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Assuntos diversos

Oásis no sertão

Oásis no sertão


Em 01.01.2015 às 00:00 Compartilhe:


Oito famílias do interior do Rio Grande do Norte foram beneficiadas, em dezembro, com a Campanha Brasil Sem Fome, da ANABB. Parte dos recursos arrecadados na campanha feita pela entidade para ações de cidadania foi destinado à construção de cisternas - reservatórios de água - em residências da comunidade de Tubibal, no município de Jandaíra, no semi-árido nordestino.

A iniciativa contou com R$ 10 mil doados pelo programa da ANABB, além da ajuda da Arquidiocese de Natal, capital do Rio Grande do Norte. As oito famílias beneficiadas foram escolhidas pelo padre da cidade, que conhece a realidade local.

Todas as famílias participaram da construção dos reservatórios e fizeram um curso para saber como usar e manter a cisterna, além de receberem noções de cidadania. "Água é vida. Com as doações das cisternas, os funcionários do Banco do Brasil vieram trazer melhores condições de vida para nós", afirmou um dos contemplados, José Maria Batista de Lima.
A entrega das cisternas ocorreu no dia 8 de dezembro pelo diretor Douglas Scortegagna, da ANABB e pela engenheira agrônoma Marilene Moura da Silva, do Seapac/RN.

A decisão para investir na construção das cisternas foi tomada em conjunto pelo presidente da Associação dos Funcionários Aposentados do Banco do Brasil no Rio Grande do Norte, Carlos Rosalvo Serrano, e pelo diretor estadual da ANABB, Hermínio Sobrinho.
Carlos Serrano, defendeu que as cisternas fossem construídas em vários núcleos de uma mesma comunidade para que a ação de combate à seca traga resultados.

Segundo o coordenador do Brasil Sem Fome, Douglas Scortegagna, para aprovar a proposta, foi considerado o significado da água para famílias que vivem em uma região onde a seca dura de agosto a fevereiro. E isso tem resultado prático, pois os envolvidos são educados para o uso e manutenção dos reservatórios, sentindo-se mais responsáveis do que quando utilizam cisternas coletivas públicas", afirma Scortegagna.

O engenheiro agrônomo Garibalde Gentil de Andrade, do Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários - Seapac, da Arquidiocese de Natal, responsável pelo acompanhamento das obras, conta que o segredo do programa está na construção de cisternas familiares ao lado das residências. Elas acabam com a necessidade dos carros-pipa serem usados pelas prefeituras para abastecer os bairros mais pobres.

Jandaíra, Cidade do Mel
O distrito de Tubibal fica a 15 km de Jandaíra, que tem 6.124 habitantes, segundo dados do IBGE de 2001. A cidade a 115 km de Natal não tem rede de esgotos. A economia do município é baseada na agricultura, na pecuária e, principalmente, na apicultura. Jandaíra foi classificada, em 2000, como o quinto município do Rio Grande do Norte com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) referente a educação, renda e condições de vida.

Estima-se que as famílias do semi-árido gastam 30 horas por mês para buscar água para consumo, e perdem cinco semanas por ano de trabalho em conseqüência de diarréias contraídas por ingestão de água contaminada.

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Velha conhecida do Nordeste: século XVII
As cisternas construídas em boa parte do sertão nordestino têm capacidade para 16 mil litros de água. O volume é suficiente para abastecer uma família com sete pessoas no período da seca, que ocorre entre agosto e fevereiro. Esse tipo de armazenamento de água não é novidade. É uma técnica milenar que começou na região Nordeste no século XVII.

COMO É FEITA
Um pedreiro e dois ajudantes podem construir uma cisterna em cinco dias. O reservatório é construído ao pé da casa e próximo à cozinha, com quatro metros de boca, dois metros de profundidade e outro metro acima da terra. A área abaixo da superfície tem a função de reduzir a temperatura e evitar a evaporação. Os terrenos mais adequados são os arenosos, sem pedras grandes, e não se deve fazer a obra perto de árvores com raízes fortes. Por questão de saúde, deve-se manter uma distância de 10 a 15 m de currais, fossas ou latrinas, para evitar a contaminação. A captação da água é feita pela lateral do telhado, onde é fixada uma calha conectada a um cano de PVC, ligado ao tanque. Ao chover, a água cai na calha e escorre para o reservatório.

Fonte: AÇÃO 173 - DEZEMBRO DE 2004