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ANABB

Boas lembrancas: Chutou o pau da barraca e sumiu

Texto da série Boas Lembranças do BB, compartilhado pelo associado Francisco Oitavo Pinheiro Fernandes - morador de Parnamirim (RN)


Em 14.12.2021 às 11:53 Compartilhe:

Alguns atributos são básicos em quaisquer profissões. Urbanidade e pontualidade estão nessa categoria. Ou se tem ou não se tem, simples. Registrar isso em currículo como diferencial, nem pensar. É dar tiro no pé.

É senso comum, se você não é um daqueles imprescindíveis de que falava o Brecht, por favor, não falte ao trabalho. Correrá o sério risco de que não percebam a sua ausência e será um sério candidato a engrossar as estatísticas dos desempregados. Não vale a pena correr esse risco.

Imprescindível ninguém é. Mas, tem quem faça mais falta do que outros. Dito isto, apresento-lhes nosso quase imprescindível personagem.

Ter três telefonistas no quadro de trabalhadores de uma empresa, que se revezam entre si, tanto pode ser uma solução como um problema. Mais ainda, se duas delas são irmãs e a terceira é uma cunhada daquelas, e não se dão bem, a chance de algo dar errado potencializa-se.

Segunda-feira não é dia para alguém faltar ao trabalho. Precisa-se avisar isso aos farristas, aos absenteístas, aos descompromissados de sempre. Se falta alguém, outros serão sobrecarregados. Não foi por falta de aviso, mas a telefonista escalada para aquele dia faltou.

- Chefe, temos um problema; - que solução você oferece?, perguntei de volta. Só havia uma solução, chamar outra, o que foi feito.

Nos dois dias seguintes a situação se repetiu, para impaciência do administrador de plantão.

- Liga na empresa e pede para trocar a telefonista daqui em definitivo. Aqui não a queremos, nem pintada de ouro. Já temos problemas demais para administrar. Chega! Basta!

Bem, a sorte estava do lado da telefonista. No final de semana anterior, foi uma das sortudas ganhadoras de um bolão da Mega-Sena. Algo como 400 e poucos mil reais foi a parte que lhe coube. Fez o que a maioria gostaria de fazer. Não avisou ninguém, comprou uma passagem aérea para Salvador e se esbaldou durante uma semana. Voltou 10 mil reais menos rica. Cabelos loiros e cheios de dreads evidenciavam que a vidinha pacata que levava tinha ficado para trás.

O agora ex-marido, coitado, contentou-se em levar a sua parte. Os R$ 50 mil que recebeu ajudaram-no a aliviar a tristeza do divórcio. As ex-cunhadas continuaram atendendo telefonemas e trabalhando às segundas-feiras.

Quando apareceu na agência para uma visita de cortesia foi paparicada por muitos. Aquele administrador que nunca mais queria vê-la, esqueceu tudo e tratou-a com cafezinho e deferências. A grana que ainda estava na Caixa Econômica Federal precisava urgentemente ser captada. Saiu com cheque-ouro e cartão de crédito compatíveis com a condição de nova rica que era.

Dinheiro não aguenta desaforo, é um sábio conselho de um guru lá das bandas de Rondonópolis no MT. Dois ou três anos depois, infelizmente, a telefonista já não mais ostentava. Notícias davam conta de que havia “torrado” tudo, ou quase tudo.

PS: Corrigidos pela poupança, de 2005 para cá, R$ 400 mil valem R$ 1.140 mil e R$ 10 mil, R$ 28,5 mil aproximadamente.

Francisco Oitavo Pinheiro Fernandes - Parnamirim (RN)

 

 

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- Os textos devem ser enviados em arquivo do tipo Word.
- Devem conter no máximo 3 mil caracteres, contando espaços.
- O associado deve informar nome e cidade no e-mail.

Funcionários aposentados do Banco do Brasil, colegas que vivenciaram um BB com costumes e tecnologias próprios da época, certamente têm boas histórias para contar.

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Fonte: Agência ANABB