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Banco do Brasil

BB - Proposta de novo acordo salarial

O Banco do Brasil, a Contec e os sindicatos se reuniram, no dia 14 de novembro, para discutir possibilidades de acordo nas negociações salariais.


Em 19.11.2001 às 00:00 Compartilhe:

O Banco do Brasil, a Contec e os sindicatos se reuniram, no dia 14 de novembro, para discutir possibilidades de acordo nas negociações salariais. Algumas decisões foram tomadas. O BB suspendeu o ajuizamento do dissídio coletivo e concordou em apresentar nova proposta para os funcionários. As ofertas do Banco são: abono de um salário bruto, com piso de R$ 1.000,00; reajuste de 2% sobre o VP; valetik de R$ 9,40; auxílio-creche de R$ 110,00 e cesta alimentação de R$ 60,00. Além da proposta, com custo total projetado em R$ 310 milhões, o Banco também suspenderá a cobrança das consignações referentes ao PAS e a adiamentos de férias dos meses de dezembro de 2001 a fevereiro de 2002.

O acordo será levado para os funcionários pela comissão de empresa nas assembléias previstas para o dia 21. A Contec consultará os bancários nos dias 19, 20 e 21 de novembro. O adiantamento do abono poderá ser feito no dia da assinatura do contrato. As diferenças do Valetik e a entrega dos carnês de cesta alimentação dos meses de setembro a dezembro poderão ser acertadas na primeira quinzena de dezembro. Já as diferenças do auxílio-creche serão recebidas no dia 20.

Breves Observações sobre a Nova Proposta do BB (Dieese subseção anabb)

  1. O reajuste ofertado pelo Banco (2,0%) é insuficiente para repor as perdas salariais provocadas pela inflação nos últimos 12 meses (que foi de 8,30% pelo ICV-DIEESE e de 7,31% pelo INPC-IBGE). Ele fica inferior ao reajuste salarial da categoria (5,5%), convencionado na mesa da FENABAN, bem como ao concedido pelo TST no julgamento do dissídio do BRB-Banco de Brasília (5,0%). No entanto, mesmo que timidamente, ele confirma a mudança da política de “reajuste zero” adotada pelo banco nos quatro anos seguidos de 1996 a 1999.
  2. A proposta de um abono igual a um salário bruto, significa um incremento de 7,5% na renda anual do funcionário do BB. No caso dos postos efetivos que ingressaram no banco a partir de 1998, o abono, cujo valor mínimo é de R$ 1000,00, representa incremento maior do que 7,5% na renda anual. O mesmo incremento, contudo, não é garantido nos anos futuros. Ao contrário dos abonos pagos pelo BB desde 1996, o proposto atualmente não é de igual valor para todos os empregados. Enquanto aqueles contribuíram para diminuir as diferenças de remuneração anual entre os diversos segmentos do funcionalismo, o atual, na maioria dos casos, não diminui nem aumenta essas diferenças, mas as mantêm. A proposta de abono é vista com simpatia por parte dos novos funcionários sem a intenção de permanecerem no Banco por muito tempo. Outra parcela do funcionalismo que enxerga o abono com "bons olhos"; é constituída pelos ocupantes de cargo comissionado, que, em boa parte, estão sujeitos à política de "remuneração global idêntica&"; (ou seja, ao recebimento de um mesmo total de vencimentos, em função do "posto de trabalho"; efetivamente ocupado na Empresa, independentemente do "tempo de casa" e do enquadramento nos níveis de carreira). Aos cargos comissionados o BB garante uma remuneração mínima, paga eventualmente mediante o acréscimo de um complemento temporário que eleve o vencimentos até o piso de remuneração para aquele posto de trabalho. Esses funcionários consideram como pouco interessantes os reajustes do vencimento padrão, que têm como efeito mudar a composição do contracheque, mas não o total dos vencimentos.
  3. O valor proposto pelo BB para o tíquete refeição (R$ 9,40) representa um aumento de 4,4% sobre o valor anterior, inferior à inflação dos últimos 12 meses.
  4. O novo valor do auxílio-creche (R$ 110,00) representa um aumento de 10,0% sobre o valor atual.
  5. A proposta da Cesta-Alimentação, no valor de R$ 60,00 mensais, representa a introdução de um novo benefício. Ele eqüivale a bônus de R$ 720,00 por ano, ou seja, para os postos efetivos recém contratados, representa um aumento de seu poder aquisitivo de quase um salário bruto ao ano. Como o abono salarial, também a introdução desse benefício depende de Acordo Coletivo, não tendo sua manutenção garantida nos anos vindouros. No entanto, a futura retirada dessa Cesta por parte do Banco vai ser difícil.

    Brasília, 19.11.2001

Fonte: Agência ANABB