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ANABB

II Fórum Nacional de Debates ANABB - Informativo do 2º dia

O Ex-ministro e deputado federal Delfim Neto, o diretor de Governo do BB, Sebastião Martins Ferreira Júnior e o economista Paulo Nogueira Júnior, foram alguns dos palestrantes no segundo dia


Em 22.11.2001 às 00:00 Compartilhe:

Desenvolvimento Sustentável

"Falar de desenvolvimento sustentável é falar de sobrevivência. Não apenas de um País, mas de recursos naturais e da população mundial como um todo”. Com a afirmação, Fernando Alves Almeida, presidente da Secretaria Executiva do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), abriu o segundo painel na tarde de ontem. Almeida desmistificou o conceito de desenvolvimento sustentável, definindo-o como estratégia para competitividade no mercado mundial. “Não estamos falando de filantropia e sim, de negócios. Quem não incorporar as exigências sociais, ambientais e econômicas do desenvolvimento sustentável vai ficar de fora”, alertou. Segundo ele, estamos no mundo da transparência, onde a responsabilidade social das empresas será cobrada e pode se tornar uma vantagem competitiva.

Fernando citou números e apresentou o índice Dow Jones de Sustentabilidade, onde as brasileiras CEMIG e Itaú figuram entre 200 empresas que tiveram ações valorizadas por adotarem estratégias voltadas para o desenvolvimento sustentável. O diretor de Competitividade e Tecnologia da FIESP, Cláudio Miquelin, centrou sua exposição na questão do crédito e falou das linhas disponíveis para pequenos e médios empresários. Para ele, o Banco do Brasil tem um papel fundamental no desenvolvimento do País que se quer construir. “É preocupante que a única instituição de fomento tenha voltado tanto o foco para o resultado”. E fez uma sugestão à direção do Banco: “o funcionalismo deve ser a caixa de ressonância. Eles estão em contato direto com a população e identificam melhor as necessidades de cada público e região”. Sebastião Martins Ferreira Júnior, diretor de Governo do Banco, encerrou o debate e falou dos programas que apóiam o desenvolvimento sustentável em suas três diretrizes - social, econômica e ambiental. Ele destacou programas como Brasil empreendedor, que concedeu crédito a pequenos empresários e contabiliza 600 mil empregos gerados.

O diretor ressaltou a importância do incentivo à exportação. O BB vem apoiando empresas por meio de programas como o PGNI – Programa de Geração de Negócios Internacionais, e do PAE – Programa de Apoio à Exportação. O deputado federal Aloizio Mercadante não pôde comparecer ao evento. Reformulação do Sistema Financeiro e o Banco do Brasil “Independência do Banco Central é na verdade uma tolice”. Foi a opinião do deputado Delfim Netto (PPB-SP) no Painel que discutiu a Reformulação do Sistema Financeiro Nacional e o Banco do Brasil, no Fórum Nacional de Debates ANABB. Professor da USP, o economista acredita em um Banco Central autônomo - em vez de independente - capaz de controlar a taxa de juros a longo prazo. Em discurso recheado de frases de efeito, o parlamentar foi veemente ao defender a subordinação do BC ao poder político. “Não pode dizer: ‘Recebi uma missão divina que é controlar você que tem o voto’.

O economista lembra que a Diretoria do BC não foi eleita, como os políticos, para o cargo. Para o economista Paulo Nogueira Júnior, as discussões sobre a independência do Banco Central têm sempre viés político. “ O próximo ano é de eleições e o que me parece é que há uma vontade de consolidar a “tecnocracia apátrida” [a expressão foi cunhada pelo economista americano, Thomas Sargent]. É que para Nogueira, a economia brasileira está nas mãos de pessoas que defendem os interesses internacionais em detrimento das necessidades da sociedade brasileira.

Para rechaçar seu pensamento, o economista recorreu ao teatrólogo, Nelson Rodrigues. “O pior estrangeiro é o brasileiro que vem de fora”. O professor da FGV e colunista do jornal Folha de S.Paulo ressentiu-se da ausência do diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn - que foi convidado mas não pôde comparecer ao evento. Goldfajn defende mandato desvinculado ao do persidente da República para a Diretoria do BC.

Para o jornalista, Carlos Alberto Sardenberg, colunista do caderno de Economia do jornal O Estado de São Paulo, o importante não é ter um Banco Central independente ou autônomo. “O que deve estar na Lei é que o BC deve defender a estabilidade monetária e ter instrumentos para isso”. Banco do Brasil e o Desenvolvimento Econômico Segundo Delfim Netto, O BB não é mais banco de desenvolvimento e para entrar em novos mercados precisa ter as mais elegantes regras de administração financeira, ou seja, não emprestar, não dar crédito”, ironiza. Ele completa: “Para crescer é preciso tomar riscos”. Sardenberg discorda. Para ele viabilizar crédito a fundo perdido foi fatal,por exemplo,para Bancos Estaduais. “ Eles [os bancos] foram obrigados politicamente a emprestar para quem não pagou. Quebraram”. Sobre a estratégia do Banco de com-petir no mercado privado, Sardenberg deixa uma interrogação. “Se vai atuar como banco privado porque continuar público? “. Para o comentarista econômico da CBN, o futuro do BB vai depender de uma situação real do país e do próprio Banco.

Fonte: Agência ANABB