno com renda variável ficou acima do Ibovespa, e a Vale contribuiu para essa rentabilidade", afirmou.

Para 2011, a expectativa é de que a companhia novamente impulsione o balanço do fundo de pensão. O cenário positivo se ancora na perspectiva para o preço do minério de ferro, que, segundo Flores, deve continuar elevado por conta da forte demanda da China por matérias-primas.

Os investimentos feitos pela fundação ao longo do ano passado apresentaram uma rentabilidade média de 12,31%, ligeiramente acima da meta atuarial prevista para o período (12,23%). A estratégia para os próximos anos é continuar trabalhando na diversificação dos investimentos.

O foco será em ativos mais atrelados ao comportamento do mercado interno, como o setor de varejo e o imobiliário. Flores reiterou o interesse do fundo de pensão em comprar participações acionárias em redes de varejo. Já no segmento imobiliário, a expectativa é de que o fundo aplique R$ 1 bilhão a mais este ano para ampliar sua participação no setor. Em 2010, o segmento respondeu por 3,3% do patrimônio.

Além desses segmentos, Flores enxerga também potencial em investimentos no segmento de petróleo e gás.

Energia. Questionado sobre o interesse da Previ na consolidação de seus ativos no setor elétrico, Ricardo Flores ressaltou a importância de buscar sinergias entre a CPFL e a Neoenergia, duas empresas na qual a fundação divide o controle acionário. As especulações em torno da união das companhias já duram mais de dois anos.

Há duas semanas, a CPFL comunicou oficialmente ao mercado que os sócios das duas companhias (Previ, Camargo Corrêa e Iberdrola) decidiram discutir estratégias, que possam agregar valor aos acionistas.

"O que está se discutindo é uma atuação mais em conjunto. Se no futuro elas vão se fundir, não dá para saber", afirmou. Flores argumenta que, muitas vezes, como as duas empresas atuam no mesmo setor, elas acabam disputando os mesmos ativos ou negócios. "Isso destrói valor", ressaltou, ao lembrar que a competição encarece o valor dessas operações.

A Previ divide o controle da Neoenergia com a espanhola Iberdrola e da CPFL com a VBC, controlada da Camargo Corrêa. Segundo fontes, para assessorá-los nas negociações, a Previ contratou o banco Morgan Stanley, enquanto a Camargo Corrêa é assessorada pelo BTG Pactual.

Leia também: Diretoria Executiva da Previ dá início à divulgação dos resultados de 2010

Fonte: O Estado de S.Paulo