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Assuntos diversos

Combate à fome em Santa Catarina

Combate à fome em Santa Catarina


Em 01.01.2015 às 00:00 Compartilhe:


O combate à fome e à miséria continua sendo a tônica das atividades da Associação de Mulheres Agricultoras Madre Maria Bernarda, em Abelardo Luz (SC). Atuando no assentamento Santa Rosa III, a associação recebeu, em 1998, o primeiro lugar no II Prêmio Cidadania Herbert de Souza pelos trabalhos que, além de garantir a alimentação da comunidade local, geraram emprego para a maioria dos assentados. Hoje, a comunidade abriga cerca de 120 pessoas.

Em 1995, quando a associação foi criada, as mulheres se organizaram para ampliar o plantio de feijão, arroz, batata, cebola, alho, milho e mandioca, e ainda iniciaram a fabricação de sabão. Com uma criação de apenas dez vacas, começaram a produzir leite e queijo, a princípio para subsistência, mas que logo se transformou em negócio. Tudo isso sem a comodidade da luz elétrica – que só chegou na região em agosto do ano passado – ,o que permitiu a construção de cinco novas casas de madeira.

O prêmio concedido pela Anabb, de R$ 7 mil, foi investido em mais uma atividade para gerar renda. Somando à contribuição de R$ 4 mil, vinda de uma entidade filantrópica da Alemanha, o grupo pôde construir uma queijaria: em mutirão, os assentados ergueram um galpão. Com uma pequena estrutura, que inclui pias, congelador e fôrmas, a fábrica garante a produção diária de queijo, ricota e manteiga, que são comercializados em Abelardo Luz e nas cidades vizinhas. A próxima meta é comprar uma bomba d’água e um refrigerador maior, para não perder os produtos, altamente perecíveis, nos períodos de verão intenso.

A presidente da associação, Romilda Vítor Bandeira, comemora outros avanços. Ela conta que desde o ano passado há açudes funcionando no assentamento. Essa melhoria possibilitou à comunidade desenvolver a horta. Romilda ressalta orgulhosa, que a produção de hortaliças nas lavouras comunitárias é feita totalmente sem pesticidas. As famílias também passaram a cultivar abelhas e minhocas, cujos derivados já estão sendo vendidos na região. O lucro obtido é reinvestido em material para aprimorar o trabalho e comprar mais novilhas, para aumentar a produção da queijaria.

Outra importante conquista da Associação de Mulheres Agricultoras foi levar o curso de alfabetização de adultos para a comunidade. Com o apoio do Movimento dos Sem-Terra, do Programa Nacional de Reforma Agrária e da Universidade Estadual de Chapecó, as aulas são ministradas todo final de semana. O projeto começou em outubro passado e, seguindo o método Paulo Freire de ensino para adultos, pretende alfabetizar a primeira turma até setembro. O monitor do assentamento, Roberto Carlos Massi, está empolgado com o curso: “as aulas são um incentivo à cidadania”, revela.

Mas Romilda Bandeira lamenta que as crianças ainda não tenham acesso fácil ao ensino, porque têm de andar quilômetros por estradas de terra para chegarem à escola mais próxima. “Além disso, nós precisamos de algum tipo de lazer para os jovens, já que os que não estudam ajudam nas atividades da comunidade”, observa.

Apesar da regularização da área do acampamento, ocorrida em 1997, as famílias ainda esperam o título de posse da terra. Mas, com tantas vitórias, a presidente da associação enfatiza o que já sabemos: isso não os impede de superar as dificuldades. “Nós estamos vivendo daquilo que produzimos, só isso já faz a gente trabalhar com mais vigor”, conclui.

Fonte: AÇÃO 130 - FEV/2000