× Modal
< Voltar


Assuntos diversos

Rotatividade nas vagas de emprego é de 46,7%, maior nível em 10 anos

Na prática, de cada 100 contratados, pelo menos 46 mudaram de posto ou foram demitidos


Em 14.02.2011 às 00:00 Compartilhe:


O setor produtivo brasileiro substituiu quase metade de toda sua força de trabalho no ano passado. Nos cálculos do Banco Central, a taxa de rotatividade chegou a 46,7% — o maior nível desde 2000. Na prática, de cada 100 contratados, pelo menos 46 mudaram de posto ou foram demitidos. A guerra por mão de obra qualificada, processos falhos de recrutamento e um mercado dinâmico são apontados como os responsáveis pela intensa troca de emprego no país.

A construção civil, com seus canteiros de obras escassos de engenheiros e de pedreiros qualificados, é o setor onde o troca-troca é visto com mais intensidade. No setor, a média mensal é de 7,6%. No Centro-Oeste, onde o boom imobiliário brasiliense levanta cidades praticamente do nada, esse número sobe para 8,2% — o maior entre as regiões do país. O Norte é onde o movimento se apresenta mais fraco (7%).

Para Elmano Nigri , presidente da consultoria de gestão de pessoas Arquitetura Humana, o mercado de trabalho passa por um apagão de mão de obra. “A qualificação é pouca e a oferta de vagas é grande. Quando a pessoa vê a oportunidade de ganhar mais, ele muda de empresa”, disse. Segundo Nigri, diferentemente do período da hiperinflação, os trabalhadores, principalmente os jovens, não se prendem mais a um único trabalho.

O encarregado de obras Jeneci Alves, 37 anos, é um exemplo da rotatividade constante na construção civil. Em fevereiro do ano passado, ele conseguiu um emprego em uma incorporadora, mas ficou lá por apenas seis meses, pois recebeu uma proposta melhor de outra empresa do setor. Alves botou na balança vários elementos além do salário básico, como oportunidades de crescimento profissional e garantias de melhores condições de trabalho. “Busquei não apenas quem pagasse melhor, mas quem desse garantias que eu pudesse crescer”, revelou.

Análise
Atualmente, Alves está participando de um curso promovido pela empresa onde trabalha. Em breve, subirá de posto e será mestre de obras. “O curso é uma chance muito importante para quem quer crescer na profissão”, disse. Com a melhor qualificação, ele nem pensa em mudar de empresa, a menos que o concorrente ofereça vantagens irrecusáveis. “Esta semana mesmo, recebi uma proposta para mudar de emprego. Mas não penso em sair de onde estou por agora. Hoje, o trabalhador pode fazer uma análise com calma e ver o que é melhor paa ele”, afirmou.

Ainda segundo Alves, o fenômeno de grande procura por mão de obra qualificada nos diversos canteiros de obras espalhados pelo Distrito Federal não é inédito. “Tenho um amigo marceneiro que estava aqui na construção de Brasília. Ele me disse que existem tantas ofertas que lembra os primeiros anos da cidade, quando quem pagava mais ganhava o melhor trabalhador”, disse.

Se, para o empregado, essa dinâmica permite ganhos, para o
setor produtivo significa elevação de custos. Não apenas em função da subida constante de salários, mas pelos desembolsos com capacitação, que nunca param. Como os empregados ficam pouco tempo, sendo substituídos, a necessidade de treinamento é permanente.

“Além de gasto, essa rotatividade gera migração de tecnologia, conhecimento e, em alguns casos, arranha a imagem da empresa, principalmente quando o motivo da rotatividade é algum mal-estar gerado no local de trabalho”, argumentou Gilberto Cavicchioli, professor do Núcleo de Gestão de Pessoas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Falhas
Os dados do BC mostram que, entre os demitidos no ano passado, 41,6% não ficaram nem seis meses no posto. Para Cavicchioli, isso é reflexo não apenas da falta de qualificação, mas de processos seletivos falhos e de expectativas frustradas para alguns contratados. “As empresas brasileiras não estão acostumadas com um mercado de trabalho aquecido em meio a uma economia estável, como a que vivemos agora”, criticou. “Os departamentos de recursos humanos não entenderam ainda que é necessário uma nova política de desenvolvimento, retenção e motivação de funcionários.”

Os especialistas explicam que as redes sociais também estão revolucionando a busca por um emprego. Por meio delas, quem procura uma vaga ou está insatisfeito com o sua posição no mercado de trabalho consegue encontrar informações específicas sobre ofertas que despertem interesse sem precisar passar por uma empresa de recolocação profissional. Na internet, existem várias comunidades formadas por pessoas em busca de emprego e que trocam informações sobre oportunidades.

Fonte: Correio Braziliense