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Assuntos diversos

IV Prêmio Cidadania

IV Prêmio Cidadania


Em 01.01.2015 às 00:00 Compartilhe:


A ANABB promoveu, no dia 14 de setembro, na sua sede, em Brasília, a cerimônia de entrega do IV Prêmio Cidadania Herbet de Souza. A cerimônia reuniu dirigentes da ANABB, convidados e representantes dos Comitês de Solidariedade e Cidadania dos funcionários do BB e das organizações sociais responsáveis pelos 11 projetos premiados. A solenidade contou ainda com a presença de Daniel de Souza, filho de Betinho, que representou a família. “A melhor forma de homenagear o Betinho, que neste ano faria 70 anos, é premiando ações concretas e inovadoras de cidadania. Faço questão de vir por isso. O Prêmio é uma iniciativa concreta”, declarou Daniel de Souza ao receber a estatueta em bronze, com o busto do pai.

A cerimônia foi aberta com a apresentação do Coral Reciclando Sons, formado por meninos e meninas da Vila Estrutural, um bairro pobre na periferia de Brasília, e que já recebeu apoio financeiro do Programa Brasil Sem Fome. Foram distribuídos R$ 36 mil entre os ganhadores do Prêmio. O maior cheque, no valor de R$ 10 mil, ficou com o projeto de moradia popular “Casa João-de-Barro”, implantado no município de Ribeira do Pombal (BA). Além do valor em dinheiro, os 11 voluntários e representantes das entidades premiadas receberam o Troféu Betinho, criado pelo escultor paranaense Celso Ramos. A estatueta homenageia o inspirador da Campanha de Combate à Fome e à Miséria e pela Vida, lançada em 1993.
A quarta edição do Prêmio, instituído em 1995, registrou 113 projetos inscritos, dos quais 75 encaminharam, dentro do prazo, a documentação necessária. O tema deste ano foi livre, mas os projetos deveriam abordar, prioritariamente, as seguintes questões: erradicação do analfabetismo; educação regular de pessoas nas comunidades carentes; cursos profissionalizantes; combate, prevenção e erradicação de doenças; ações de geração de emprego e a conseqüente melhoria na distribuição de renda e redução das desigualdades sociais.

Rio de Janeiro (13), Minas Gerais (11), Rio Grande do Sul (9), Paraná (8) e São Paulo (8) foram os Estados que apresentaram maior número de projetos. Entre os 11 premiados, o destaque ficou com a Bahia, que emplacou três dos quatro projetos inscritos. Em seguida, aparecem Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com dois projetos premiados cada um. É interessante notar que a Região Norte foi a menos representada, com apenas um projeto inscrito e nenhum premiado. As Regiões Sul e Sudeste concentram sete dos 11 projetos premiados. O Nordeste aparece com três e o Centro-Oeste com um.

Os projetos foram avaliados por uma comissão julgadora formada por cinco intregrantes indicados pela Fundação Banco do Brasil, pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicos (Ibase), pela Federação Nacional das AABB (Fenabb), pela Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Hemopatias (Abrace) e pela ONG Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária (Mismec).

JUSTA HOMENAGEM
O bispo Dom Mauro Morelli, homenageado especial no IV Prêmio Cidadania, não pôde comparecer à cerimônia, mas fez questão de visitar a sede da ANABB, onde foi recepcionado pela diretoria e recebeu, antecipadamente, o Troféu Betinho. A visita aconteceu na manhã do dia 14. A Associação decidiu homenageá-lo por ter sido, juntamente com Betinho, um dos grandes idealizadores e animadores da ação da cidadania e da ética na política.
Sensibilizado, Dom Mauro Morelli elogiou a iniciativa da ANABB. “Alegra-me saber que vocês se empenham em honrar a memória e preservar o legado do Betinho. A dedicação à causa transformou-se em prioridade absoluta em minha vida”, declarou o prelado. Depois de ter sido por 24 anos bispo da Diocese de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele dedica tempo integral à causa social. Entre outras atividades, Dom Mauro Morelli preside o Conselho de Segurança Alimentar de Minas Gerais e de São Paulo e integra o Conselho Nacional para Alimentação. Também assessora iniciativas de combate à fome no Brasil e no exterior.

ENTIDADE CIDADÃ
“Queremos ser uma entidade cidadã, que incentiva e valoriza o trabalho voluntário e a responsabilidade social”, afirmou Emílio Santiago Ribas Rodrigues, diretor de Relações Externas e Parlamentares da ANABB. Com o Programa Brasil Sem Fome, criado em 1993, a ANABB passou a mobilizar uma das categorias profissionais mais numerosas e com maior inserção em todos os cantos do País – o funcionalismo do Banco do Brasil. “São pessoas com boa formação e larga experiência de militância e de prestação de serviços à comunidade. O que fizemos foi mobilizar o capital social dos funcionários do BB para impulsionar ações de cidadania nas comunidades mais carentes”, explicou.
Segundo Emílio Rodrigues, a repercussão da iniciativa tem sido altamente positiva, tanto junto aos associados quanto ao público externo. “Estamos premiando projetos que têm tido grande impacto junto às comunidades. Este reconhecimento estimula as pessoas envolvidas a continuar participando ativamente”, declarou Emílio.
Entre os 11 projetos premiados pelo IV Prêmio Cidadania, prevalecem iniciativas que visam criar oportunidades educativas ou de inserção no mercado de trabalho para crianças, jovens e adultos de comunidades carentes. Um exemplo de projeto educativo é o “Alfabetização de Adultos e Inclusão Social” (3º. Lugar), de Araraquara (SP).

NOVO ENFOQUE
Para Graça Machado, diretora Administrativa e Financeira da ANABB, o Prêmio consolida uma mudança de enfoque. Se no início os projetos e ações tinham um caráter assistencial, agora estão mais voltados para a criação de oportunidades de geração de renda e a promoção do desenvolvimento sustentável. “Os Comitês de Solidariedade e Cidadania do BB estão inseridos nas comunidades, conhecem bem a realidade local e mobilizam as pessoas para solucionar os problemas, sem ficar esperando que o governo resolva tudo”, afirmou.
Um bom exemplo é o projeto de construção de cisternas de placas (6º. Lugar), realizado pelo Comitê Contadoria Cidadã, de Brasília. Com muita criatividade, o projeto resolveu o problema de falta de água que afligia a população rural do município de Chapada Gaúcha, no norte de Minas Gerais, com a captação de água da chuva por meio da construção de 27 cisternas de placas pré-moldadas.
“Desde a época do Betinho, tudo em que o funcionalismo do BB coloca a mão vira ouro”, elogia Graça Machado, lembrando que a grande maioria das ações desenvolvidas pelos comitês não conta com apoio patronal. “Os projetos são viabilizados com doações e trabalho voluntário dos funcionários do BB”, destacou. Para a diretora, a importância do Prêmio Cidadania é que ele representa um estímulo à continuidade das ações desenvolvidas pelos comitês. “O Prêmio ocorre de três em três anos, mas o apoio da ANABB é permanente. As contribuições são repassadas aos comitês para a execução de projetos”, explicou Graça Machado.

ANABB deve institucionalizar Prêmio

Depois do sucesso da quarta edição do Prêmio Cidadania Herbet de Souza, a ANABB estuda duas mudanças para institucionalizar a iniciativa: tornar o concurso anual e criar o Instituto ANABB de Cidadania – IAC. O Instituto se encarregaria tanto das ações sociais e filantrópicas desenvolvidas pela Associação desde 1993 no âmbito do Programa Brasil Sem Fome, quanto da organização do Prêmio. Pelo menos uma decisão já foi tomada: a estatueta em bronze do busto do sociólogo Herbet de Souza, o Betinho, será adotada como o “Oscar” da Cidadania.
O IV Prêmio ANABB de Cidadania superou todas as expectativas. Segundo Douglas Scortegagna, diretor da Associação e coordenador da iniciativa, o número de 113 projetos inscritos é bastante expressivo, já que as ações de cidadania não têm o mesmo ímpeto que tiveram no auge da Campanha de Combate à Fome e à Miséria e pela Vida, lançada por Betinho, em 93, e liderada por ele até sua morte, em 97.
 “O Prêmio é um incentivo ao voluntariado e às ações de cidadania. O maior estímulo que podemos dar é o reconhecimento do trabalho que vem sendo realizado pelos Comitês de Solidariedade e Cidadania do BB. Isso conta muito mais do que a premiação em dinheiro propriamente”, acredita o coordenador do Prêmio. Como exemplo, ele cita a repercussão do prêmio conferido ao projeto “Cursinho Assistencial Amigos de Itajubá”, que ficou em segundo lugar. Os representantes do Centro foram recebidos com festa ao retornar a Minas Gerais com o troféu, com direito a extensa cobertura na imprensa local. “O prêmio contribui para legitimar o projeto perante a comunidade”, avalia Scortegagna. “A gente consegue mexer com a auto-estima dos voluntários e o aspecto motivacional é fundamental para a continuidade das ações.”

ESCOLA DE CIDADANIA
O BB já foi uma grande escola de cidadania e civismo. Se, anteriormente, os valores cultivados pela instituição incentivavam os funcionários ao engajamento social e à participação política nas comunidades em que estavam inseridos, hoje prevalece uma estrutura de incentivos que estimula a competitividade e a produtividade. O cumprimento de metas é o principal critério para a ascensão funcional. A consciência social ficou em segundo plano.
Evidências dessa profunda mudança foram trazidas à tona pelo IV Prêmio Cidadania. “Os que se dedicam ao trabalho voluntário são, em sua grande maioria, os funcionários mais antigos que têm essa formação de servir à comunidade. Os mais novos, em geral, não se envolvem. Hoje, não há incentivo”, analisa Douglas Scortegagna.
Ironicamente, no mesmo momento em que o BB dava uma guinada rumo ao mercado para adaptar-se ao ambiente crescentemente competitivo da globalização, a diretoria criava uma Vice-Presidência de Gestão de Pessoas e Responsabilidade Socioambiental, sinalizando que o seu papel social não seria abandonado ao transformar-se num banco comercial. Mas o ethos dos funcionários do BB parece ter sofrido uma mudança irreversível, acompanhando a perda do status econômico da categoria. “Os novos funcionários não têm expectativa nem interesse em fazer carreira. Para muitos, o Banco é um trampolim até conseguir um emprego melhor. Por isso, a maioria dos novos funcionários não participa de trabalho voluntário,” sugere Scortegagna.

CATEGORIA SOLIDÁRIA
O Programa Brasil Sem Fome, lançado pela ANABB em 93, respondendo à convocação nacional feita pelo Betinho, demonstra que os valores da solidariedade estão profundamente enraizados entre os funcionários do BB, a despeito das mudanças apontadas. Concebida como uma campanha de arrecadação de contribuições da categoria para apoiar ações contra a fome e a miséria, a iniciativa buscou, desde o início, incentivar o voluntariado. O impulso inicial pode ter arrefecido com o passar dos anos, mas a semente plantada germinou e continua dando frutos.
O Programa já recebeu contribuições de 5.714 funcionários e associados da ANABB. De 1º de março a 31 de agosto de 2005, foram arrecadados R$ 295 mil. Esses recursos são destinados aos Comitês de Solida-riedade e Cidadania, por meio do financiamento a projetos específicos. A campanha de doação também é permanente. A ANABB tem feito um trabalho dirigido aos associados beneficiados por ações judiciais movidas pela entidade. Scortegagna faz questão de frisar que a doação é espontânea e o valor fica a critério de cada associado.
Os recursos arrecadados são inteiramente aplicados em projetos desenvolvidos pelos comitês. Como forma de assegurar o bom uso das contribuições dos associados, a ANABB visita regularmente os comitês que recebem auxílio, verificando de perto a execução dos projetos financiados. “O Brasil Sem Fome também está sempre aberto a novos projetos”, esclarece Scortegagna. Uma das razões pelas quais está em estudo a criação do IAC é separar a contabilidade do Programa Brasil Sem Fome da contabilidade da Associação. Por enquanto, todas as despesas do Prêmio Cidadania correm por conta do orçamento da ANABB.
A quarta edição do Prêmio custou R$ 76 mil, dos quais R$ 36 mil foram distribuídos aos projetos selecionados. O restante corresponde às despesas administrativas com a organização da premiação, incluindo divulgação e viagens dos premiados a Brasília para a solenidade de premiação.
Agora, começa o planejamento do V Prêmio Cidadania, em data a ser fixada. Com a experiência de quem coordenou todas as edições do Prêmio, Douglas Scortegagna considera difícil realizar o concurso todos os anos, conforme proposta em estudo. “Envolve muito trabalho, mobilizando um universo grande de pessoas. Vamos continuar incentivando os comitês por meio das publicações da ANABB, divulgando projetos exemplares que podem ser copiados. Este é o espírito do Prêmio Cidadania”, conclui Scortegagna.
Uma outra idéia em estudo é criar um Portal da Cidadania, vinculado ao site da ANABB, permitindo que os comitês criem e hospedem suas próprias páginas. Afinal, ações de solidariedade e cidadania são muito importantes para permanecerem escondidas. O Prêmio Cidadania Herbet de Souza já provou que elas se multiplicam e propagam quando ganham reconhecimento e visibilidade.

Filho de Betinho elogia iniciativa
“Quem tem fome, tem pressa”, insistia Betinho na sua incansável pregação em prol da solidariedade e da participação da sociedade nas ações de combate à fome e à miséria. O movimento ganhou força e, mais de uma década depois do lançamento da Campanha Natal Sem Fome em 1993, o legado do sociólogo que se tornou símbolo nacional de cidadania permanece vivo e, em grande medida, influenciou as políticas sociais dos últimos governos.
“A agenda proposta pelo Betinho continua atual. Por isso ele é tão lembrado”, afirmou Daniel de Souza, filho do idealizador do Movimento de Combate à Fome, à Miséria e pela Vida, ao participar da solenidade de premiação do IV Prêmio Cidadania. Embora reconheça que o presidente Lula encampou o combate à fome como prioridade do seu governo,  ele diz que não podia ser diferente, pois o quadro social do País se agravou na década de 90. “Quando o Betinho lançou a campanha Natal Sem Fome, em 1993, havia 32 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza. Hoje, são mais de 50 milhões de pessoas nessa situação”, comparou.
Daniel de Souza vê com ressalvas o Programa Bolsa Família, principal vitrine da política social do atual governo. “O Bolsa Família é uma medida emergencial, coerente com a idéia de que as ações contra a fome devem ter um caráter de urgência, pois, como repetia sempre o Betinho, quem tem fome, tem pressa. Mas, paralelamente a esse programa emergencial, é preciso uma política estrutural de distribuição de renda para transformar as condições de vida dos milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza”, ponderou.

RESPONSABILIDADE DO ESTADO
O ideário que guiou a militância política de Betinho pode ser resumido no seguinte postulado: o papel do Estado, como indutor de políticas redistributivas e inclusivas, é insubstituível, mas a sociedade civil pode fazer a sua parte para melhorar as condições de vida dos mais fracos e destituídos. “O principal legado deixado pelo meu pai foi demonstrar que embora o combate à fome e à desigualdade seja uma obrigação do governo, a sociedade pode ajudar com ações de cidadania”, afirmou Daniel de Souza.
 Desde a redemocratização, o Brasil vem experimentando um florescimento do chamado  terceiro setor, constituído por organizações não-governamentais que promovem projetos sociais, compensando, muitas vezes, a omissão do poder público. De acordo com estimativas, o terceiro setor aplica cerca de R$ 5 bilhões por ano na área social. Nem por isso, o Brasil superou a condição vexatória de figurar entre os países mais desiguais do mundo. “O próprio movimento da cidadania contra a fome e a miséria, liderado pelo Betinho, constituiu uma forma de cobrar ação do Estado”, argumenta Daniel de Souza.
Ao prestigiar a entrega do Troféu Betinho, Daniel de Souza elogiou a ANABB por ter mantido ao longo dos últimos 12 anos o Programa Brasil Sem Fome. “Premiar boas iniciativas e práticas inovadoras é a melhor forma de homenagear o Betinho e manter viva sua memória,” repetiu, reiterando o apoio da família à iniciativa da ANABB. “Este Prêmio promove o encontro entre várias iniciativas mantidas pela dedicação de pessoas que fazem um trabalho anônimo. Neste sentido, incentiva a complementaridade entre os projetos, a disseminação de experiências inovadoras e o conhecimento recíproco entre os voluntários envolvidos nas ações de cidadania”, concluiu.

O milagre da Casa de João-de-Barro
Num país onde o déficit de moradia é estimado em 7,7 milhões de unidades, de acordo com o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos – UN-Habitat –, um projeto comunitário de construção de casas populares merece aplausos. Não é mera coincidência, portanto, que o IV Prêmio Cidadania conferiu o primeiro lugar ao projeto “Casa João-de-Barro”, que há dez anos já construiu 136 casas na pequena Ribeira do Pombal, situada no Polígono da Seca, na Bahia.
À frente do projeto está o engenheiro agrônomo Gandhi Almeida Dantas Costa, cuja atividade profissional principal está associada a um dos segmentos mais promissores da incipiente economia local: a apicultura. A familiaridade com o trabalho em equipe das abelhas que povoam as colméias do seu apiário incentivou o “Gandhi baiano” a arregaçar as mangas e mobilizar a comunidade de Ribeira do Pombal para enfrentar o problema da falta de moradia.
O Projeto “Casa João-de-Barro” começou em 1993, idealizado por Ivan Neves de Oliveira. A primeira casa foi entregue em janeiro de 95. Desde então, a meta de entregar uma casa por mês tem sido rigorosamente cumprida. O custo médio de cada unidade é de R$ 4.200,00. Os recursos são provenientes de contribuições de doadores particulares. Entre os voluntários que cooperam com o projeto estão funcionários do BB. Todas as casas são de alvenaria e seguem o mesmo padrão, com 55 metros quadrados. Os terrenos são das famílias beneficiadas ou doados por terceiros.
A escolha dos beneficiados é feita com a participação da população, por meio de votação popular nas rádios locais e no site do projeto.  Existem cerca de 200 famílias cadastradas. Agora, a Associação Projeto João de Barro, criada com base na lei que instituiu o regime jurídico das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP –, pretende fazer uma parceria com a Caixa Econômica Federal para ampliar o programa de construção de casas populares e, assim, acelerar o atendimento das famílias inscritas.
Ao receber o Troféu Betinho e o cheque de R$ 10.000,00, Gandhi Almeida disse que ficou surpreso com o primeiro lugar conquistado pelo projeto. “O que realmente importa é o reconhecimento alcançado nacionalmente. Este prêmio é muito importante para o projeto e para a comunidade”, declarou ele, informando que o destino do prêmio será discutido com os membros da associação. Ele acredita que a premiação vai incentivar a adoção da idéia em outros municípios da região.
O apicultor que constrói casas acredita que o futuro de Ribeira do Pombal pode estar associado à emergente indústria do mel. O município já é o maior produtor de mel da Bahia e o terceiro do Nordeste. A apicultura local já emprega cerca de 1.000 pessoas. O trabalho silencioso das abelhas e o do João-de-Barro estão, aos poucos, colocando Ribeira do Pombal no mapa nacional da cidadania e da solidariedade.
CONTATO: (75) 3276.1928 projetojoaodebarro@pombalnet.com.br


Caminho mais curto para a universidade
No momento em que o Congresso Nacional discute projeto de lei que reserva vagas nas Instituições Federais de Ensino Superior para estudantes de escolas públicas, uma iniciativa lançada por estudantes do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Itajubá – Unifei –, em Minas Gerais, mostra que existem outras alternativas para democratizar o acesso à universidade pública. Trata-se do projeto Cursinho Assistencial Amigos de Itajubá – CAAI –, mantido pelo Centro de Estudantes Voluntários Amigos de Itajubá, segundo lugar no IV Prêmio Cidadania.
Criado em 2003 por iniciativa de quatro estudantes da Unifei, o cursinho pré-vestibular gratuito atende alunos de baixa renda que freqüentam escolas públicas da região – só este ano, são 60 alunos. Toda a equipe do CAAI (diretores, professores e monitores) é formada por universitários voluntários recrutados pelo Centro Amigos de Itajubá. O regime de trabalho é regido pela lei que dispõe sobre as condições do exercício do serviço voluntário e o espaço físico é cedido pela própria universidade, que apóia a iniciativa dos seus alunos.
Um dos idealizadores do projeto é o estudante Gustavo José Rizzi Osório, que está no quarto ano do curso de Engenharia Elétrica e representou o projeto na solenidade de premiação do IV Prêmio Cidadania. “Acreditamos que é possível mudar este País. A cada iniciativa que colocamos em prática, estamos criando um futuro novo”, declarou Osório ao receber o Troféu Betinho.
Osório não é a favor da política de cotas, proposta pelo Ministério da Educação. Na sua opinião, o governo deveria preocupar-se mais com a melhoria da escola pública. “Faltam investimentos na educação básica. São raras as escolas que oferecem ensino de qualidade”, criticou o estudante que, para entrar na Unifei, fez todo o ensino médio em escola privada. “Creio que cursinho comunitário é uma alternativa”, defendeu.  Apesar de fazer um curso bastante exigente, Osório dedica 14 horas por semana ao projeto e garante que consegue conciliar com o bom desempenho acadêmico. Com a formatura já apontando no horizonte, ele acredita que a iniciativa terá sustentabilidade depois que os seus idealizadores passarem o bastão. “A garantia de continuidade está nos ex-alunos que podem atuar no projeto como professores e monitores”, concluiu.
No retorno a Itajubá, Gustavo Osório levou na bagagem, além do Troféu Betinho, um cheque de R$ 8.000,00. O dinheiro será revertido para as atividades desenvolvidas pelo Centro de Estudantes Voluntários Amigos de Itajubá que, com a divulgação que obteve com o prêmio, deverá ter bastante trabalho pela frente.
CONTATO: (35) 8813.3955 - www.amigosdeitajuba.com.br
E-mail: amigosdeitajuba@amigosdeitajuba.com.br

Inclusão social pela alfabetização
O que começou há seis anos com uma simples classe de alfabetização de adultos, por iniciativa das Irmãs Franciscanas do Externato Santa Terezinha, de Araraquara (SP), acabou transformando-se num projeto de educação popular que atende mais de mil jovens e adultos nos bairros populares da cidade. Com apoio da Prefeitura Municipal, que cede espaço nas escolas municipais e repassa recursos do Programa Brasil Alfabetizado, e a colaboração de quase uma centena de voluntários, o Projeto de Alfabetização de Adultos de Araraquara – Proeaja – se consolidou e ampliou o atendimento. O reconhecimento nacional veio com a conquista do 3º lugar no IV Prêmio Cidadania.
Hoje, o Proeaja está espalhado em 35 núcleos, com 40 salas de alfabetização conveniadas com o Movimento de Alfabetização de Adultos da Secretaria Municipal de Educação, 12 salas de suplência (5ª a 8ª série) e duas turmas de informática. Depois de ter começado, em 1999, com 50 alunos e 11 voluntários, o Proeaja atende cerca de 1.200 alunos e conta com a colaboração de cerca de 80 voluntários. À frente do projeto está a Irmã Maria Edith Costa, presidente da ONG e coordenadora de Orientação Pedagógica.
Com o objetivo de erradicar o analfabetismo em Araraquara, o projeto prioriza, nas classes de alfabetização, o atendimento a pessoas de 16 a 80 anos que ainda não tiveram a chance de escolarização para terminar o ensino fundamental. Grande parte dos alunos são cortadores de cana. A maioria das turmas funciona em escolas municipais, ocupadas durante o dia pelos alunos do ensino fundamental regular. À noite, o espaço ocioso é cedido pela prefeitura para as classes de alfabetização e de suplência. Nos bairros onde não existe escola municipal, são utilizados espaços alternativos, como sedes de associações de moradores e salas de catequese de igrejas.
Nos últimos dois anos, o projeto expandiu a sua atuação na suplência de 5ª a 8ª série, atendendo à grande demanda. “Os jovens e adultos alfabetizados pelo Proeaja não tinham como dar continuidade ao processo de escolarização. Agora, estamos oferecendo a eles a oportunidade de concluir o ensino fundamental”, explicou Iraê Ribeiro, que concilia a secretaria da ONG que coordena o projeto com as funções de professora de Português. De duas salas de suplência, o projeto passou para doze.
Os professores que atuam no projeto passaram a receber, a partir de 2004, uma bolsa-auxílio mensal de até R$ 225,00 – de acordo com os critérios de remuneração dos alfabetizadores fixados pelo Ministério da Educação no Programa Brasil Alfabetizado. Além das classes de alfabetização e suplência, a ONG oferece curso básico de informática. Com onze computadores usados obtidos por meio de doações e parceria com o SENAC, um dos doadores dos PCs, jovens acima de 16 anos e adultos de baixa renda estão tendo a oportunidade de aprender noções básicas de informática.
Sobre a conquista do troféu, Iraê Ribeiro disse que o mais importante foi o reconhecimento nacional alcançado pelo projeto. “Quando soubemos que fomos selecionados, não importou muito a colocação. Nem que fosse o décimo primeiro lugar, estaríamos igualmente satisfeitos”. Ela adiantou que caberá à diretoria do projeto, formada por 13 integrantes, decidir onde o prêmio de R$ 6.000,00 será investido.
Além do apoio da atual administração municipal, o Proeaja recebe a colaboração de empresas, sindicatos, universidades, SENAC e do SEBRAE.
CONTATO:  (16) 3332.7930
proeaja@terra.com.br - www.techs.com.br/proeaja

O sonho que combate a exclusão
Pobreza, racismo, discriminação, desemprego e esquecimento: estas são algumas das barreiras enfrentadas cotidianamente pelos moradores dos bairros populares de Guapimirim, cidade de 43 mil habitantes, localizada a meio caminho entre Magé e Teresópolis. Emancipado há apenas 13 anos e situado a 75 quilômetros da capital do Estado, o município é o terceiro mais pobre do Rio de Janeiro. Para enfrentar a exclusão social, que afeta mais a população afrodescendente, predominante no município, um grupo de mulheres voluntárias se uniu e decidiu agir.
Assim surgiu, em 1999, a Associação Guapiense de Integração e Renovadora – AGIR. Desde o início, a Agir definiu como missão trabalhar a questão racial, tornando visíveis as diferentes formas de discriminação e promovendo a consciência negra. Carmem Helena, presidente da Agir, explica que o principal objetivo da iniciativa é despertar nos adolescentes e jovens orgulho pela sua cor, contrapondo-se aos padrões de beleza da cultura dominante.
O projeto Oficina dos Sonhos, quarto lugar no IV Prêmio Cidadania, nasceu com o objetivo de atrair os jovens e adolescentes para atividades de qualificação profissional e discutir temas relevantes, como prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST), gravidez na adolescência e drogas. Com uma concepção ‘guarda-chuva’, o projeto alcança diversas iniciativas, como cursos profissionalizantes, eventos culturais, atividades de lazer, oficinas de artesanato e culinária afro, seminários e palestras, sempre buscando melhorar a auto-estima dos adolescentes negros. São idéias simples, como a realização de Baile Comunitário de Debutantes e de Concurso de Beleza Negra.
Palestras sobre temas sérios precedem todas as atividades. A participação em palestra sobre a gravidez na adolescência, por exemplo, foi o requisito para as adolescentes de 15 a 17 anos se inscreverem no Baile Comunitário de Debutantes. Antes de brilhar na pista de dança, 45 meninas receberam orientações sobre como prevenir gravidez e se proteger de doenças e foram acompanhadas por 20 garotos.

O Concurso de Beleza Negra, por sua vez, mobilizou 62 adolescentes e jovens, sendo que a maioria, como era de se esperar, meninas. Mas a idéia de buscar envolver também os garotos encorajou a participação de um número significativo. O concurso, que deve se repetir todos os anos, foi dividido em duas faixas etárias: de 10 a 14 anos e de 15 a 24 anos.
Outra atividade concretizada pelo projeto Oficina dos Sonhos foi um curso para Tratadores de Piscina. Como o município concentra grande número de sítios de moradores do Rio de Janeiro, identificou-se a demanda por profissionais treinados para limpeza e tratamento de piscina. Ao custo de R$ 180,00 por aluno, monitores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e do Sindicato dos Engenheiros Químicos capacitaram 25 jovens, dos quais 22 cumpriram os requisitos e foram certificados.

Todas as atividades são realizadas por voluntários, com a colaboração da comunidade. O atual desafio da Agir é conseguir a doação de computadores usados para oferecer cursos de informática aos adolescentes e jovens carentes do município. Sem o interesse por parte das empresas privadas da cidade, a esperança está depositada nas empresas estatais como a Petrobrás e o próprio BB.
CONTATO: (21) 2224.0949 luciana_sociologa@hotmail.com

Um anjo na periferia
O sucesso conquistado por um pequeno grupo de teatro formado com crianças e adolescentes do Bairro Getúlio, em Pelotas, em 2001, foi o que motivou o então sindicalista Ben Hur Alves Flores a montar um projeto que hoje é exemplo. O ator lembra que o grupo de teatro, na época com apenas quatro integrantes, começou a mudar a realidade dos envolvidos, moradores do bairro mais violento da cidade gaúcha. “Resolvemos então estender o grupo a oito crianças e adolescentes, até chegarmos a 65 moradores do bairro”, conta.

O ator criou o “Centro de Cultura, Esporte e Lazer, Anjos e Querubins”, que passou a ter o apoio do Comitê de Cidadania dos Funcionários do BB de Pelotas. Além de oficinas de teatro, Ben Hur comanda, com outros voluntários, cursos de instrumentação, onde baldes e latas se juntam a vozes de um coral; grupos de leitura e de dança. O cartão de visitas é o Coral Cênico. Com uma linguagem típica da periferia, o coral dá show em conferências, escolas, associações de bairro e igrejas. Outro “xodó” é um casal de crianças de 7 e 9 anos, dançarinas de forró.
Os R$ 2.000,00 conseguidos com o quinto lugar no Prêmio Cidadania foi usado para ampliar a sede da ONG. “Juntamos com mais R$ 1.000,00 e compramos uma casa”, conta Ben Hur, provando saber também como multiplicar dinheiro. “Para um projeto do Bairro Getúlio, pensávamos que ficar entre os dez melhores seria uma vitória. O quinto lugar foi uma surpresa”, agradece. Depois do prêmio, o projeto passou a atender mais 15 crianças e adolescentes, aumentando para 80 o número de beneficiados.
CONTATO: (53) 3223.0119 - odilonlorenzato@yahoo.com.br

Salvação para a seca
Há quatro anos, os bancários da Contadoria do Banco do Brasil em Brasília vêm ajudando a minimizar os efeitos da seca numa cidade que poucos deles conhecem. O cenário é a cidade de Chapada Gaúcha, no norte de Minas Gerais e a 450 quilômetros da capital do País. Com contribuições mensais, os 300 funcionários da área custeiam a construção de cisternas em casas da região. Até hoje, foram construídas 27 cisternas de placas pré-moldadas, atendendo 164 pessoas. O objetivo é construir mais 60 cisternas.

A ajuda a distância teve uma motivação particular. Em visita à região onde nasceu, um dos voluntários integrantes do Comitê conheceu o problema. Foi feito então um convênio com a associação comunitária, que passou a administrar a construção das cisternas. “Começou com a construção de um poço, depois construímos outro e o projeto vingou”, conta Saulo Rodrigues, funcionário do BB e coordenador do comitê. Os voluntários de Brasília vão sempre à cidade fiscalizar a aplicação do dinheiro.
Agraciado com o sexto lugar no Prêmio Cidadania, o projeto é o carro-chefe do comitê que promove outras ações no Distrito Federal. O prêmio de R$ 1.000,00 não poderia ter chegado em hora mais oportuna. Com o início do período de chuvas em dezembro, as cisternas têm que ser construídas até o mês que vem. “Com o dinheiro do Prêmio e a arrecadação de agosto e setembro, vai dar para construir cinco cisternas”, anima-se Saulo. Até dezembro, a meta é conseguir dinheiro para instalar mais dez cisternas de placas. Depois, o trabalho fica por conta da chuva. E as famílias beneficiadas vão ter água limpa para beber e cozinhar, e se preparar para o próximo período de seca.
CONTATO: (61) 3310.4455  -  contadoria@bb.com.br 

Os primeiros passos
A creche que em 1994 abrigava 10 crianças de até dois anos hoje atende mais de 140 bebês. Lá, eles são alimentados e medicados. As primeiras crianças cresceram e, com elas, o projeto “Resgatando a Cidadania”, dos voluntários da cidade baiana de Mairi. Ao longo dos anos, o projeto foi ampliado para aulas de reforço escolar, escolinha de futebol e escolinha de música, e atende vários bairros pobres do município. Mais de 400 crianças se beneficiam das aulas,  que são dadas por 23 professores, remunerados pelo projeto. Os 15 voluntários que trabalham no projeto estão sempre pensando no futuro. “As nossas primeiras crianças estão com 12 anos e o objetivo agora é fazer um trabalho para adolescentes”, diz Normeide Carneiro, voluntária que dirige o “Resgatando a Cidadania”.
O sétimo lugar conquistado no IV Prêmio Cidadania pode ser um primeiro passo. Com os contatos feitos em Brasília, a voluntária promoveu uma bela festa no dia 12 de outubro para mais de 700 crianças. “Tivemos o apoio da Fenabb e promovemos um dia inteiro de jogos”, conta Normeide. “Além do reconhecimento pelo trabalho,  trocamos experiências, o que pode render projetos futuros.” Os pais das crianças atendidas também são assistidos na alfabetização de adultos e com a construção de cisternas nas casas onde não existe água encanada. Os voluntários de Mairi receberam um prêmio de R$ 1.000,00.
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De sorriso aberto
De um simples encontro surgiu a idéia que já proporcionou um belo sorriso a mais de 2,7 mil pessoas. A funcionária do BB aposentada, Eunice Nogueira, nunca havia pensado em ajudar a comunidade com tratamentos dentários. Foi quando conheceu um dentista, em Viçosa (MG), que queria vender o consultório. Conversa vai, conversa vem, ele acabou doando parte do equipamento e, com duas colegas de Banco, Eunice montou um consultório dentário. Ela conseguiu a adesão de dentistas da cidade e, em pouco tempo, eles estavam tratando os dentes de centenas de crianças carentes. Surgiu assim o Projeto “Adote um sorriso. Faça uma criança feliz”.
Hoje, o antigo consultório é a Associação Odontológica Jesus é o Caminho, que conta com a ajuda cerca de 80 dentistas voluntários – 22 prestam atendimento, 33 atendem pacientes encaminhados pela associação em consultórios próprios e outros 20 ajudam com a doação de material. Os pacientes, a maioria crianças e adolescentes, são encaminhados por entidades assistenciais. “Só no ano passado, atendemos 500 crianças e adolescentes, com tratamento completo”, orgulha-se Eunice.
Mal recebeu o Troféu Betinho e o prêmio de R$ 1.000,00, Eunice já viu o projeto crescer. “O Prêmio Cidadania teve uma repercussão na comunidade e, a partir daí, conseguimos a adesão de três ortodontistas. Agora, vamos passar a colocar aparelhos”, diz animada.
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Papel que vale ouro
Dois dias após Betinho ter lançado a campanha Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, em 93, surgiu o Comitê de Cidadania de Salvador. Das primeiras ações – distribuição de cestas básicas e apoio alimentar a crianças atendidas em creches comunitárias e orfanatos de bairros pobres –, o comitê passou a preocupar-se em criar oportunidades de geração de renda para os assistidos.
Foi assim que se buscou profissionalizar as famílias envolvidas. Cursos de panificação, culinária e corte e costura passaram a ser ministrados e o comitê começou a treinar atendentes para trabalhar em lanchonetes. Hoje, há até uma Padaria e uma Lanchonete da Cidadania, de onde os novos profissionais tiram o seu ganha-pão. O comitê também tem o monopólio sobre a revenda do papel usado refugado pelas agências e unidades do BB em Salvador, o que proporciona uma receita extra de cerca de R$ 4,5 mil por mês. O voluntário Israel Vieira, coordenador do projeto, aproveita para sugerir que os comitês de outras capitais sigam o exemplo de Salvador.
Todos os meses, 800 voluntários doam entre 5 e 15 reais, debitados em suas contas correntes. Ao receber o Troféu Betinho e o cheque de R$ 1.000,00 pelo nonoo lugar no IV Prêmio Cidadania, Israel Vieira não escondeu a satisfação. “Para os funcionários que colaboram, este Prêmio tem um grande valor simbólico. É o reconhecimento do esforço pessoal de cada voluntário”, declarou. Vieira ressaltou que o prêmio também contribui para renovar as energias das lideranças que estão à frente do comitê.
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Vitória de uma guerreira
Nair Soares Bastos chegou a Osório, no litoral Gaúcho, em 73, para trabalhar. Viúva, mãe de dois filhos, a doméstica que estudou até a 6o série do ensino fundamental, construiu, em poucos anos, um império. Organizou os catadores de papel da cidade, formou uma pequena empresa de prestação de serviços para disputar licitações, e capacitou-se para alfabetizar adultos, usando a sala da própria casa como sala de aula.
Com o respeito conseguido, Dona Nair recebeu o apoio do Comitê Lagoa Viva, formado por funcionários do BB em Osório. Nascia daí o projeto “Brava Guerreira”, premiado em décimo lugar pela ANABB. Hoje, o projeto possui dez turmas de alfabetização de adultos, quatro telecentros – estações digitais equipadas com computadores, onde crianças e adultos aprendem informática e recebem capacitação profissional –, além de hortas comunitárias, nos três bairros mais pobres da periferia de Osório e em 13 comunidades rurais.

O Comitê Lagoa Viva surgiu em 99, a partir do fechamento de uma agroindústria na região. Para suprir a necessidade das famílias desempregadas, um grupo de funcionários do BB passou a montar módulos de produção na área rural. “Reunimos algumas famílias e cada grupo passou a fabricar um tipo de alimento orgânico”, conta Leonel Wagner, coordenador do comitê. Hoje, 80 famílias tiram o seu sustento em 12 módulos de produção de doces, rapaduras, pães e biscoitos.
Os voluntários de Osório dividiram os R$ 1.000,00 do Prêmio Cidadania entre as 32 escolas públicas cadastradas no comitê.
CONTATO: (51) 3373.1860 - comitelagoaviva@yahoo.com.br


Abaixo a violência
A comissão julgadora sugeriu e a Diretoria da ANABB acatou a indicação de uma Mensão Honrosa para o “Projeto Cidadania – Ler, Exercitar e Brincar”. Trata-se da iniciativa de uma única pessoa, a professora de português e moradora de Foz do Iguaçu (PR), Marelise Catarina Kerber Betto. Com muita disposição, a paranaense transformou a realidade da comunidade onde está localizada a Escola J.K. de Oliveira, que atende os bairros Jardim das Flores, Jardim Venâncio, Jardim Morinitas 1 e Morinitas 2 – estes dois últimos antigas favelas. “Até isso conseguimos, eliminar o estigma de favelados que tinham os moradores dessas duas regiões”, afirma Marelise.
Com uma carga horária de 50 horas semanais, a professora encontra tempo livre para cuidar dos seus alunos. Com atividades extracurriculares para 320 estudantes do ensino médio, da 6a à 8a série, ela ocupa o tempo dos alunos com rodas de leitura e escrita, artes cênicas, dança, desenho, música, teatro e oficinas de meio ambiente. “Começamos plantando 8.500 mudas de pinheiros em 98”, lembra Marelise. 
O trabalho evita que os adolescentes se envolvam com drogas, fumo e com o alcool. Os resultados são estatísticos. “Depois de anos figurando nas páginas policiais, nossa escola é a que tem os menores índices de violência da cidade”, orgulha-se Marelise. Marelise Betto voltou de Brasília com um cheque de  R$ 1.000,00. Para quem toca o projeto praticamente sozinha, o prêmio teve um valor especial. “Essa menção honrosa valeu muito mais que um primeiro lugar”, diz.
CONTATO:  (45) 3527.5427 - escolaj.k@ig.com.br

PRESTAÇÃO DE CONTAS:
Brasil Sem Fome

No período de 20 meses, entre março de 2004 a agosto de 2005, o Programa Brasil Sem Fome recebeu 5.714 doações, no valor total de R$ 295,7 mil. Para cada R$ 50,00, os doadores ganharam uma camiseta com a logomarca do programa. Ao mesmo tempo, a ANABB repassou R$ 117,7 mil para projetos de 19 comitês de solidariedade e cidadania em todo o País. No fim de agosto, o programa dispunha ainda de R$ 120,2 mil para financiar novos projetos.
O quadro abaixo apresenta um demonstrativo financeiro do Programa Brasil Sem Fome nesse período. Ao divulgar este balanço sintético, a ANABB reitera o compromisso com a transparência na gestão dos recursos doados pelos associados e colaboradores. Graças às milhares de contribuições, o Programa Brasil Sem Fome está completando 13 anos tendo apoiado, sem interrupção, centenas de projetos desenvolvidos pelos comitês de funcionários do Banco do Brasil. 

5.714 DOAÇÕES RECEBIDAS via boleto:       R$ 295.753,81 (+)
Renda de aplicações financeiras:                R$ 25.915,75 (+)
Outras doações:                                     R$ 3.334,18 (+)
TOTAL RECEITAS:                                   R$ 325.003,74 (+)

Financiamento de projetos (19 Comitês):       R$ 117.731,45 (-)
Despesas com tarifas bancárias (boletos):     R$ 11.373,11 (-)
Despesas com banners:                              R$  2.809,50 (-)
Despesas com camisetas para os doadores:    R$ 72.800,00 (-)

TOTAL DE DESEMBOLSOS:                           R$ 204.714,06 (-)

SALDO DISPONÍVEL - NOVOS PROJETOS:        R$ 120.289,68 (*)

O trabalho não pode parar

“Vivemos uma grave crise política no País. Há quem acredite que toda crise tem um lado bom, é uma oportunidade para crescer. Não concordo que nenhuma crise seja boa. O que é bom, o que permanece são as boas idéias e os bons exemplos. Premiar os bons exemplos é uma forma de incentivar sua continuidade, para que possam ser multiplicados”, declarou Valmir Camilo, presidente da ANABB, ao se dirigir aos participantes da solenidade de premiação do IV Prêmio Cidadania.
Fazendo uma referência especial ao Bispo Dom Mauro Morelli, homenageado na quarta edição do Prêmio Cidadania Herbet de Souza e “exemplo de abnegação e de dedicação aos mais necessitados”, Camilo defendeu soluções simples e gestos concretos para melhorar a vida dos brasileiros que vivem em situação de pobreza e exclusão. “Muitas vezes a gente perde grandes oportunidades de fazer algo tentando ‘inventar a roda’. O Programa Brasil Sem Fome e o Prêmio Cidadania são formados por idéias simples, que já ajudaram a formar mais de 2.200 Comitês de Solidariedade e Cidadania em todo o País”, destacou o presidente da ANABB.
Segundo ele, uma das principais razões do sucesso da iniciativa é incentivar a organização de comitês locais, que conhecem as carências das comunidades nas quais estão inseridos. “A filosofia do Programa Brasil Sem Fome é que os recursos devem ser gerados, distribuídos e aplicados nas comunidades”, enfatizou Camilo. Ele lembrou que quando a iniciativa foi lançada foram vendidas mais de 300 mil camisetas, o que proporcionou uma arrecadação de cerca de R$ 800 mil, inteiramente destinados aos Comitês de Solidariedade e Cidadania.

MANTER A CHAMA
O Prêmio Cidadania foi instituído pela ANABB com o propósito de manter vivo o legado de Betinho. “Sabemos que somos passageiros à frente desta Instituição. Queremos que os que vierem depois de nós reconheçam e dêem continuidade a esse trabalho. Toda vez que participamos de uma solenidade como esta, ao mesmo tempo em que reconhecemos e prestamos homenagem ao trabalho dos colegas dos Comitês de Solidariedade e Cidadania, é uma oportunidade de mostrar aquilo que deve ficar na vida da gente,” declarou Camilo de improviso. E completou: “Não está no estatuto da ANABB ter essa vertente de ação contra a fome. É um pouquinho a mais que a nossa Asso-ciação faz por um país mais justo”.
Ele aproveitou para reiterar que a Diretoria da ANABB hipoteca todo apoio político ao projeto, elogiando o trabalho de coordenação do Prêmio Cidadania realizado pelo diretor de Relações Funcionais, Aposentadoria e Previdência, Douglas Scortegagna. Mas reservou as palavras mais calorosas de agradecimento aos comitês e “a todos aqueles que continuam acreditando neste projeto. O mais importante é a contribuição dos associados.” Empolgado, revelou que o Programa Brasil Sem Fome acaba de receber uma vultosa doação anônima, de um aposentado do Rio de Janeiro. Esta doação formará um fundo especial para financiar projetos de recuperação de presidiários, com a implantação de cursos profissionalizantes, conforme desejo manifestado pelo doador.
O presidente da ANABB manifestou, ainda, o desejo de que o Prêmio passe a ser realizado todos os anos, como forma de aumentar o incentivo às ações de cidadania. A mudança ainda está em estudo. De qualquer modo, a Associação pretende intensificar o trabalho de divulgação do Programa Brasil Sem Fome e dos projetos desenvolvidos pelos Comitês de Solidariedade e Cidadania. “Mensalmente entram novos recursos de doação para atender outros projetos inscritos”, revelou Camilo.

Fonte: AÇÃO 181 - OUT/NOV DE 2005