× Modal
< Voltar


Assuntos diversos

Desastre elevará custo de seguro também no Brasil

Essa é a avaliação de algumas das principais seguradoras e corretoras que atuam nesse segmento no país


Em 15.03.2011 às 00:00 Compartilhe:


A catástrofe que atingiu o Japão na última sexta-feira (11/3) deve ter um impacto negativo no mercado de seguros, com alta nos preços das apólices que cobrem os grandes riscos, como obras de aeroportos, rodovias, ferrovias, setor naval, propriedades industriais e prospecção de petróleo. Essa é a avaliação de algumas das principais seguradoras e corretoras que atuam nesse segmento no Brasil.

O terremoto, seguido do tsunami, que destruiu usinas, refinarias, indústrias navais, estradas e ferrovias, pode ter causado um prejuízo às seguradoras e resseguradoras, para cobrir as indenizações, de pelo menos US$ 35 bilhões, segundo estimativas iniciais do mercado.

"Com os prejuízos, grandes seguradoras e resseguradoras terão impacto negativo nos resultados, e o preço das apólices vai subir para as empresas recuperarem essas perdas", diz Antônio Trindade, diretor executivo de seguros pessoas jurídicas da Itaú Seguros, líder no mercado de grande riscos no Brasil, com 16% do market share. O aumento dos preços, diz, ficará mais claro em 90 dias, quando os prejuízos no Japão estiverem mais bem calculados pelas seguradoras.

O repasse para os preços terá influência também nas coberturas de grandes riscos no Brasil, lembra Trindade. Em geral, são as mesmas resseguradoras que garantem os riscos em todo o mundo. E são elas que terão perdas com a catástrofe japonesa. Quando uma seguradora faz um apólice de grande risco e alto valor, a maior parte do risco é repassado às resseguradoras. As maiores resseguradoras do mundo já sentiram ontem os efeitos da catástrofe. As ações das companhias negociadas nas bolsas europeias tiveram fortes quedas. Os papéis da Allianz, da Alemanha, caíram 2,72%; da alemã Munich Re, 3,66%; e da Swiss Re, 4,53%.

Segundo Marcelo Homburguer, vice-presidente da Aon no Brasil, uma das maiores corretoras de seguros do mundo, a catástrofe japonesa vai interromper o momento "soft" do mercado, no qual os preços estavam em baixa, e mudar o panorama para "hard", com alta nas cotações. "Será um ponto de inflexão do mercado, de mudança de tendência", diz.

O desastre no Japão provocará, segundo Homburguer, um dos maiores prejuízos para o mercado segurador até hoje. "Sem dúvida, deve superar as perdas com os furacões Andrew, em 2002, e Katrina, em 2005." Ambos atingiram os EUA e causaram cada um prejuízo ao setor superior a US$ 40 bilhões.

Para ele, as estimativas iniciais de perdas das seguradoras no Japão, de US$ 35 bilhões, estão subestimadas. "Elas não levam em conta, por exemplo, os efeitos do tsunami e a paralisação das empresas." Nesse caso, há cobertura prevista por lucro cessante, ou seja, a estimativa de ganhos que as empresas japonesas não terão devido do suspensão dos negócios.

Para Alexandre Malucelli, vice-presidente da J.Malucelli Seguradora, líder no país em seguro garantia, contra riscos do contrato de uma grande obra, as perdas no Japão "terão reflexo nos preços, não tenho dúvida. O mundo inteiro vai pagar essa conta." Os efeitos maiores, conforme ele, serão nos seguros das propriedades industriais.

A vantagem do Brasil, diz ele, é a presença ainda forte do IRB Brasil Re, que detinha o monopólio de resseguro no país até 2007, quando o mercado foi aberto a outras companhias. A capacidade grande do IRB de absorver riscos "deve tornar os preços no Brasil mais competitivos e amenizar o impacto."

A peculiaridade do mercado de seguro japonês, com três grandes seguradoras locais e um fundo do governo que cobre prejuízos menores, deve reduzir o impacto nos preços globais, diz Homburguer. A seguradoras Mitsui, Tokio Marine e NKSJ têm 90% do mercado no Japão e grande capacidade de reter riscos. "Muitas perdas serão cobertas dentro do próprio Japão", diz.

A avaliação dos prejuízos ainda deve levar algum tempo, lembra Eduardo Takahashi, diretor executivo de grandes riscos da corretora Marsh.

Fonte: Valor Econômico