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Assuntos diversos

Alô comunidade!

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Em 01.01.2015 às 00:00 Compartilhe:


Projeto de funcionários do Banco do Brasil, apoiado pelo Programa Brasil Sem Fome, dá voz a adolescentes infratores e leva esperança a um centro de internação de Manaus.

O Centro Sócio-Educativo Assistente Social Dagmar Feitoza, em Manaus (AM), foi a última instituição, em 2005, a receber ajuda do Programa Brasil Sem Fome, da ANABB. Ao todo, o Programa distribuiu durante o ano R$ 283 mil para 20 comitês de cidadania formados por funcionários do Banco do Brasil. Em Manaus, o projeto beneficiado com os recursos busca reinserir na sociedade jovens que cumprem medidas socioeducativas. Denominado “Jovens se Comunicando”, o projeto é coordenado pela Associação Amazonense dos Voluntários do Banco do Brasil – AAVBB –, criada em junho, e prioriza a qualificação e formação dos adolescentes infratores para o mercado de trabalho. O trabalho dos voluntários já deu resultado. Em 27 de dezembro, uma rádio comunitária foi inaugurada no Centro Dagmar Feitoza.

Com os recursos doados pelo Programa Brasil Sem Fome, foram comprados equipamentos de rádio e implantados cursos de capacitação para ensinar aos jovens como se opera uma rádio. De acordo com a funcionária do Banco do Brasil e voluntária da AAVBB, Otamires Barbosa de Souza, a rádio comunitária em um centro de internação e recuperação de adolescentes é uma experiência inusitada. “É a primeira rádio desse tipo na América Latina”, ressalta, lembrando que o aporte financeiro da ANABB ao projeto foi fundamental. “Além do valor financeiro, a ajuda teve o sentido subjetivo de incentivar os colegas do BB a se tornarem ´apoiadores´ sociais”, avalia Otamires.

Ainda sem uma programação definida, aos poucos, a rádio comunitária vai tomando contornos definidos. Em primeiro lugar, todos os programas devem ser criados e dirigidos pelos próprios internos. Pelo menos um deles já tem nome. No programa “Partindo Coração”, cada adolescente vai poder contar sua história. “A idéia é que eles façam relatos de como eram suas vidas antes de cometerem a infração que os levou ao centro de internação. Ou seja, eles vão abrir o coração ao mesmo tempo em que adquirem conhecimentos para usá-los mais tarde, quando retornarem para a comunidade”, anima-se Otamires.

Mais de 60 jovens, de 16 a 18 anos, condenados a cumprir medidas socioeducativas com duração de seis meses a três anos, vão ter acesso à qualificação profissional. Além de estimular o desejo de er uma profissão, o aprendizado técnico ajuda a preencher uma lacuna na formação educacional desses adolescentes. A maioria deles estava atrasada na escola. A internação foi mais um motivo para romperem definitivamente os parcos laços que ainda mantinham com os estudos. De acordo com dados do Centro Sócio-Educativo Dagmar Feitoza, apenas 3,7% dos internos cursam o ensino médio e 80% estão no ensino fundamental. Outros 7,5% ainda estão em processo de alfabetização.

Ainda que as chances de competir em condições de igualdade com outros jovens sejam mínimas, os adolescentes que conseguirem tirar proveito do projeto poderão deixar o centro de internação mais confiantes e com a perspectiva de construir carreira. O diretor da ANABB e coordenador do Programa Brasil Sem Fome, Douglas Scortegagna, fez questão de comparecer à inauguração da rádio. “É uma experiência gratificante, que poderá recuperar muitos desses jovens e levá-los ao convívio social da forma mais saudável possível”, afirmou.

Os recursos destinados pelo Brasil Sem Fome a comitês de cidadania permitem que os voluntários continuem desenvolvendo projetos e ações solidárias nas comunidades onde atuam. De acordo com Douglas Scortegagna, em 2006 o Brasil Sem Fome deve ampliar sua atuação, levando verba e apoio  a novos projetos. Ele lembra, no entanto, que é preciso a colaboração dos associados. “Vamos ajudar cada vez mais, o que só será possível se os associados da ANABB demonstrarem a mesma generosidade manifestada durante todo o ano de 2005.”

Creche de cara nova

Melhorar a infra-estrutura de uma creche localizada no alto do Morro Vila Cabuçu, na periferia de Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro, foi o que motivou o Comitê Carj - Solidariedade e Cidadania a pedir o apoio da ANABB. A Ação Comunitária Sal da Terra, responsável pela Creche Ternurinha, foi a segunda parceira do Carj a ser beneficiada com recursos do Programa Brasil Sem Fome.

Com o dinheiro doado pelo Programa, a Creche Ternurinha reformou os banheiros, eliminando os vazamentos, e recebeu pintura nova. O coordenador do Brasil Sem Fome e diretor da ANABB, Douglas Scortegagna, visitou a instituição em 27 de outubro e pôde comprovar a satisfação dos funcionários e das crianças que freqüentam a creche.

O projeto Ternurinha atende a 46 crianças de 2 a 4 anos, filhas de famílias pobres da região, com assistência educacional e social em horário integral. De acordo com a presidente do Carj e funcionária aposentada do BB, Ana Maria Corrêa, os recursos do programa Brasil Sem Fome permitiram melhorar o atendimento às crianças e aos profissionais da instituição.

O Comitê Carj - Solidariedade e Cidadania atua desde junho de 1993 e mantém parceria com várias organizações não governamentais do Estado do Rio de Janeiro, dedicadas a projetos nas áreas de educação, capacitação profissional, reinserção social, e a levar cultura e lazer a comunidades pobres.

Fonte: AÇÃO 183 - JAN/FEV DE 2006