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Assuntos diversos

Mais educação no Ceará

Mais educação no Ceará


Em 01.01.2015 às 00:00 Compartilhe:


O vencedor na categoria Educação do II Prêmio Cidadania Herbert de Souza, patrocinado pela Anabb em 1998, por pouco não saiu dos trilhos e descarrilhou de vez. O projeto Imagem, Cotidiano e Cidadania, desenvolvido pelo Movimento Cariri pela Cidadania, de Juazeiro do Norte (CE), teve de enfrentar a desistência de duas de suas três idealizadoras – a socióloga e videomaker Ana Cristina de Melo e a geógrafa e fotógrafa Aurenívia Uchôa. Além desse problema, penaram com a falta de dinheiro e processos na Justiça. Mas o projeto superou esses obstáculos e vem sendo tocado adiante, às duras penas, por sua terceira mentora, a artista plástica e professora de arte Ângela Moraes.

Desde o princípio, as idealizadoras do programa tinham a ideia de ampliá-lo para outras comunidades carentes da cidade, que é um dos principais centros de peregrinação do Brasil. Um objetivo que, segundo Ângela Moraes, será atingido ainda neste ano. “Já estamos reestruturando-nos e reerguendo todo o projeto, ampliando o número de crianças que participam do trabalho e partindo para outros locais”, entusiasma-se a artista plástica, que, em 1998, desenvolveu seu projeto com 37 alunos da 3ª série do ensino fundamental da Escola do Vale, um estabelecimento de ensino particular de Juazeiro do Norte.

O trabalho agora será feito com um número maior de alunos – 150 – e envolverá crianças mais velhas, de 11 e 12 anos, além das que já participavam desde 1998. O foco será a população que vive hoje na região conhecida como Mutirão, uma favela à beira da estrada. Também enfrentando condições subumanas, as pessoas que vivem no lugar terão lições de cidadania, através de oficinas e grupos de teatro. “Nosso objetivo é integrar as pessoas que moram no Mutirão à vida social”, resume Ângela.

Para isso, junto às próprias mães – que abraçaram o projeto já encampado pelos filhos –, as crianças da Escola do Vale vão assumir o papel de professoras. A ideia é criar comissões de trabalho, que irão ao local para ensinar lições de higiene básica e promover debates e palestras sobre a violência urbana, dois problemas bastante presentes no dia-a-dia da comunidade.

De acordo com Ângela, as pessoas que vivem hoje no Mutirão são obrigadas a conviver com um lixão a céu aberto, em condições precaríssimas de higiene. “Tirá-los de lá não é possível, pois eles simplesmente não tem para onde ir”, lamenta a educadora, lembrando que a região de Juazeiro do Norte recebe multidões de peregrinos todos os dias. Um problema grave, pois a cada dia mais pessoas aparecem e decidem instalar-se no local, sem qualquer infra-estrutura. “Elas fazem seus barracos com caixas de madeira e vão ficando. Então, a solução é tentar fazer com que se conscientizem da importância de se manter o mínimo de higiene”, explica a educadora.

O verdadeiro trabalho de campo junto à comunidade do Mutirão ainda vai começar, mas o grupo formado por Ângela Moraes já está esquentando os motores. Durante os últimos dois meses do ano passado, mães e crianças da Escola do Vale começaram a ter contato com as crianças do Mutirão. Chegaram a organizar uma festa de Natal, com a participação da comunidade. Além do objetivo da confraternização, esses encontros foram úteis para que as “professoras” conhecessem as necessidades mais urgentes da comunidade e elaborassem programas com enfoque específico para as demandas locais.

Fonte: AÇÃO 131 - MARÇO/2000